{"id":26674,"date":"2016-04-14T10:27:58","date_gmt":"2016-04-14T10:27:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26674"},"modified":"2016-04-14T10:27:58","modified_gmt":"2016-04-14T10:27:58","slug":"eutanasia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/eutanasia-2\/","title":{"rendered":"Eutan\u00e1sia"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_26675\" aria-describedby=\"caption-attachment-26675\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/cesar.jpg\" rel=\"attachment wp-att-26675\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26675\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/cesar.jpg\" alt=\"JO\u00c3O C\u00c9SAR DAS NEVES Economista\" width=\"210\" height=\"219\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26675\" class=\"wp-caption-text\">JO\u00c3O C\u00c9SAR DAS NEVES<br \/>Economista<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pensar a vida *<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A eutan\u00e1sia surgiu nos debates contempor\u00e2neos pelo prop\u00f3sito de garantir uma morte digna. A tese \u00e9 que existem situa\u00e7\u00f5es onde o prolongamento da exist\u00eancia implica tal sofrimento e indignidade que o homic\u00eddio constitui benevol\u00eancia. A lei devia portanto permitir o suic\u00eddio assistido ou a eutan\u00e1sia, dando liberdade ao pr\u00f3prio ou aos pr\u00f3ximos de terminar uma vida sem sentido. Ser\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o absurda?<br \/>\nPrimeiro, a quest\u00e3o s\u00f3 se levanta em situa\u00e7\u00f5es limite, extremamente dolorosas e interpelantes. A\u00ed n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es simples nem boas respostas. A primeira atitude tem de ser, pois, de humildade, miseric\u00f3rdia e compreens\u00e3o por todas as v\u00edtimas, acima de tudo o doente. Por isso, respostas simples, lineares e taxativas ir\u00e3o sempre sacrificar algo de essencial. Sendo problemas angustiantes, a tenta\u00e7\u00e3o de ideologias simplistas \u00e9 grande, por concederem conforto eliminando dificuldades sob teorias abstractas. Mas esta armadilha deve ser sempre denunciada. Resolver um problema n\u00e3o \u00e9 escamote\u00e1-lo ou distorc\u00ea-lo.<br \/>\nSe isto \u00e9 verdade nos casos concretos, \u00e9 mais relevante ao conceber-se legisla\u00e7\u00e3o nacional. A\u00ed n\u00e3o se tratam situa\u00e7\u00f5es particulares, mas regras gen\u00e9ricas de aplica\u00e7\u00e3o universal. Tratando-se de regulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso evitar todo o tipo de abusos, de um lado ou outro, cuidando de todos os interesses envolvidos, sobretudo dos mais fracos.<br \/>\nEm segundo lugar, tem de dizer-se que a verdadeira quest\u00e3o deve menos \u00e0s condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas que ao sentido da exist\u00eancia. H\u00e1 vidas aparentemente terr\u00edveis levadas com grandeza e proveito, enquanto outras perdem o sentido s\u00f3 por tacanhez e descuido. O problema da morte \u00e9 menos m\u00e9dico que humano.<br \/>\nQuais s\u00e3o ent\u00e3o os princ\u00edpios que devemos seguir no tratamento jur\u00eddico destes casos? O primeiro deve ser o esfor\u00e7o s\u00e9rio e bem intencionado de promover uma morte digna e respeitosa, com apoio claro \u00e0 pessoa moribunda, abrindo-a ao sentido da exist\u00eancia. Precisamente por isso devem ser evitados os extremos simplistas que, enveredando por orienta\u00e7\u00f5es reducionistas, omitem aspectos essenciais da quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Tal como o excesso terap\u00eautico \u00e9 conden\u00e1vel, violando a dignidade do doente na busca de uma sobreviv\u00eancia a todo o custo, tamb\u00e9m a legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia e suic\u00eddio assistido constitui uma atitude libert\u00e1ria e irrespons\u00e1vel, por desrespeito pela vida humana. A sua legaliza\u00e7\u00e3o representa a institucionaliza\u00e7\u00e3o de uma cultura hedonista e relativista, aberta a imensos abusos e aproveitamentos. A dignidade de um cad\u00e1ver \u00e9 sempre nula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Espa\u00e7o em parceria com a ADAV Aveiro \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Defesa e Apoio da Vida. Uma vez por m\u00eas, personalidades convidadas pela ADAV exp\u00f5em as suas raz\u00f5es contra a eutan\u00e1sia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Pensar a vida * &nbsp; A eutan\u00e1sia surgiu nos debates contempor\u00e2neos pelo prop\u00f3sito de garantir uma morte digna. A tese \u00e9 que existem situa\u00e7\u00f5es onde o prolongamento da exist\u00eancia implica tal sofrimento e indignidade que o homic\u00eddio constitui benevol\u00eancia. 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