{"id":26576,"date":"2016-02-17T15:10:08","date_gmt":"2016-02-17T15:10:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26576"},"modified":"2016-02-17T15:10:08","modified_gmt":"2016-02-17T15:10:08","slug":"mensagem-para-a-quaresma-de-2016-nao-fechemos-a-porta-a-misericordia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/mensagem-para-a-quaresma-de-2016-nao-fechemos-a-porta-a-misericordia\/","title":{"rendered":"Mensagem para a Quaresma de 2016: N\u00e3o fechemos a porta \u00e0 miseric\u00f3rdia"},"content":{"rendered":"<p><strong>1. A alegria <\/strong><strong>do encontro<\/strong><br \/>\nO que melhor manifesta a mais profunda identidade do Ser de Deus \u00e9 o amor, a miseric\u00f3rdia de Deus para connosco: amor pelo qual o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito se unem entre si e com toda a humanidade; amor pelo qual Cristo se revela como o aut\u00eantico e \u00fanico Filho de Deus, e pelo qual vive toda a sua vida como uma oferta ao Pai, convertendo-se em exemplo para todos os seus seguidores.<br \/>\nSe quisermos descobrir algumas das caracter\u00edsticas de como \u00e9 o Deus de que Jesus nos fala, \u00e9 fundamental meditarmos nas par\u00e1bolas sobre a miseric\u00f3rdia (cf. Lc 15). Nos tr\u00eas casos, \u00e9 Deus \u2013 o pastor, a mulher, o pai \u2013 quem toma a iniciativa de ir ao encontro. Uma diferen\u00e7a importante se manifesta: perante a falta de responsabilidade da ovelha e da moeda, no filho aparece o exerc\u00edcio da liberdade. O pai respeita as decis\u00f5es do filho \u2013 o que sup\u00f5e estar com o cora\u00e7\u00e3o a sangrar \u00e0 espera que ele regresse. O pai, que o espera, acolhe-o e abra\u00e7a-o, mas a sua magnanimidade contrasta com o cora\u00e7\u00e3o do filho mais velho, que, vivendo sempre dentro da mais estrita legalidade, n\u00e3o \u00e9 capaz de se alegrar com o regresso do irm\u00e3o, nem aceita o amor do pai que o acolheu. O pai, identificado com Jesus, supera as leis, move-se na compaix\u00e3o, no amor \u2013 atitude que deveria ser a de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2. As obras de miseric\u00f3rdia<\/strong><br \/>\nEm tempos dif\u00edceis, de fortes contradi\u00e7\u00f5es e de grandes esperan\u00e7as, evocar \u201cas obras de miseric\u00f3rdia\u201d significa apreender um novo impulso de humanidade, para n\u00e3o permitir que a mentira, a hipocrisia, a corrup\u00e7\u00e3o, a avidez do poder, a barb\u00e1rie e a indiferen\u00e7a prevale\u00e7am neste mundo que deveria ser de proximidade, de afetos e de harmonia. Refere o Papa Francisco: \u00ab\u00c9 meu vivo desejo que o povo crist\u00e3o reflita, durante o Jubileu, sobre as obras de miseric\u00f3rdia corporal e espiritual\u00bb (MV 15). Abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 miseric\u00f3rdia \u00e9 viver \u201cas obras de miseric\u00f3rdia\u201d, fazer a experi\u00eancia do encontro, da \u2018peregrina\u00e7\u00e3o\u2019 pelas variadas periferias existenciais.<br \/>\nO Deus que usou de miseric\u00f3rdia no passado continua, hoje, a agir da mesma maneira connosco. \u00abOnde a Igreja estiver presente, a\u00ed deve ser evidente a miseric\u00f3rdia do Pai. Nas nossas par\u00f3quias, nas comunidades, nas associa\u00e7\u00f5es e nos movimentos \u2013 em suma, onde houver crist\u00e3os, qualquer pessoa deve poder encontrar um o\u00e1sis de miseric\u00f3rdia\u00bb (MV 12). N\u00e3o fechemos a porta \u00e0 miseric\u00f3rdia.<br \/>\nA simplicidade de vida, que o Evangelho nos prop\u00f5e, nasce do amor aos outros e traz algumas exig\u00eancias \u00e0 nossa vida de disc\u00edpulos de Jesus. Temos de tomar consci\u00eancia de que a rela\u00e7\u00e3o do homem com os bens materiais n\u00e3o \u00e9 de dom\u00ednio, mas sim de simples administra\u00e7\u00e3o (cf. Lc 16,2), e n\u00e3o podemos chamar nosso \u00e0quilo que pertence a todos, tal como se afirma no Serm\u00e3o da Montanha: \u00abO que quiserdes que vos fa\u00e7am os homens, fazei-o tamb\u00e9m a eles\u00bb (Mt 7,12). Jesus foi o rosto vis\u00edvel do Deus invis\u00edvel e aquele que melhor cultivou um estilo de vida simples e partilhada. A seu exemplo, recordemos que \u201ca felicidade est\u00e1 mais em dar do que em receber\u201d (At 20,35).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3. O nosso caminho quaresmal<\/strong><br \/>\nNa Bula de proclama\u00e7\u00e3o do Jubileu, o Papa Francisco convida toda a Igreja a que a Quaresma do Ano Jubilar \u00abseja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a miseric\u00f3rdia de Deus\u00bb (MV 17) e prop\u00f5e como meios para a viv\u00eancia deste Ano Jubilar a peregrina\u00e7\u00e3o, o jejum\/partilha, o sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o e a indulg\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o e a indulg\u00eancia<\/strong><br \/>\nQuando se re\u00fanem ao mesmo tempo v\u00e1rios penitentes para celebrar o sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o, com absolvi\u00e7\u00e3o individual, \u00e9 importante que se preparem para ela por meio da celebra\u00e7\u00e3o da palavra de Deus. Como afirma o Ritual da Penit\u00eancia, a celebra\u00e7\u00e3o em comum manifesta mais claramente a natureza eclesial da penit\u00eancia: na verdade, os fi\u00e9is escutam, em conjunto, a palavra de Deus que proclama a sua miseric\u00f3rdia e os convida \u00e0 convers\u00e3o, ponderam a sua vida, confrontando-a, em conjunto, com a mesma palavra de Deus e ajudam-se mutuamente na ora\u00e7\u00e3o (n.\u00ba 22).<br \/>\nConforme consta do nosso Plano Diocesano de Pastoral, na segunda, ter\u00e7a e quarta-feira da Semana Santa haver\u00e1 celebra\u00e7\u00f5es penitenciais, com absolvi\u00e7\u00e3o individual, para toda a Diocese, com a presen\u00e7a dos sacerdotes do nosso presbit\u00e9rio.<br \/>\nDeclaro como jubilares todas as igrejas paroquiais no dia em que, no tempo da Quaresma, se celebrar o sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o. A possibilidade de lucrarmos a indulg\u00eancia pr\u00f3pria do Ano jubilar \u00e9 uma gra\u00e7a concedida pela Igreja e \u00e0 qual todos devemos ter acesso. As condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para \u2018lucrar\u2019 a indulg\u00eancia s\u00e3o: a celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos da Eucaristia e da Confiss\u00e3o, a caridade e a ora\u00e7\u00e3o pelas inten\u00e7\u00f5es do Santo Padre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Caminhada Quaresma\/P\u00e1scoa<\/strong><br \/>\nNa Carta Pastoral publicada no in\u00edcio do Jubileu Extraordin\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia que estamos a celebrar, assinal\u00e1mos como momentos relevantes na vida da nossa Igreja Diocesana, e que constam do nosso Plano Diocesano de Pastoral, a Quaresma\/P\u00e1scoa, com din\u00e2micas e temas de forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 sobre a miseric\u00f3rdia; as \u2018vinte e quatro horas para o Senhor\u2019 e a peregrina\u00e7\u00e3o da Imagem de Nossa Senhora de F\u00e1tima. Vamos tamb\u00e9m, neste Ano da Miseric\u00f3rdia, dar especial aten\u00e7\u00e3o ao Evangelho de S. Lucas, atrav\u00e9s da sua distribui\u00e7\u00e3o nas comunidades crist\u00e3s e dos dez temas de forma\u00e7\u00e3o que devem ser refletidos em grupos paroquiais, meditados em fam\u00edlia ou mesmo individualmente.<br \/>\nA peregrina\u00e7\u00e3o da imagem de Nossa Senhora de F\u00e1tima dever\u00e1 marcar o nosso tempo pascal. Desejamos ardentemente que a sua passagem entre n\u00f3s seja um momento prop\u00edcio de escuta da palavra de Deus, de mais ora\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o, e incitamento para irmos ao encontro de tantos irm\u00e3os afastados da f\u00e9 e da pr\u00e1tica religiosa. A experi\u00eancia do encontro com Maria dever\u00e1 ser sempre um apontar para o seu Filho, \u00fanico Salvador.<br \/>\nNeste sentido, as Igrejas e outros espa\u00e7os (hospital, pris\u00e3o\u2026) onde estiver a Imagem de Nossa Senhora de F\u00e1tima ser\u00e3o tamb\u00e9m lugares jubilares, onde poderemos beneficiar da gra\u00e7a deste Ano Santo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ren\u00fancia Quaresmal<\/strong><br \/>\nO jejum e a partilha s\u00e3o elementos essenciais na viv\u00eancia do Jubileu. Este ano a ren\u00fancia quaresmal da nossa Diocese de Aveiro ser\u00e1 repartida entre os crist\u00e3os perseguidos pelo \u00f3dio da intoler\u00e2ncia religiosa e a necessidade urgente de dotarmos os Servi\u00e7os pastorais diocesanos de espa\u00e7os de trabalho e de reuni\u00f5es, adaptando, para o efeito, uma zona do nosso Semin\u00e1rio de Santa Joana.<\/p>\n<p>Que Maria, a M\u00e3e da Miseric\u00f3rdia, e Santa Joana, nossa Padroeira, nos acompanhem neste esfor\u00e7o de renova\u00e7\u00e3o com o est\u00edmulo do seu exemplo.<\/p>\n<p><em>Aveiro, 2 de fevereiro de 2016<\/em><br \/>\n<strong>\u2020 Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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