{"id":27077,"date":"2016-11-04T10:12:00","date_gmt":"2016-11-04T10:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=27077"},"modified":"2016-11-04T10:12:00","modified_gmt":"2016-11-04T10:12:00","slug":"com-15-dias-de-meditacao-a-nossa-vida-muda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/com-15-dias-de-meditacao-a-nossa-vida-muda\/","title":{"rendered":"&#8220;Com 15 dias de medita\u00e7\u00e3o, a nossa vida muda&#8221;"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_27079\" aria-describedby=\"caption-attachment-27079\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/pabloa.jpg\" rel=\"attachment wp-att-27079\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-27079\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/pabloa.jpg\" alt=\"Assembleia atent\u00edssima ao padre espanhol\" width=\"700\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/pabloa.jpg 700w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/pabloa-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-27079\" class=\"wp-caption-text\">Assembleia atent\u00edssima ao padre espanhol<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Pablo d\u2019Ors, padre e escritor, criador da rede de meditadores \u201cAmigos del Desierto\u201d, <\/strong><strong>falou de sil\u00eancio e medita\u00e7\u00e3o. A rede poder\u00e1 em breve estender-se a Aveiro.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cDesde que escrevi o livro sobre o sil\u00eancio, nunca mais parei de falar\u201d, afirmou Pablo d\u2019Ors no in\u00edcio da palestra que em Aveiro, na noite de 26 de outubro, provocando uma gargalhada nas duas centenas de pessoas que foram ao Semin\u00e1rio de Santa Joana para ouvir as suas reflex\u00f5es e experi\u00eancias sobre sil\u00eancio e medita\u00e7\u00e3o. O padre e escritor espanhol esteve em Aveiro para dar a palestra (em espanhol) e orientar, na manh\u00e3 de 27 de outubro, um workshop \u2013 \u201cun taller\u201d \u2013 para cerca de quatro dezenas de pessoas. Poder\u00e1 voltar dentro de meses, de acordo com o P.e Jo\u00e3o Alves, que promoveu as iniciativas, para orientar um retiro de fim de semana, algo mais exigente e profundo, como faz em Espanha com os \u201cAmigos del desierto\u201d.<br \/>\nNa palestra, respondeu a tr\u00eas quest\u00f5es: Para qu\u00ea meditar? Como meditar? O que sucede quando medito? Antes, esclareceu que sil\u00eancio e palavra n\u00e3o se op\u00f5em. \u201cS\u00e3o duas caras da mesma moeda\u201d. O oposto do sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 a palavra, que, \u201ctem mais sentido quando precedida e sucedida pelo sil\u00eancio\u201d. O contr\u00e1rio do sil\u00eancio \u00e9 o ru\u00eddo. E o ru\u00eddo pode chegar de muitas formas. Quando a certa altura se ouviu um toque de telem\u00f3vel no meio da audi\u00eancia, explicou que nos seus retiros h\u00e1 quatro regras para fazer sil\u00eancio e nem todas s\u00e3o \u201cestar calado\u201d. Ali\u00e1s, s\u00f3 a primeira \u00e9: \u201cN\u00e3o falar\u201d. As outras podem n\u00e3o ter som, mas n\u00e3o deixam fazer sil\u00eancio: \u201c\u00abN\u00e3o gesticular\u00bb; \u00abn\u00e3o ler\u00bb, mesmo se alguns identificam vida interior com leitura; e \u00abter o telem\u00f3vel desligado\u00bb, porque h\u00e1 pessoas que est\u00e3o permanentemente ligadas ao que est\u00e1 fora\u201d, mesmo que n\u00e3o atendam o telem\u00f3vel. H\u00e1 sms, redes sociais, mails\u2026 E tudo corr\u00f3i o sil\u00eancio.<\/p>\n<p><strong>Eu-outros-Deus<\/strong><br \/>\nPara qu\u00ea meditar, ent\u00e3o? Em primeiro lugar, \u201cpara nos conhecermos a n\u00f3s mesmos\u201d. A medita\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u201cmaneira mais direta, radical, salutar de cada um se conhecer a si mesmo\u201d, disse. Na medita\u00e7\u00e3o, \u201ccai o espelho [em que nos refletimos] e aparece a janela para descobrirmos a verdadeira identidade\u201d. Mas n\u00e3o se fica por a\u00ed. O descobrimento da identidade leva ao amor a si mesmo. E, finalmente, \u201cquando nos amamos, podemos amar aos outros\u201d. Este amor aos outros passa tamb\u00e9m pelo reconhecimento da depend\u00eancia, pelo deixar-se amar. \u201cO mais duro da doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 a dor, \u00e9 sentir-se dependente dos outros. Isto \u00e9 o que nos custa mais porque somos educados para sermos independentes. Da\u00ed que deixar-se amar \u00e9 deixar que os outros sejam dom\u201d. Meditar \u00e9 \u201csaber voltar a casa\u201d. E medita-se \u201cpara viver\u201d. \u201cN\u00e3o meditamos para sermos melhores, meditamos para sermos n\u00f3s mesmos, para sentir algo do mist\u00e9rio\u201d. Quando a medita\u00e7\u00e3o acontece, \u201cintu\u00edmos algo do mist\u00e9rio da vida, algo a que os crentes chamam Deus\u201d. Mas \u201cDeus\u201d n\u00e3o pode estar distante da vida. N\u00e3o \u00e9 uma ideia. \u201cQualquer afirma\u00e7\u00e3o de Deus que n\u00e3o parte da vida \u00e9 ideologia. N\u00e3o alimenta a alma. Pode alimentar a cabe\u00e7a. Mas estamos fartos de pessoas com a cabe\u00e7a grande. Precisamos de que nos d\u00ea vida. Pessoa culta \u00e9 quem d\u00e1 culto \u00e0 vida. Se nos damos ao outros, cultivamo-nos\u201d, afirmou.<br \/>\nNo \u201ccomo\u201d da medita\u00e7\u00e3o entra o sil\u00eancio. H\u00e1 muitas maneiras de fazer sil\u00eancio interior, algumas do extremo oriente (zen, yoga), outras orientais (ortodoxas, Padres do Deserto) e ocidentais (tradi\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica beneditina, carmelita, cartuxa\u2026), ambas crist\u00e3s. Pablo d\u2019Ors recupera a tradi\u00e7\u00e3o dos \u201cpadres e madres do deserto\u201d, dos crist\u00e3os que viveram no s\u00e9culo II, III e IV, nos desertos do M\u00e9dio Oriente. \u201cTemos [na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3] recursos mais do que suficientes\u201d, real\u00e7ou.<\/p>\n<p><strong>Como ser infeliz<\/strong><br \/>\nPara meditar, depois do sil\u00eancio exterior, s\u00e3o precisas tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es: respira\u00e7\u00e3o consciente, sentir o cora\u00e7\u00e3o (o que pode acontecer na palmas das m\u00e3os postas na posi\u00e7\u00e3o tradicional de ora\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel do cora\u00e7\u00e3o) e uso de uma palavra, mantra ou jaculat\u00f3ria. Com as m\u00e3os postas, \u201co que procuramos \u00e9 unificar. O corpo indica \u00e0 alma o que fazer\u201d, referiu. O mantra \u00e9 um instrumento para trabalhar a mente, \u201cuma palavra que atua como vassoura, que varre todas as outras\u201d. E sugeriu dois exerc\u00edcios que todos podem fazer com mantras. \u201cExperimentem dizer trezentas vezes por dia \u00absou um desgra\u00e7ado\u00bb [\u201cdesgraciado\u201d tamb\u00e9m se pode traduzir por \u201cinfeliz\u201d]\u201d. A assembleia percebeu que ningu\u00e9m ficar\u00e1 l\u00e1 muito bem ao fim de um dia a repetir tal express\u00e3o. \u201cMas experimentem dizer trezentas vezes por dia \u00absou uma pessoa maravilhosa\u00bb. Sorrisos na assembleia. E Pablo d\u2019Ors concluiu: \u201cSignifica que somos respons\u00e1veis pelo nosso bem-estar emocional numa medida maior do que pensamos\u201d. Da\u00ed que, no confession\u00e1rio, o padre possa sugerir a algumas pessoas, como penit\u00eancia, que digam uma centena de vezes: \u201cSou uma maravilhosa\u201d.<br \/>\nNas suas sess\u00f5es, Pablo d\u2019Ors usa, como revelou, tr\u00eas jaculat\u00f3rias: \u201cSim\u201d, \u201cMarana t\u00e1 [express\u00e3o hebraica para \u201cVem, Senhor\u201d] e \u201cCristo Jesus\u201d, esta \u00faltima dita ao ritmo dos movimentos respirat\u00f3rios.<br \/>\nE o que acontece quando se medita? \u201cCom 15 dias de medita\u00e7\u00e3o, a nossa vida muda\u201d, assegurou. \u201cSe n\u00e3o for assim, chamem-me e eu devolvo o dinheiro\u201d, gracejou, porque \u201ca medita\u00e7\u00e3o interior tem de ser gr\u00e1tis. Se n\u00e3o for [e h\u00e1 quem pague bem para ter cursos de medita\u00e7\u00e3o], n\u00e3o \u00e9 eficaz.<br \/>\nInterrogado sobre as dificuldades de quem j\u00e1 tentou meditar e n\u00e3o conseguiu, Pablo d\u2019Ors deixou dois conselhos para que os resultados apare\u00e7am: Const\u00e2ncia, isto \u00e9, esfor\u00e7o di\u00e1rio de 15 minutos; e \u201chumildade para seguir o m\u00e9todo proposto\u201d, o que \u00e9 o mesmo que dizer \u201cn\u00e3o inventar\u201d.<\/p>\n<p><strong>Jorge Pires Ferreira<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u201cUma biografia\u00a0<\/strong><strong>do sil\u00eancio\u201d<\/strong><br \/>\nEntre romances e ensaios, Pablo d\u2019Ors \u00e9 autor de \u201cUma biografia do sil\u00eancio\u201d (publicado em Portugal pela editora Paulinas), livro que em Espanha j\u00e1 vendeu mais de cem mil exemplares e veio mostrar que h\u00e1 pessoas sedentas de sil\u00eancio, medita\u00e7\u00e3o, profundidade, quietude, contra o ru\u00eddo, a pressa, o excesso de comunica\u00e7\u00e3o sem valor, a dispers\u00e3o interior e exterior. O livro \u00e9 composto por pequenos textos que mostram como o padre que j\u00e1 foi mission\u00e1rio e capel\u00e3o hospitalar fez um caminho de busca interior, de \u201csilenciamento interior\u201d. \u201cPor ser t\u00e3o \u00edntimo e t\u00e3o pessoal, muitas pessoas reveem-se nele\u201d, disse ao Correio do Vouga numa entrevista que ser\u00e1 publicada na pr\u00f3xima semana. \u201cTornou-se universal por sem t\u00e3o \u00edntimo e pessoal. Todos somos diferentes, mas temos uma base comum\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Doen\u00e7a\u00a0do ativismo<\/strong><br \/>\nRespondendo a uma pergunta da assembleia, onde estava o Bispo de Aveiro, Pablo d\u2019Ors deixou algumas observa\u00e7\u00f5es que podem constituir cr\u00edtica ao agir da Igreja. \u201cSe n\u00e3o vivermos interioridade, dificilmente os jovens vir\u00e3o [\u00e0 igreja]. As pessoas querem luz e calor. Se estamos iluminados, elas vir\u00e3o. N\u00e3o interessa que as pessoas venham \u00e0 igreja, mas que sejam felizes\u201d, disse, alertando para o \u201cmito da a\u00e7\u00e3o\u201d, que consiste em fazer muitas coisas para transformar o mundo, quando o que movia Jesus Cristo \u201cn\u00e3o era a a\u00e7\u00e3o, mas a paix\u00e3o\u201d. O ativismo pode ser \u201cuma doen\u00e7a\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pablo d\u2019Ors, padre e escritor, criador da rede de meditadores \u201cAmigos del Desierto\u201d, falou de sil\u00eancio e medita\u00e7\u00e3o. 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