{"id":26987,"date":"2016-09-23T16:01:53","date_gmt":"2016-09-23T16:01:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26987"},"modified":"2016-09-23T16:01:53","modified_gmt":"2016-09-23T16:01:53","slug":"recordacao-da-muralha-de-aveiro-uma-sugestao-de-1959-a-ponderar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/recordacao-da-muralha-de-aveiro-uma-sugestao-de-1959-a-ponderar\/","title":{"rendered":"Recorda\u00e7\u00e3o da muralha de Aveiro: uma sugest\u00e3o de 1959 a ponderar"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_26988\" aria-describedby=\"caption-attachment-26988\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/muralha.jpg\" rel=\"attachment wp-att-26988\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26988\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/muralha.jpg\" alt=\"Restos da porta do Sol (1959)\" width=\"400\" height=\"259\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/muralha.jpg 400w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/muralha-300x194.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26988\" class=\"wp-caption-text\">Restos da porta do Sol (1959)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Aveiro foi uma cidade muralhada, mas pouco resta da muralha mandada construir pelo infante D. Pedro, filho do rei D. Jo\u00e3o I. Neste texto, Mons. Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar, padre e membro da Academia Portuguesa de Hist\u00f3ria, prop\u00f5e que se ponha a descoberto um trecho da muralha secular e se realize a proposta do artista Jos\u00e9 de Pinho.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A partir de 1418, a fisionomia do nosso antigo burgo come\u00e7ou a mudar, porque o infante D. Pedro, filho de el-rei D. Jo\u00e3o I e senhor de Aveiro, tomou a iniciativa de mandar cingir a sua parte principal por uma muralha, al\u00e9m de incentivar a funda\u00e7\u00e3o do convento dominicano. Era dotada de alguns torre\u00f5es, de diversos postigos e de nove portas: &#8211; a da Vila (da Cidade, depois de 1759), a do Sol, a do Campo, a do C\u00f4jo, a da Ribeira, a do Cais (ou do Norte), a do Alb\u00f3i, a de Rab\u00e3es e a de Vagos. Com o andar dos tempos, apesar de v\u00e1rios reparos durante a primeira metade do s\u00e9culo XVIII, a muralha foi-se arruinando sucessivamente nalgumas partes, pela fr\u00e1gil solidez dos alicerces e pelo abandono a que foi votada. Ademais, por volta de 1806-1808, n\u00e3o s\u00f3 a pedra ca\u00edda das ru\u00ednas mas tamb\u00e9m muita pedra dos tro\u00e7os existentes serviram para a constru\u00e7\u00e3o dos pared\u00f5es da nova barra mar\u00edtima.<br \/>\nEm 1852, junto da porta da Ribeira, ainda em p\u00e9 no princ\u00edpio da rua da Costeira, o presidente da C\u00e2mara Municipal, dr. Bento Jos\u00e9 Rodrigues Xavier de Magalh\u00e3es, no discurso que preparou para a rece\u00e7\u00e3o \u00e0 rainha D. Maria II, recordou o sentido hist\u00f3rico da muralha e a heran\u00e7a que ela transmitia, dizendo (vd. Rangel de Quadros, Aveiro \u2013 Apontamentos Hist\u00f3ricos, vol. II, pg. 37): &#8211; \u00abEstas pedras, Senhora, que a m\u00e3o pesada dos s\u00e9culos j\u00e1 denegriu e carcomeu, s\u00e3o quase tudo o que resta dos nossos antigos muros. Guardamo-las com desvelo, porque v\u00e3o levando \u00e0s gera\u00e7\u00f5es a mem\u00f3ria gloriosa do homem grande, que as ergueu a\u00ed.\u00bb<br \/>\nContudo, foi e \u00e9 de lamentar que, em 02 de abril de 1856, o pr\u00f3prio Governo da Monarquia ordenasse a demoli\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios restos; muita da pedra, retirada da porta da Ribeira e das suas imedia\u00e7\u00f5es, foi aplicada na constru\u00e7\u00e3o do velho Liceu (hoje Escola Secund\u00e1ria de Homem Christo). Novos edif\u00edcios urbanos e v\u00e1rias modifica\u00e7\u00f5es de outros alteraram ou fizeram desaparecer os vest\u00edgios da muralha. Todavia, at\u00e9 1959, ainda se via um dos cunhais da porta do Sol, enegrecido pela antiguidade, que terminava por uma pequena sali\u00eancia; era a\u00ed que estava exposta a imagem de Santa Maria. Neste mesmo ano, abriu-se nesse espa\u00e7o a pra\u00e7a do Milen\u00e1rio; para isso, tiveram de se demolir as casas com frente para a rua de Santa Joana e para a rua do Rato, sendo encontrados nas suas traseiras alguns vest\u00edgios em pedra.<br \/>\nJos\u00e9 de Pinho, conhecido artista aveirense, idealizou ent\u00e3o um desenho que, ao ser concretizado, seria um padr\u00e3o a recordar a muralha. \u00abH\u00e1 que recusar o adeus volunt\u00e1rio do que hoje \u00e9 in\u00fatil, em preito aos seus m\u00e9ritos de outrora\u00bb &#8211; disse ent\u00e3o o autor. Foi sugest\u00e3o sua que o tal padr\u00e3o deveria colocar-se num s\u00edtio pelo qual passava a muralha, sem se afastar da referida porta do Sol. Por isso \u00e9 que Jos\u00e9 de Pinho, ao ter a ideia de desenhar um nicho g\u00f3tico no seu tra\u00e7ado, era para nele se entronizar a referida escultura que, entretanto, foi levada pelos propriet\u00e1rios da casa onde a dita ombreira estava inserida.<br \/>\nO dr. David Christo, no seman\u00e1rio \u201cLitoral\u201d, de 07 de fevereiro de 1959, escreveu: &#8211; \u00abRegistamos gostosamente a curiosa sugest\u00e3o, que inteiramente aplaudimos e endossamos a quem possa torn\u00e1-la realidade. E permitimo-nos acrescentar que sabemos existir na Barra, a bom recato, a pedra com o bras\u00e3o que sobrepujou a porta do Sol. Essa, em vez das armas da cidade, encimaria magnificamente a coluna que se v\u00ea no desenho. Uma sucinta legenda evocativa e explicativa completaria a excelente mem\u00f3ria.\u00bb<br \/>\nTamb\u00e9m lamento que, em novembro de 1983, com a autoriza\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis aut\u00e1rquicos, fosse destru\u00eddo um tro\u00e7o significativo da muralha, que, na freguesia da Gl\u00f3ria, se mantinha num quintal do \u00e2ngulo da rua de Homem Christo, Filho, com a travessa das Beatas, e perto das traseiras da sede do Governo Civil. Desenvolvia-se a\u00ed a porta de Rab\u00e3es e o torre\u00e3o imponente que lhe ficava cont\u00edguo. Com um simples arranjo de limpeza e de manuten\u00e7\u00e3o, hoje poderia ter-se uma expressiva recorda\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da \u00e9poca quatrocentista. Mas essa obra nem foi por diante e nem sequer foi programada, porque, mantendo-se de p\u00e9, estorvava um projeto para a constru\u00e7\u00e3o de um edif\u00edcio habitacional. Foram baldados os esfor\u00e7os da Associa\u00e7\u00e3o para o Estudo e Defesa do Patrim\u00f3nio Natural e Cultural da Regi\u00e3o de Aveiro (ADERAV), assim como de nada valeu a luta pela sua conserva\u00e7\u00e3o da parte de alguns aveirenses, amantes da hist\u00f3ria da sua terra.<br \/>\nFinalmente, pode acrescentar-se que os respetivos Servi\u00e7os da C\u00e2mara Municipal de Aveiro, no projeto para a p\u00e9rgula limitativa do adro da S\u00e9, desenhado e executado \u00e0 volta de 1989 ap\u00f3s a demoli\u00e7\u00e3o das casas a\u00ed existentes, que n\u00e3o tinham valor estimativo, hist\u00f3rico ou art\u00edstico, contemplou a coloca\u00e7\u00e3o deste padr\u00e3o no extremo da colunata que, para essa concretiza\u00e7\u00e3o, termina em semic\u00edrculo\u2026 a n\u00e3o ser que a\u00ed mesmo se levantasse uma est\u00e1tua em honra de Santa Joana, para a qual se viria a escolher um local com outra dignidade.<br \/>\nPessoalmente, sem menosprezar o recente projeto idealizado pelo arq. Siza Vieira, volto a lembrar a minha opini\u00e3o de 1989: &#8211; a) que se ponha a descoberto qualquer trecho dos alicerces da muralha entre as colunas da dita p\u00e9rgula, sendo defendido com forte e espesso vidro acr\u00edlico e sendo iluminado indiretamente; b) &#8211; e que se levante no termo da mesma colunata o padr\u00e3o desenhado por Jos\u00e9 de Pinho, o qual n\u00e3o deve ultrapassar a altura da colunata.<br \/>\nJo\u00e3o Gaspar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveiro foi uma cidade muralhada, mas pouco resta da muralha mandada construir pelo infante D. Pedro, filho do rei D. Jo\u00e3o I. Neste texto, Mons. Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar, padre e membro da Academia Portuguesa de Hist\u00f3ria, prop\u00f5e que se ponha a descoberto um trecho da muralha secular e se realize a proposta do artista Jos\u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-26987","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-regioes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26987"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26987\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26989,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26987\/revisions\/26989"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}