{"id":26985,"date":"2016-09-23T15:58:07","date_gmt":"2016-09-23T15:58:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26985"},"modified":"2016-09-23T15:58:07","modified_gmt":"2016-09-23T15:58:07","slug":"dignidade-na-vida-e-na-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/dignidade-na-vida-e-na-morte\/","title":{"rendered":"Dignidade na vida e na morte"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que o homem busca uma resposta para o mist\u00e9rio da vida e da morte. Contudo, este tema est\u00e1 longe de ser de f\u00e1cil abordagem, sobretudo nos dias atuais, onde o pensamento dominante tenta apelar para uma \u201cfalsa compaix\u00e3o\u201d para justificar tantos procedimentos atrozes.<br \/>\nUm dos temas mais fraturantes que inquieta o debate contempor\u00e2neo \u00e9 a quest\u00e3o da eutan\u00e1sia, relevada por dois filmes recentes \u2013 Million dollar Baby e Mar adentro, que t\u00eam o poder de suscitar no espetador sentimentos favor\u00e1veis \u00e0 eutan\u00e1sia, mostrada como a \u00fanica resposta poss\u00edvel nas circunst\u00e2ncias apresentadas.<br \/>\nParece-me que antes de mais \u00e9 importante clarificar os termos em uso, para que a linguagem n\u00e3o se torne amb\u00edgua e suscite d\u00favidas. A Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, na Declara\u00e7\u00e3o sobre a Eutan\u00e1sia, em 1980, definiu eutan\u00e1sia como \u00abuma a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o que, por sua natureza ou nas inten\u00e7\u00f5es, provoca a morte a fim de eliminar toda a dor\u00bb. Eutan\u00e1sia distingue-se de ortotan\u00e1sia, que \u00e9 o n\u00e3o prolongamento indevido da vida do homem.<br \/>\nAl\u00e9m disso, o homem tem o direito de morrer com dignidade, num clima de serenidade, respeito e paz, e o consequente dever, por parte do m\u00e9dico\/enfermeiro de o ajudar a assumir esta realidade sem qualquer manipula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFace a isto, importa ainda (re)afirmar que, para os crentes, a vida n\u00e3o \u00e9 um objeto de que se possa dispor arbitrariamente, \u00e9 um dom de Deus. Assim, a eutan\u00e1sia apresenta-se-nos como uma resposta f\u00e1cil, irrespons\u00e1vel e barata de encarar o sofrimento.<br \/>\nMas relembremos o artigo 24.\u00ba, n.\u00ba1 da Constitui\u00e7\u00e3o Portuguesa &#8211; \u00aba vida humana \u00e9 inviol\u00e1vel\u00bb. \u00c9 opini\u00e3o de muitos que lidam com doentes que o pedido de eutan\u00e1sia tem de ser cuidadosamente interpretado, pois muitas vezes o que o doente pretende \u00e9 matar a dor e o sofrimento, ser mais atendido e mais cuidado. Que garantias temos de que o pedido da eutan\u00e1sia \u00e9 a vontade aut\u00eantica, verdadeiramente livre, inequ\u00edvoca e irrevers\u00edvel? Trata-se, sim, de uma linguagem alternativa de quem pede socorro e proximidade afetiva!<br \/>\nO debate presente nos nossos dias n\u00e3o se interessa tanto pela moralidade da eutan\u00e1sia, mas pela legisla\u00e7\u00e3o a seu respeito. Trata-se de um debate profano, visando a consagra\u00e7\u00e3o e a regulamenta\u00e7\u00e3o legal da eutan\u00e1sia. Mas h\u00e1 que ter em conta que este assunto n\u00e3o \u00e9 uma mera banalidade, da qual a sociedade se pode descartar facilmente e, o legislador tem que ser capaz de se nortear pelo bem comum da sociedade e ao faz\u00ea-lo n\u00e3o deve ignorar as opini\u00f5es dos cidad\u00e3os.<br \/>\nComo podemos afirmar que o sofrimento se elimina com a morte? A morte elimina a vida da pessoa que sofre, o sofrimento acaba porque a vida acaba.<br \/>\nAo inv\u00e9s de legalizar a eutan\u00e1sia, seria mais pertinente a necessidade de implementar em Portugal uma rede de cuidados paliativos satisfat\u00f3rios e de acesso a todos. Esta \u00e9 a \u00fanica resposta pratic\u00e1vel.<br \/>\nA poucos dias do desfecho deste debate, compete-nos dar o nosso parecer. Embora muitos n\u00e3o o queiram ouvir, n\u00e3o podemos ficar passivos\u2026 A nossa resposta tem que ser un\u00e2nime e firme: N\u00c3O \u00e0 eutan\u00e1sia, N\u00c3O ao suic\u00eddio assistido, N\u00c3O ao prolongamento artificial e in\u00fatil de uma vida humana, SIM ao respeito da dignidade da vida!<br \/>\nSe ainda n\u00e3o o fez e assim o desejar, assine a peti\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel no site: http:\/\/peticaopublica.com\/pview.aspx?pi=PT81155.<\/p>\n<p><strong>Patr\u00edcia Gon\u00e7alves<\/strong><br \/>\n<em>Movimento Vida Mais<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que o homem busca uma resposta para o mist\u00e9rio da vida e da morte. Contudo, este tema est\u00e1 longe de ser de f\u00e1cil abordagem, sobretudo nos dias atuais, onde o pensamento dominante tenta apelar para uma \u201cfalsa compaix\u00e3o\u201d para justificar tantos procedimentos atrozes. 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