{"id":26726,"date":"2016-05-13T09:31:13","date_gmt":"2016-05-13T09:31:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26726"},"modified":"2016-05-13T09:31:13","modified_gmt":"2016-05-13T09:31:13","slug":"porque-santuario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/porque-santuario\/","title":{"rendered":"Porqu\u00ea santu\u00e1rio?"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 dias algu\u00e9m me perguntou por que \u00e9 que, sendo eu diocesano, coloco tantas fotos de santu\u00e1rios de Schoenstatt na minha p\u00e1gina do Facebook. N\u00e3o tenho de falar de mim nestes artigos, a n\u00e3o ser que julgue que possa servir para elucidar uma mensagem que devo e sinto que devo transmitir. P\u00f4r os olhos em n\u00f3s \u00e9 o princ\u00edpio de uma boa atua\u00e7\u00e3o, embora corra o risco do egocentrismo que caracteriza tanta gente que trabalha na Igreja. Infelizmente, h\u00e1 muita gente que assume cargos eclesiais para poder sobressair, as vezes at\u00e9 sem a licen\u00e7a direta do seu superior, como acontece em algumas comunidades religiosas que conhe\u00e7o. E n\u00e3o \u00e9 de todo desconhecida a corrida por postos altos em algumas dioceses, sobretudo no Vaticano, para ver se chegam ao que consideram altos cargos, esquecendo que um dos t\u00edtulos do Papa, ao qual querem alcan\u00e7ar viver de perto, \u00e9 \u201cservo dos servos de Deus\u201d. Cargo, na Igreja, quanto mais alto, mais deveria ser para servir o pequenino. Assim era o Mestre que veio para servir.<br \/>\nPois, como julgo interessante discorrer um pouco sobre a quest\u00e3o do \u201cporqu\u00ea santu\u00e1rios?\u201d, eu vou dizer o seguinte. Primeiro, um padre diocesano tem espiritualidade pr\u00f3pria: obedi\u00eancia ao Bispo, viv\u00eancia de um presbit\u00e9rio, voto de castidade e contin\u00eancia, esp\u00edrito de pobreza e de servi\u00e7o, vida de ora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 pessoal, mas em miss\u00e3o. Liturgia das Horas e Missa s\u00e3o para a salva\u00e7\u00e3o do povo, da Igreja que ele serve, e n\u00e3o s\u00f3, no caso das missas para sufragar mortos. E quem dera que a Missa fosse por inten\u00e7\u00e3o de vivos e defuntos, sem ser particularizada no que \u201cmandou dizer\u201d e, no fim, como no mercado, vem perguntar \u201cquanto \u00e9?\u201d. Continuando a espiritualidade do padre diocesano: Amor pelos homens sem acep\u00e7\u00e3o de pessoas pelo exerc\u00edcio da caridade pastoral, desempenho da miss\u00e3o que lhe foi confiada pelo bispo diocesano, seja ser p\u00e1roco, secret\u00e1rio, professor\u2026<br \/>\nMas, como ser humano, o padre precisa de defesas para orientar sua afetividade, economia, bem-estar, sa\u00fade, conhecimentos, intimidade com Cristo, sendo Jesus a \u00fanica raz\u00e3o primordial da sua miss\u00e3o. Da\u00ed ter cursos, retiros, estudo, f\u00e9rias, viagens, amigos, conv\u00edvio, hobbies, desporto, cultivo da fam\u00edlia e do conv\u00edvio com os colegas\u2026<br \/>\nTodo o ser humano precisa de ter os seus rituais, desde o modo como prepara o seu pequeno-almo\u00e7o e faz a sua higiene matinal at\u00e9 \u00e0 sua agenda e \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do seu tempo ou dia livre. Se para muitos homens existe o fim de semana, os padres que podem e desejam tamb\u00e9m t\u00eam o seu dia livre. Muitos sacerdotes organizam a sua agenda, ainda que saibamos que somos mais livres nos hor\u00e1rios que uma pessoa sujeita ao emprego, a n\u00e3o ser que seja professor ou a par\u00f3quia o veja, como acontece em alguns pa\u00edses, como um funcion\u00e1rio\u2026<br \/>\nDa\u00ed, o Esp\u00edrito Santo suscitar na Igreja movimentos que apoiam a viv\u00eancia da espiritualidade do sacerdote diocesano, uns mais exigentes e fechados do que os outros, mas todos muito belos.<br \/>\nNem todos os sacerdotes sentem falta deste apoio, mas outros sim. Da\u00ed ser oferecido o servi\u00e7o, para quem quer, nos Focolares, no Opus Dei, em Schoenstatt, entre outros. Desde que a perten\u00e7a n\u00e3o desvie o padre da sua miss\u00e3o diocesana, mas antes, sim, o ajude a ser melhor. E tamb\u00b4+em \u00e9 preciso real\u00e7ar que cada um tem seu modo de ser sacerdote na diocese. Todos somos diferentes. Dever\u00edamos ser complementares. Acontece o mesmo com o casamento ou com as profiss\u00f5es. De facto, n\u00e3o h\u00e1 dois sacerdotes iguais. E viver juntos exige a elasticidade pr\u00f3pria de quem tem de saber que h\u00e1 limites de respeito nas opini\u00f5es e na originalidade pastoral. Tamb\u00e9m fui aprendendo que essa originalidade, num p\u00e1roco, tem de ser prudente para n\u00e3o criar problemas \u00e0 unidade pastoral de um arciprestado e de uma diocese, o que nem sempre \u00e9 f\u00e1cil, sobretudo para quem caminha s\u00f3.<br \/>\nO Santu\u00e1rio de Schoenstatt funciona assim, como abrigo, ref\u00fagio, lugar privilegiado de encontro e de conv\u00edvio, com uma fam\u00edlia espiritual que a Igreja nos oferece como complemento do ser diocesano. Por isso, o movimento, como outros, tem ramos fundados pelo padre Kentenich de maior ou menor vincula\u00e7\u00e3o. Eu ocupo o menor, pois me consagrei a Maria na Liga dos Padres. Mas isso significa simplesmente que o santu\u00e1rio \u00e9 t\u00e3o meu como de qualquer um que ali v\u00e1, tanto mais que \u00e9 o \u00fanico lugar da nossa diocese onde a adora\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo \u00e9 di\u00e1ria.<br \/>\nPrecisamos de lugares para nos vincular. Digo: lugares onde, quando tudo parece confuso, nos possamos refugiar para readquirir for\u00e7as, ou chorar no sil\u00eancio do nosso cora\u00e7\u00e3o. Penso que o primeiro v\u00ednculo est\u00e1 no sacr\u00e1rio das nossas igrejas paroquiais, nas contas do nosso ros\u00e1rio, na medita\u00e7\u00e3o silenciosa e atenta da Liturgia das Horas e no momento \u00fanico de consagrar, al\u00e9m do ombro de um amigo do cora\u00e7\u00e3o. Mas sair para fora de onde vivemos e encontrar o para\u00edso que se oferece faz um ser humano mais forte quando regressa para continuar a luta. E como esta descoberta n\u00e3o \u00e9 igual para todos, pois posso vincular-me a F\u00e1tima, \u00e0 S\u00e9 de Aveiro, \u00e0 Senhora de Vagos ou \u00e0 Senhora do Socorro, quem descobre comunica para que na mesma liberdade de escolha outros possam descobrir. D. Ant\u00f3nio Marcelino dizia que as propostas devemos sempre anunci\u00e1-las, pois se n\u00e3o servem para mim, podem servir para outros que as ou\u00e7am. Se n\u00e3o ouvirem, n\u00e3o descobrem e isso pode fazer a diferen\u00e7a entre a vida e a morte.<br \/>\nO santu\u00e1rio \u00e9 meu ref\u00fagio, meu cabo que me une ao que de mais valor encontrei na terra, meu c\u00e9u, meu hobbie, meu lazer. E apaixonei-me pela aventura de descobrir os que existem por este mundo fora, pois s\u00e3o mais de duzentos espalhados pelos cinco continentes. Pude visitar todos os da Europa, ao longo de trinta anos, e \u00e0 volta de cada um, h\u00e1 cidades para descobrir, com belos museus, belas paisagens e amigos que fomos adquirindo. Porqu\u00ea santu\u00e1rio? Porque sim, para mim. Por amor, tamb\u00e9m por necessidade, para ser mais fiel\u2026 e mais feliz.<\/p>\n<p><strong>Vitor Espadilha<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 dias algu\u00e9m me perguntou por que \u00e9 que, sendo eu diocesano, coloco tantas fotos de santu\u00e1rios de Schoenstatt na minha p\u00e1gina do Facebook. N\u00e3o tenho de falar de mim nestes artigos, a n\u00e3o ser que julgue que possa servir para elucidar uma mensagem que devo e sinto que devo transmitir. 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