{"id":2705,"date":"2010-10-20T09:28:00","date_gmt":"2010-10-20T09:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2705"},"modified":"2010-10-20T09:28:00","modified_gmt":"2010-10-20T09:28:00","slug":"primeiro-a-justica-depois-a-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/primeiro-a-justica-depois-a-caridade\/","title":{"rendered":"Primeiro a justi\u00e7a, depois a caridade"},"content":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores <!--more--> Ulpiano, jurista romano, definia a justi\u00e7a como \u201ca constante e perp\u00e9tua vontade de dar a cada um o que lhe corresponde\u201d. Isto j\u00e1 \u00e9 muito, mas n\u00e3o basta \u2013 \u00e9 preciso algo mais.<\/p>\n<p>Segundo as leis de cada pa\u00eds, os cidad\u00e3os merecem a retribui\u00e7\u00e3o do seu trabalho \u2013 \u00e9 a justi\u00e7a legal. Se ficarmos por aqui, \u00e9 porque temos a fasquia muito baixa, pois h\u00e1 uma justi\u00e7a social que amplia e aperfei\u00e7oa a justi\u00e7a legal. A justi\u00e7a social diz-nos que toda a propriedade pessoal tem fun\u00e7\u00e3o social, sem com isto querer negar o direito \u00e0 propriedade privada; o excedente, quer particular, quer nas empresas, tem fun\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A responsabilidade da justi\u00e7a social deve pertencer a todos, mas n\u00e3o a podemos esquecer, a pretexto de caridade. Nos s\u00e9culos XIX e XX, o exerc\u00edcio da caridade nos hospitais, nas escolas e nas miss\u00f5es foi extraordin\u00e1rio; ao mesmo tempo na vida p\u00fablica as coisas passaram-se ao contr\u00e1rio. Criaram-se casas de caridade para acolher as v\u00edtimas de um sistema econ\u00f3mico desumano; deu-se acesso nas escolas prim\u00e1rias e secund\u00e1rias \u00e0queles que depois foram discriminados no ensino superior, etc.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode dar a t\u00edtulo de \u201ccaridade\u201d, o que de facto deve ser dado a t\u00edtulo de \u201cjusti\u00e7a\u201d. Dar a um empregado um fato, mesmo em bom estado, mas que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 na moda, mas n\u00e3o lhe pagar o sal\u00e1rio justo, n\u00e3o \u00e9 caridade, mas hipocrisia.<\/p>\n<p>Mandar para os pa\u00edses subdesenvolvidos ajudas alimentares ou ajudas sanit\u00e1rias (muitas vezes com o prazo de validade quase a expirar) \u00e9 muito mais c\u00f3modo, para os pa\u00edses ricos, do que enviar t\u00e9cnicos que ajudem as popula\u00e7\u00f5es locais a cultivar as suas terras ou a saber aplicar os cuidados prim\u00e1rios de sa\u00fade que evitam epidemias devastadoras. <\/p>\n<p>Ao caminhar pelas nossas ruas cada vez vemos mais pobres; o que nos mostra a TV \u00e9 confrangedor \u2013 procuram nos caixotes do lixo, cada dia, a comida de que necessitam, uma vez que os seus sal\u00e1rios n\u00e3o garantem a sobreviv\u00eancia. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 degradante e cada vez nos sentimos mais como um pa\u00eds do Terceiro Mundo.<\/p>\n<p>Entre n\u00f3s foi criado o chamado Rendimento M\u00ednimo Garantido [actual Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o], que n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um convite \u00e0 ociosidade. Para qu\u00ea trabalhar se, em casa sem fazer nada, recebem bastante dinheiro? Algo parecido se passa com o Fundo de Desemprego \u2013 a\u00ed est\u00e3o os que n\u00e3o querem ter emprego, uma vez que assim juntam ao trabalho que n\u00e3o fala para os impostos o referido dinheiro do Fundo.<\/p>\n<p>Esses subs\u00eddios, para mim, foram uma forma de angariar votos, num tempo de \u201cvacas, mais ou menos gordas\u201d, mas agora que chegou o tempo das \u201cvacas esquel\u00e9ticas\u201d, toca a cortar esses subs\u00eddios, sem crit\u00e9rio e com justifica\u00e7\u00f5es verdadeiramente injustas.<\/p>\n<p>E se os \u00abmilh\u00f5es\u00bb prometidos para o Rendimento M\u00ednimo fossem canalizados para a cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalho? H\u00e1 trabalhos que n\u00e3o exigem uma especializa\u00e7\u00e3o: limpeza de matas para evitar inc\u00eandios; arranjo de jardins das cidades; arrumar carros legalmente, etc. H\u00e1 outras situa\u00e7\u00f5es que podem exigir alguns conhecimentos, como por exemplo: guia de turismo; ajuda ao preenchimento de impressos muito complicados inventados pela nossa pesada m\u00e1quina burocr\u00e1tica, etc. Mas mesmo neste caso n\u00e3o haveria problema \u2013 h\u00e1 muito licenciado que n\u00e3o tem que fazer. <\/p>\n<p>E assim n\u00e3o \u201cexport\u00e1vamos\u201d c\u00e9rebros, como agora vem sendo necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Maria Fernanda Barroca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-2705","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-comum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2705","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2705"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2705\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2705"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2705"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2705"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}