{"id":27048,"date":"2016-10-20T10:23:47","date_gmt":"2016-10-20T10:23:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=27048"},"modified":"2016-10-20T10:23:47","modified_gmt":"2016-10-20T10:23:47","slug":"patrimonio-de-aveio-maltratado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/patrimonio-de-aveio-maltratado\/","title":{"rendered":"Patrim\u00f3nio de Aveio maltratado"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_27050\" aria-describedby=\"caption-attachment-27050\" style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/muralhac.jpg\" rel=\"attachment wp-att-27050\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-27050 size-full\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/muralhac.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/muralhac.jpg 250w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/muralhac-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-27050\" class=\"wp-caption-text\">H\u00e1 dois anos, foram descobertos vest\u00edgios da muralha, mas as obras prosseguiram como se nada tivesse sido encontrado<\/figcaption><\/figure>\n<p><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/muralhab.jpg\" rel=\"attachment wp-att-27049\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-27049\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/muralhab.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"242\" \/><\/a><\/p>\n<p>A muralha medieva que cingia parte do burgo aveirense n\u00e3o cumpria objectivos defensivos conferia-lhe, antes, uma dimens\u00e3o de prest\u00edgio. Assim o entenderam sucessivas gera\u00e7\u00f5es de aveirenses, podendo tomar-se como exemplo o Dr. Bento Jos\u00e9 Xavier de Magalh\u00e3es (Presidente da C\u00e2mara), em 1852, nas palavras que proferiu na recep\u00e7\u00e3o \u00e0 Rainha D. Maria II, ao referir que as pedras da muralha ainda existentes s\u00e3o guardadas \u201ccom desvelo porque v\u00e3o levando \u00e0s gera\u00e7\u00f5es a mem\u00f3ria gloriosa do homem grande, que as ergueu\u201d.<br \/>\nDir-se-\u00e1 que a manuten\u00e7\u00e3o da muralha seria causa inibidora do crescimento espacial da cidade. Mas, de certo, n\u00e3o poder\u00e1 defender-se que a sua manuten\u00e7\u00e3o o impediria, como casos actuais de outras localidades o testemunham. Assim, as muralhas como elemento identit\u00e1rio da cidade viram diminuir a sua signific\u00e2ncia. Resta-nos a sua mem\u00f3ria, pontualmente avivada por tro\u00e7os que obras v\u00e3o devolvendo \u00e0 luz. S\u00e3o ocasi\u00f5es em que a chama se reaviva, mas disso se n\u00e3o tem passado: no muito, uma ou outra tentativa, t\u00edmida, de chamada de aten\u00e7\u00e3o\u2026 com resultados sempre inconsequentes. Desta vez vai ser diferente com a chamada de aten\u00e7\u00e3o que Monsenhor Jo\u00e3o Gaspar fez recentemente onde historia, com detalhe, a evolu\u00e7\u00e3o destruidora a que a muralha foi votada? O passado aconselha a que se n\u00e3o alimentem demasiadas expectativas, mas tenhamos f\u00e9! Obrigado, Monsenhor Jo\u00e3o Gaspar!<br \/>\nSeja-me permitido acrescentar alguns dados ilustrativos do que n\u00e3o foi feito e faz alimentar o meu pessimismo, reportando-me apenas aos \u00faltimos 40 anos:<br \/>\n&#8211; Foi vista uma imagem num pr\u00e9dio da Rua Homem Cristo Filho (no tramo inclinado, lado par) que bem poderia ser uma das que existiam nas portas da cidade. Ter\u00e1 sido levada para uma quinta do Norte do pa\u00eds.<br \/>\n&#8211; Obras realizadas na referida rua (no lado \u00edmpar) t\u00eam posto a descoberto tro\u00e7os de muralhas perante a indiferen\u00e7a do poder aut\u00e1rquico que tem optado por ignorar o seu dever de respeitar o passado aveirense.<br \/>\n&#8211; Ainda neste arruamento \u2013 sem placa topon\u00edmica, no lado do Parque \u2013 foi, vai para tr\u00eas anos, posta a nu uma parede da muralha e, face ao alerta da ADERAV, foram realizadas sondagens arqueol\u00f3gicas que revelaram a exist\u00eancia de uma cisterna (?). Bem, a coisa prometia: vest\u00edgios da muralha \u2013 considerou-se que dela se tratava \u2013 e uma cisterna. Exultai, \u00f3 povos! Mas eis sen\u00e3o quando a coisa deu em nada! Est\u00e1 tudo arrasado, as obras prosseguiram como se nada se tivesse encontrado, como numa cidade pobre de patrim\u00f3nio marcos palp\u00e1veis da sua hist\u00f3ria fossem coisa de somenos. Isto em escassos 9 m2. Pelos vistos, a cidade com tamanha riqueza arqueol\u00f3gica p\u00f4de dar-se ao luxo de decretar: aterre-se! Mais: se em t\u00e3o ex\u00edguo espa\u00e7o de escava\u00e7\u00f5es o achado s\u00f3 poderia ser tido como promissor, n\u00e3o seria leg\u00edtimo esperar a decis\u00e3o de as prosseguir?<br \/>\nE, mais grave: NADA SE OUVIU DIZER SOBRE O ASSUNTO! Ningu\u00e9m te defendeu, \u00f3 muralha! Ningu\u00e9m te defendeu, \u00f3 cisterna! Dormi descansadamente sob o bet\u00e3o com que vos soterraram\u2026 (Dormi sossegados, tamb\u00e9m v\u00f3s aveirenses, n\u00e3o vos preocupeis com a consci\u00eancia de quem decidiu, porque isso \u00e9 coisa que n\u00e3o faz parte do l\u00e9xico de quem nos tem governado.)<br \/>\nClaro que nestas situa\u00e7\u00f5es h\u00e1 que equacionar os interesses em jogo. Mas cabe a pergunta: o que foi feito para harmonizar bem p\u00fablico\/investimento privado?<br \/>\n&#8211; \u00c9 longo, mas n\u00e3o exaustivo, o rol que de seguida deixo para que cada um possa fazer o seu ju\u00edzo:<br \/>\n\u2022 Onde param os azulejos da casa de Homem Cristo que jazem algures aguardando o destino que lhes tarda h\u00e1 cerca de uma trintena de anos?<br \/>\n\u2022 E o que \u00e9 feito dos pain\u00e9is de azulejo que estavam aplicados nas escadas da Casa dos Morgados da Pedricosa?<br \/>\n\u2022 E dos pain\u00e9is que estavam em paredes da entrada da F\u00e1brica Aleluia?<br \/>\n\u2022 Ter\u00e1 dado o bicho da madeira no mobili\u00e1rio da Mercearia Albino Miranda, recolhida para, diziam, musealizar? E aos palheiros do Canal de S\u00e3o Roque, a esses haver\u00e1 ainda algo que lhes possa valer?<br \/>\n\u2022 E por falar em mercearia que dizer da Veigas &amp; Madail, Ld.\u00aa que foi derrubada, em 2011, sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o pelo seu esp\u00f3lio documental e azulejar? Estes patrim\u00f3nios foram acautelados na F\u00e1brica Aleluia, na F\u00e1brica Artibus e na metalurgia Boia &amp; Irm\u00e3o?<br \/>\n\u2022 H\u00e1 limite definido para a degrada\u00e7\u00e3o do monumento a Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o? E nada pode ser feito para que o jazigo onde repousam os seus restos possa, ao menos, ser limpo?<br \/>\n\u2022 Que \u00e9 feito do marco l\u00edtico com um escudo gravado que se ado\u00e7ava em pr\u00e9dio sito na desaparecida rua (ou Travessa?) do Passeio?<br \/>\n\u2022 Sabem-se os resultados das escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas feitas na envolvente \u00e0 Capela de S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino as quais, disse-se, fizeram suspender (at\u00e9 hoje!) as obras de recupera\u00e7\u00e3o?<br \/>\n\u2022 Como foi poss\u00edvel n\u00e3o preservar duas preciosas bibliotecas de aveirenses ilustres?<br \/>\n\u2022 Se \u00e9 de louvar a recoloca\u00e7\u00e3o das pir\u00e2mides, n\u00e3o pode deixar-se sem reparo o local escolhido bem como o desrespeito pela orienta\u00e7\u00e3o das suas faces.<br \/>\nPara que haja a certeza: o sil\u00eancio de uns n\u00e3o apagar\u00e1 a mem\u00f3ria de outros.<\/p>\n<p><strong>\u00c9nio Semedo<\/strong><br \/>\n<em>Aveiro, 5 de Outubro de 2016, dia do anivers\u00e1rio de Portugal, data que a governa\u00e7\u00e3o insiste em n\u00e3o comemorar!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A muralha medieva que cingia parte do burgo aveirense n\u00e3o cumpria objectivos defensivos conferia-lhe, antes, uma dimens\u00e3o de prest\u00edgio. 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