{"id":26581,"date":"2016-02-18T11:07:19","date_gmt":"2016-02-18T11:07:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26581"},"modified":"2016-02-18T11:07:19","modified_gmt":"2016-02-18T11:07:19","slug":"o-dedo-na-ferida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-dedo-na-ferida\/","title":{"rendered":"O dedo na ferida"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24379\" aria-describedby=\"caption-attachment-24379\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/editorial_Pe-Querubim-Silva.jpg\" rel=\"attachment wp-att-24379\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-24379\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/editorial_Pe-Querubim-Silva.jpg\" alt=\"QUERUBIM SILVA Padre. Diretor\" width=\"150\" height=\"209\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/editorial_Pe-Querubim-Silva.jpg 288w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/editorial_Pe-Querubim-Silva-214x300.jpg 214w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24379\" class=\"wp-caption-text\">QUERUBIM SILVA<br \/> Padre. Diretor<\/figcaption><\/figure>\n<p>A viagem do Papa Francisco ao M\u00e9xico est\u00e1 recheada de \u201cprovoca\u00e7\u00f5es\u201d, isto \u00e9, de pron\u00fancias que p\u00f5em o dedo na ferida dos desmandos da sociedade mexicana, infelizmente replicados em muitas outras sociedades, de todos os continentes. S\u00f3 que, ali, o Santo Padre est\u00e1 no meio das situa\u00e7\u00f5es concretas, palp\u00e1veis, extremas, desses desmandos.<br \/>\nA corrup\u00e7\u00e3o, o flagelo da droga, a riqueza injusta que gera caudais de pobreza, a marginaliza\u00e7\u00e3o das minorias \u00e9tnicas, o culto da exclus\u00e3o, o elevado \u00edndice de viol\u00eancia e crime\u2026, s\u00e3o feridas profundas, que radicam essencialmente no menosprezo da dignidade de toda a pessoa humana. E o Bispo de Roma n\u00e3o se cansa de clamar que o respeito por essa dignidade \u00e9 o fundamento de uma sociedade harmoniosa, de uma civiliza\u00e7\u00e3o digna desse nome.<br \/>\n\u00c9 do respeito pelo direito humano fonte de todos os outros direitos &#8211; o direito \u00e0 vida &#8211; que brotam todos os outros, para concretizar as condi\u00e7\u00f5es de dignidade dessa mesma vida, desde o p\u00e3o ao trabalho, desde a habita\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade de consci\u00eancia, desde a liberdade de cren\u00e7a \u00e0 possibilidade de escolher um padr\u00e3o educativo. E o respeito efetivo em todas as fases dessa vida, da gera\u00e7\u00e3o ao termo dos dias deste mundo.<br \/>\nNo nosso Pa\u00eds, ergue-se agora a discuss\u00e3o sobre o \u201cdireito a morrer com dignidade\u201d, o eufemismo para designar a eutan\u00e1sia. Importa \u00e9 perceber se n\u00e3o queremos privar os doentes de outros direitos, abafando-os com esse mito. Dizer \u201cn\u00e3o h\u00e1 nada a fazer\u201d \u00e9 sentenciar morte prematura, \u00e9 uma subtil forma de homic\u00eddio. Na verdade, como diz Laurinda Alves: \u201cA finalidade da Medicina n\u00e3o \u00e9 apenas curar doentes e doen\u00e7as. T\u00e3o pouco se destina a cuidar especialmente de doen\u00e7as agudas. A Medicina tamb\u00e9m serve para prevenir e controlar sintomas, em especial as dores dos doentes cr\u00f3nicos, progressivos e incur\u00e1veis. Existem tratamentos apropriados para este tipo de doentes, que sofrem de mil maneiras, sejam elas f\u00edsicas, morais ou emocionais. \u00c9 dif\u00edcil aliviar muitos sofrimentos a muitos doentes, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel minimizar as suas dores. Os m\u00e9dicos sabem isso. E os respons\u00e1veis pelo Sistema Nacional de Sa\u00fade tamb\u00e9m. Mas deviam saber mais: n\u00e3o existem para fazer apenas o que \u00e9 f\u00e1cil e tang\u00edvel.\u201d<br \/>\nA medica\u00e7\u00e3o, a proximidade, o carinho, podem transformar as situa\u00e7\u00f5es insuport\u00e1veis, de desespero, em caminhos serenos &#8211; esses, sim! &#8211; para uma morte digna. A citada \u201cpaliativista\u201d defende e pergunta \u00e9 o que \u00e9 que fazemos para que o sofrimento seja aceit\u00e1vel, para que os fins do caminho sejam uma despedida tranquila destes horizontes do espa\u00e7o e do tempo. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nada a fazer\u201d? H\u00e1 sempre muito a fazer, quando os doentes s\u00e3o reconhecidos como pessoas at\u00e9 ao fim.<br \/>\nTamb\u00e9m Laurinda Alves coloca o dedo na ferida do comodismo, do utilitarismo, do vazio de amor, no acompanhamento e cuidado familiar, comunit\u00e1rio e m\u00e9dico de muitas situa\u00e7\u00f5es, algumas das quais at\u00e9 se manifestaram recuper\u00e1veis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A viagem do Papa Francisco ao M\u00e9xico est\u00e1 recheada de \u201cprovoca\u00e7\u00f5es\u201d, isto \u00e9, de pron\u00fancias que p\u00f5em o dedo na ferida dos desmandos da sociedade mexicana, infelizmente replicados em muitas outras sociedades, de todos os continentes. S\u00f3 que, ali, o Santo Padre est\u00e1 no meio das situa\u00e7\u00f5es concretas, palp\u00e1veis, extremas, desses desmandos. 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