{"id":26865,"date":"2016-07-14T09:23:39","date_gmt":"2016-07-14T09:23:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26865"},"modified":"2016-07-14T09:23:39","modified_gmt":"2016-07-14T09:23:39","slug":"muito-do-que-foi-escrito-sobre-a-guerra-colonial-encerra-profundas-mentiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/muito-do-que-foi-escrito-sobre-a-guerra-colonial-encerra-profundas-mentiras\/","title":{"rendered":"Muito do que foi escrito sobre a guerra colonial encerra profundas mentiras"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_26866\" aria-describedby=\"caption-attachment-26866\" style=\"width: 740px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/guerracolonial.jpg\" rel=\"attachment wp-att-26866\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26866\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/guerracolonial.jpg\" alt=\"Jorge Ribeiro, S\u00edlvia Torres,  Teresa Cardoso e Armor Pires Mota\" width=\"740\" height=\"555\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/guerracolonial.jpg 740w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/guerracolonial-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26866\" class=\"wp-caption-text\">Jorge Ribeiro, S\u00edlvia Torres,\u00a0Teresa Cardoso e Armor Pires Mota<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Apresentado em Anadia livro sobre jornalismo e guerra colonial com interven\u00e7\u00f5es de dois jornalistas e antigos combatentes.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O livro \u201cO jornalismo portugu\u00eas e a guerra colonial\u201d, da autoria de S\u00edlvia Torres, foi apresentado na Biblioteca Municipal de Anadia, no dia 2 de julho, e contou com a interven\u00e7\u00e3o de dois jornalistas antigos combatentes na guerra colonial: Jorge Ribeiro e Armor Pires Mota, para al\u00e9m da autora e da presidente da autarquia anadiense, Teresa Cardoso.<br \/>\nJorge Ribeiro, combatente durante 27 meses nas antigas col\u00f3nias portuguesas, e autor de cinco livros sobre esse conflito, abriu a sess\u00e3o, recordando que \u201ctodas as fam\u00edlias portuguesas tiveram algu\u00e9m envolvido na guerra colonial\u201d, pela qual, durante cerca de 14 anos, passaram mais de um milh\u00e3o de jovens, dos quais, cerca de 11.500 morreram em combate, mais de 40.000 ficaram estropiados devido a ferimentos e 150.000 sofreram (e continuam a sofrer) de traumatismos psicol\u00f3gicos, doen\u00e7a que n\u00e3o era reconhecida pelo regime do Estado Novo.<br \/>\nEm mem\u00f3ria de todos esses jovens que se viram for\u00e7ados a entrar nesse conflito armado, Jorge Ribeiro afirmou que \u201cos antigos combatentes n\u00e3o devem deixar esquecer o conflito\u201d, notando, no entanto, que \u201cos mais novos n\u00e3o sabem nada sobre essa guerra\u201d, revelando que, nas muitas palestras que profere nas escolas, apercebe-se que \u201cos manuais escolares s\u00f3 reservam uma linha para dizer que houve uma guerra colonial\u201d, n\u00e3o explicando nada mais sobre a mesma.<br \/>\nSobre a tem\u00e1tica do livro, Jorge Ribeiro disse que \u201co antigo regime n\u00e3o tinha interesse em que o conflito fosse tratado jornalisticamente, impondo uma forte censura ao tema.<br \/>\nArmor Pires Mota, que foi combatente na Guin\u00e9, de 1963 a 1965 e chefe de reda\u00e7\u00e3o do \u201cJornal da Bairrada\u201d (de Oliveira do Bairro), recordou a sua experi\u00eancia pessoal no conflito, real\u00e7ando que durante a sua estada no conflito foi escrevendo uma \u201cesp\u00e9cie de di\u00e1rio\u201d, publicando algumas dessas cr\u00f3nicas naquele jornal bairradino. Nessas cr\u00f3nicas, numa linguagem \u201cnua e crua\u201d, em jeito de \u201crep\u00f3rter de guerra, relatava as viv\u00eancias por que passava na frente de combate, tendo sido alertado que essas publica\u00e7\u00f5es lhe poderiam provocar dissabores. No entanto, ap\u00f3s regressar da guerra, resolveu reunir essas cr\u00f3nicas e public\u00e1-las no livro \u201cTarrafo\u201d, o qual suscitou, de imediato, a interven\u00e7\u00e3o da censura, que apreendeu praticamente todos os livros, motivando que Armor Pires Mota fosse interrogado pela PIDE (a pol\u00edcia pol\u00edtica de ent\u00e3o), o mesmo se passando com o diretor daquele jornal, o advogado Granjeia (com escrit\u00f3rio em Aveiro).<br \/>\nPara Armor Pires Mota, muito do que foi escrito sobre a guerra colonial foi por pessoas que nunca l\u00e1 estiveram e, pior ainda, com profundas mentiras sobre o que realmente se passou no conflito. \u201cQuem l\u00e1 esteve ficou bloqueado\u201d e s\u00f3 a partir da d\u00e9cada de 1980 come\u00e7aram a publicar as suas mem\u00f3rias sobre o conflito.<br \/>\nPor causa da censura, Armor Pires Mota afirmou que \u201cos jornalistas publicavam aquilo que podiam e eram autorizados\u201d, real\u00e7ando ainda que \u201cos pr\u00f3prios jornalistas, no terreno, autocensuravam-se, n\u00e3o dando not\u00edcias nuas e cruas do conflito\u201d, tanto mais que o regime imp\u00f4s regras r\u00edgidas sobre a cobertura jornal\u00edstica do conflito. Ressalvou que, no entanto, a censura existe em todas as guerras.<br \/>\n<strong>Cardoso Ferreira<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26867\" aria-describedby=\"caption-attachment-26867\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/silvia.jpg\" rel=\"attachment wp-att-26867\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26867\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/silvia.jpg\" alt=\"S\u00edlvia Torres e o livro que coordenou\" width=\"200\" height=\"267\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26867\" class=\"wp-caption-text\">S\u00edlvia Torres e o livro que coordenou<\/figcaption><\/figure>\n<h4><\/h4>\n<h4>Livro dedicado a \u201ctodos os her\u00f3is da guerra colonial<\/h4>\n<h4><\/h4>\n<h4><strong>S\u00edlvia Torres, filha de um antigo combatente da guerra colonial, nasceu em Mogofores (Anadia), \u00e9 investigadora bolseira na \u00e1rea do jornalismo portugu\u00eas durante a guerra colonial e est\u00e1 a fazer um doutoramento em comunica\u00e7\u00e3o social precisamente sobre essa tem\u00e1tica.<\/strong><br \/>\n<strong>Para al\u00e9m de licenciada em comunica\u00e7\u00e3o social, foi militar, na For\u00e7a A\u00e9rea Portuguesa, tendo desempenhado fun\u00e7\u00f5es na Base A\u00e9rea das Lajes (A\u00e7ores) e em Timor Leste.<\/strong><br \/>\n<strong>A come\u00e7ou a publicar textos sobre o tema do livro no \u201cJornal da Bairrada\u201d, ainda no per\u00edodo em que era estudante universit\u00e1ria. Posteriormente, interessou-se sobre a cobertura jornal\u00edstica, feita por jornalistas portugueses (da Metr\u00f3pole e das Col\u00f3nias), na guerra colonial, entre 1961 e 1974. Em maio de 2015, promoveu um col\u00f3quio na Universidade Nova de Lisboa sobre esta tem\u00e1tica, o qual foi a base para a organiza\u00e7\u00e3o deste livro, no qual colaboraram cerca de 30 pessoas, e em que foram entrevistadas 18 jornalistas que escreveram sobre a guerra colonial, alguns dos quais tamb\u00e9m foram combatentes.<\/strong><br \/>\n<strong>Como \u201ca guerra n\u00e3o acaba com o calar das armas\u201d, S\u00edlvia Torres considera que este \u00e9 o momento certo para se investigar e escrever sobre a guerra colonial, porque j\u00e1 existe o distanciamento temporal que permite falar sem ferir susceptibilidades e tamb\u00e9m porque esses antigos combatentes est\u00e3o a atingir o seu limite de idade.<\/strong><br \/>\n<strong>Para a autora, este \u00e9 um tema que ainda est\u00e1 pouco estudado, pelo que desafiou mais gente a escrever sobre o assunto.<\/strong><br \/>\n<strong>A presidente do executivo municipal de Anadia, Teresa Cardoso, real\u00e7ou que o apoio dado \u00e0 publica\u00e7\u00e3o deste livro insere-se no objetivo de levar os jovens a interessarem-se pelo passado e pela hist\u00f3ria de Anadia e do seu concelho.<\/strong><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresentado em Anadia livro sobre jornalismo e guerra colonial com interven\u00e7\u00f5es de dois jornalistas e antigos combatentes. &nbsp; O livro \u201cO jornalismo portugu\u00eas e a guerra colonial\u201d, da autoria de S\u00edlvia Torres, foi apresentado na Biblioteca Municipal de Anadia, no dia 2 de julho, e contou com a interven\u00e7\u00e3o de dois jornalistas antigos combatentes na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-26865","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-regioes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26865","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26865"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26865\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26868,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26865\/revisions\/26868"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26865"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26865"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26865"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}