{"id":26774,"date":"2016-06-03T10:15:05","date_gmt":"2016-06-03T10:15:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26774"},"modified":"2016-06-03T10:15:05","modified_gmt":"2016-06-03T10:15:05","slug":"educar-para-preparar-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/educar-para-preparar-o-futuro\/","title":{"rendered":"Educar para preparar o futuro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/inbterescolas.jpg\" rel=\"attachment wp-att-26775\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-26775\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/inbterescolas.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"490\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/inbterescolas.jpg 740w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/inbterescolas-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>1. O direito dos pais na escolha da escola para os seus filhos<\/strong><br \/>\nEducar, que significa despertar potencialidades e ensinar a ser, implica eleger como meta principal a constru\u00e7\u00e3o de uma pessoa aut\u00eantica e \u00edntegra. Neste sentido, os pais t\u00eam, entre outros, o direito\/dever de educar e escolher a escola que melhor corresponda aos valores e exig\u00eancias dos seus filhos, competindo-lhes a orienta\u00e7\u00e3o da sua educa\u00e7\u00e3o. Para isso, cada estabelecimento de ensino, p\u00fablico ou privado, deve caracterizar o seu modelo educativo, para que estes, em liberdade, possam escolher aquele que mais se coaduna com a educa\u00e7\u00e3o que julgam mais adequada para os seus filhos.<br \/>\nA Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem (art.\u00ba 26), bem como a Lei de Bases do Sistema Educativo, reconhecem a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o e enunciam princ\u00edpios onde \u00e9 poss\u00edvel enquadrar a sua inser\u00e7\u00e3o nos sistemas educativos, nomeadamente a liberdade de os pais escolherem o g\u00e9nero de educa\u00e7\u00e3o a dar aos filhos. Tamb\u00e9m a Lei da Liberdade Religiosa (art.\u00ba 11) confere aos pais o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dos filhos em coer\u00eancia com as pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es religiosas. Mas o que deveria ser um direito \u00e9, por vezes, um obst\u00e1culo!<br \/>\nEsta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser um jogo pol\u00edtico. Ao Estado n\u00e3o cabe impor uma vis\u00e3o do mundo. \u201cAo Estado cabe a obriga\u00e7\u00e3o de cooperar com os pais na educa\u00e7\u00e3o dos filhos\u201d (Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa, art.\u00ba 67, c). O Estado, que se quer democr\u00e1tico, pode ter ideais, mas s\u00e3o os cidad\u00e3os que os tornam eficazes. Se a lei estabelece as condi\u00e7\u00f5es para uma ampla e frutuosa colabora\u00e7\u00e3o e s\u00e3o estes que pagam os seus impostos, tamb\u00e9m s\u00e3o estes que t\u00eam direito a ditar como querem a sua escola. Ao Estado compete, pois, por equidade e exig\u00eancia do bem comum, harmonizar os interesses dos cidad\u00e3os, garantindo os direitos das institui\u00e7\u00f5es educativas; tem o dever de colaborar com os pais na educa\u00e7\u00e3o dos filhos, criando condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que estes possam optar livremente pelo modelo educativo que lhes conv\u00e9m. Apoiar economicamente as escolas, sejam elas de iniciativa estatal ou particular, \u00e9 colaborar com os pais na educa\u00e7\u00e3o dos filhos. O Papa Francisco, na recente Exorta\u00e7\u00e3o sobre a \u201cAlegria do Amor\u201d, lembra que \u00abo Estado oferece um servi\u00e7o educativo de maneira subsidi\u00e1ria, acompanhando a fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o deleg\u00e1vel dos pais, que t\u00eam o direito de poder escolher livremente o tipo de educa\u00e7\u00e3o \u2013 acess\u00edvel e de qualidade \u2013 que querem dar aos seus filhos de acordo com as suas convic\u00e7\u00f5es\u00bb (AL 84).<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 educa\u00e7\u00e3o integral sem a considera\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o religiosa, uma vez que ela \u00e9 constitutiva da pessoa humana. Mais ainda, no mundo globalizado e plural em que nos movemos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel compreender certos eventos nacionais e internacionais sem refer\u00eancia ao religioso e \u00e0s suas manifesta\u00e7\u00f5es. Por sua vez, o Evangelho inspira valores de f\u00e9 e de humanidade que edificam a hist\u00f3ria e a cultura.<\/p>\n<p><strong>2. A disciplina de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica confere unidade ao projeto educativo<\/strong><br \/>\nA leciona\u00e7\u00e3o da EMRC, disciplina com uma dimens\u00e3o religiosa e c\u00edvica, depende da vontade expressa dos pais ou dos candidatos, quando maiores de dezasseis anos. \u00c9 uma \u00e1rea curricular com um alcance cultural e um significativo valor educativo, que confere unidade ao projeto educativo. Proporciona recursos e perspetiva caminhos de desenvolvimento harmonioso do aluno, na integridade das dimens\u00f5es corporal, intelectual e da abertura \u00e0 transcend\u00eancia, aos outros e ao mundo em que vive e que, por sua vez, \u00e9 chamado a construir com os outros.<br \/>\nA fam\u00edlia, comunidade educativa por excel\u00eancia, assume um papel central na educa\u00e7\u00e3o dos filhos. Assim, os pais devem consciencializar-se da import\u00e2ncia da dimens\u00e3o religiosa para a educa\u00e7\u00e3o dos filhos, responsabilizar-se pela sua inscri\u00e7\u00e3o em EMRC ou sensibilizar os filhos para o fazerem, tomando uma posi\u00e7\u00e3o ativa e fazendo valer a legisla\u00e7\u00e3o em vigor. Os alunos s\u00e3o fruto da sociedade e das suas incoer\u00eancias e contradi\u00e7\u00f5es, por isso n\u00e3o abdiquem os pais das suas responsabilidades educativas, fruindo do que a escola lhes oferece.<br \/>\nO professor, que por si s\u00f3 n\u00e3o pode suprir as fun\u00e7\u00f5es de toda a sociedade, deve promover o di\u00e1logo e a colabora\u00e7\u00e3o com os pais e a escola, tendo em vista a responsabiliza\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o rec\u00edprocas. Deve manter-se atualizado pessoal e profissionalmente, transmitir com seriedade e profundidade o itiner\u00e1rio planeado, sem esquecer que o di\u00e1logo entre a cultura e a f\u00e9 deve fazer-se em ordem \u00e0 maturidade pessoal e social.<br \/>\nAos alunos, proponho um desafio: convido-os a ir contra a corrente, a ser determinados e a arriscarem pela frequ\u00eancia da EMRC como caminho onde os valores s\u00e3o identificados, promovidos e divulgados \u2013 onde brota uma vida com sentido e projeto.<br \/>\nO sucesso depender\u00e1 do interesse e envolvimento que todos demonstrarem. Atentos \u00e0s inquieta\u00e7\u00f5es e preocupa\u00e7\u00f5es, tendo bem presentes os valores que nos norteiam, com \u00e2nimo e confian\u00e7a, temos todos de assumir posi\u00e7\u00f5es concretas; admitir o indiferentismo, a irresponsabilidade pode comprometer toda a educa\u00e7\u00e3o e a cultura emergente. Temos todos de ajudar a crescer nos valores que dignifiquem a pessoa humana.<br \/>\n<em>Aveiro, 29 de maio de 2016<\/em><br \/>\n<strong>\u2020 Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. O direito dos pais na escolha da escola para os seus filhos Educar, que significa despertar potencialidades e ensinar a ser, implica eleger como meta principal a constru\u00e7\u00e3o de uma pessoa aut\u00eantica e \u00edntegra. 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