{"id":26822,"date":"2016-06-24T09:00:42","date_gmt":"2016-06-24T09:00:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26822"},"modified":"2016-06-24T09:00:42","modified_gmt":"2016-06-24T09:00:42","slug":"sempre-desejei-que-os-aveirenses-soubessem-algo-dos-nossos-maiores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sempre-desejei-que-os-aveirenses-soubessem-algo-dos-nossos-maiores\/","title":{"rendered":"&#8220;sempre desejei que os aveirenses soubessem algo dos nossos maiores&#8221;"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_26823\" aria-describedby=\"caption-attachment-26823\" style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mons.jpg\" rel=\"attachment wp-att-26823\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26823\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/mons.jpg\" alt=\"Mons. Jo\u00e3o Gaspar\" width=\"250\" height=\"255\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26823\" class=\"wp-caption-text\">Mons. Jo\u00e3o Gaspar<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u201cSacerdote dominicano, cl\u00e9rigo secular, humanista, fil\u00f3logo, naut\u00f3grafo, cart\u00f3grafo, historiador, professor, patriota, diplomata, viajante, marinheiro, piloto, soldado, perseguido e sobretudo grande aventureiro, Fern\u00e3o de Oliveira viveu uma exist\u00eancia plena de epis\u00f3dios dispares\u201d, escreve monsenhor Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar no livro \u201cFern\u00e3o de Oliveira, humanista not\u00e1vel\u201d. A obra sobre o aveirense do s\u00e9culo XVI vai ser apresentada no dia 29 de junho, pelas 16h30, no audit\u00f3rio da Livraria da Universidade de Aveiro.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26824\" aria-describedby=\"caption-attachment-26824\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/fernao.jpg\" rel=\"attachment wp-att-26824\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26824\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/fernao.jpg\" alt=\"Fern\u00e3o de Oliveira  - humanista not\u00e1vel Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar Tempo Novo Editora P\u00e1gs. 164; 10,00 \u20ac\" width=\"200\" height=\"284\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26824\" class=\"wp-caption-text\">Fern\u00e3o de Oliveira<br \/>&#8211; humanista not\u00e1vel<br \/>Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar<br \/>Tempo Novo Editora<br \/>P\u00e1gs. 164; 10,00 \u20ac<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Correio do Vouga: &#8211; Qual o motivo por que redigiu este livro sobre o padre Fern\u00e3o de Oliveira?<\/strong><br \/>\n<strong>Jo\u00e3o Gaspa<\/strong>r &#8211; Em primeiro lugar, a raz\u00e3o de eu me debru\u00e7ar acerca da biografia do padre Fern\u00e3o de Oliveira &#8211; ou Fernando Oliveira &#8211; foi a de o considerar como uma personagem tida como aveirense. Nos meus momentos vagos, n\u00e3o apenas tenho recordado factos da hist\u00f3ria da nossa terra, mas tamb\u00e9m pessoas que a tiveram por ber\u00e7o ou como sua. O meu \u00fanico desejo tem sido p\u00f4r na m\u00e3o dos leitores algo da mem\u00f3ria multissecular de Aveiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em que ponto se encontra a quest\u00e3o sobre as origens aveirenses de Fern\u00e3o de Oliveira?<\/strong><br \/>\nPara mim \u00e9 um ponto assente, sem qualquer d\u00favida, que Fern\u00e3o de Oliveira foi gerado em Aveiro e considerou-se aveirense, mas nasceu na freguesia do Couto do Mosteiro, do atual concelho de Santa Comba D\u00e3o. S\u00e3o palavras dele, que lemos na introdu\u00e7\u00e3o do livro in\u00e9dito \u201cArs Nautica\u201d, cujo manuscrito se encontra arquivado na Universidade de Leidn \u2013 Holanda: &#8211; \u00abAveiro \u00e9 a terra onde me geraram os pais; [\u2026] mas o rec\u00e9m-nascido soltou os primeiros vagidos na Gestosa (Couto do Mosteiro). A igreja matriz de [St\u00aa] Columba deu-lhe o batismo da f\u00e9.\u00bb<br \/>\nAs respostas, que em 1547, em dois processos diferentes, ele proferiu \u00e0 barra do Tribunal da Inquisi\u00e7\u00e3o a dizer, num deles, que o seu nascimento foi em Aveiro e, no outro, que o seu batismo foi administrado no Couto do Mosteiro, se os autos forem ver\u00eddicos, podem manifestar certo nervosismo\u2026 a n\u00e3o ser que para um \u201chumanista\u201d o lugar principal do in\u00edcio de uma vida fosse o da gera\u00e7\u00e3o. Efetivamente, nesse tempo era imposs\u00edvel que o batismo de uma crian\u00e7a indefesa se administrasse numa terra t\u00e3o distante, pois n\u00e3o havia facilidade na desloca\u00e7\u00e3o e tal sacramento tinha de ser no prazo de oito dias.<br \/>\nQue Fern\u00e3o de Oliveira mantinha uma aten\u00e7\u00e3o especial e saudosa por Aveiro, p\u00e1tria dos seus avoengos paternos e maternos, prova-o facto de ele se referir por duas vezes a esta vila de ent\u00e3o: &#8211; na sua gram\u00e1tica, onde explica, com os conhecimentos da \u00e9poca, a etimologia do top\u00f3nimo de Aveiro, e na sua hist\u00f3ria de Portugal, onde teve o cuidado de aludir \u00e0 antiguidade de Aveiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que aspeto gostou especialmente de investigar sobre Fern\u00e3o de Oliveira?<\/strong><br \/>\nComo \u00e9 f\u00e1cil de concluir pelo que j\u00e1 disse, um assunto que particularmente me interessou foi o da terra da naturalidade de Fern\u00e3o de Oliveira \u2013 interesse que j\u00e1 em mim se despertara \u00e0 volta de 1975, numa cavaqueira de amigos, e que posteriormente se me firmou pelo que fui lendo em estudos de diversos autores e investigadores. Para isso, tamb\u00e9m tive de solicitar fotoc\u00f3pias de algumas p\u00e1ginas da \u201cArs Nautica\u201d \u00e0 referida Universidade, as quais me foram particularmente \u00fateis.<br \/>\nA outra al\u00ednea que me cativou foi o percurso multifacetado dos seus anos: &#8211; a sua forma\u00e7\u00e3o no convento dos dominicanos, em \u00c9vora; a sua vida de cl\u00e9rigo; as suas aventuras em armadas b\u00e9lico-mar\u00edtimas; o seu cuidado em dar \u00e0 estampa a primeira gram\u00e1tica do nosso idioma; o seu desejo de proporcionar o conhecimento dos segredos da constru\u00e7\u00e3o naval; a sua experi\u00eancia em armadas mar\u00edtimas, que passou a papel; e o interesse em ordenar a hist\u00f3ria de Portugal. Por tudo isto, Fern\u00e3o de Oliveira revelou-se como um humanista not\u00e1vel; sem qualquer sombra de d\u00favida, considero-o como fazendo parte do cat\u00e1logo dos ilustres humanistas portugueses do s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 algo no seu livro que considere novo?<\/strong><br \/>\nNeste momento, n\u00e3o considero nada de novo no meu livro, em que repeti, aperfei\u00e7oei e ampliei o texto que escrevi para a antologia \u201cFernando Oliveira \u2013 Um humanista genial \u2013 No V centen\u00e1rio do seu nascimento\u201d, coordenada e publicada em 2009 pelo doutor Carlos Morais, professor na nossa Universidade de Aveiro. Ao longo destas 622 p\u00e1ginas, encontramos a multiforme colabora\u00e7\u00e3o de vinte e oito autores, que versaram diversas facetas do \u201caveirense, sacerdote e humanista\u201d.<br \/>\nAo longo da minha vida, o que eu sempre desejei foi que os aveirenses soubessem algo dos nossos maiores, que se foram evidenciando em quaisquer al\u00edneas, tornando a sua e minha terra cada vez mais conhecida\u2026 para ser mais amada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSacerdote dominicano, cl\u00e9rigo secular, humanista, fil\u00f3logo, naut\u00f3grafo, cart\u00f3grafo, historiador, professor, patriota, diplomata, viajante, marinheiro, piloto, soldado, perseguido e sobretudo grande aventureiro, Fern\u00e3o de Oliveira viveu uma exist\u00eancia plena de epis\u00f3dios dispares\u201d, escreve monsenhor Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar no livro \u201cFern\u00e3o de Oliveira, humanista not\u00e1vel\u201d. 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