{"id":27083,"date":"2016-11-24T10:05:30","date_gmt":"2016-11-24T10:05:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=27083"},"modified":"2016-11-24T10:05:30","modified_gmt":"2016-11-24T10:05:30","slug":"porta-escancarada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/porta-escancarada\/","title":{"rendered":"Porta escancarada"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24498\" aria-describedby=\"caption-attachment-24498\" style=\"width: 100px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Querubim-silva.jpg\" rel=\"attachment wp-att-24498\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-24498\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Querubim-silva.jpg\" alt=\"Querubim Silva Padre. Diretor\" width=\"100\" height=\"140\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24498\" class=\"wp-caption-text\">Querubim Silva<br \/>Padre. Diretor<\/figcaption><\/figure>\n<p>A homilia do Papa, na Celebra\u00e7\u00e3o de encerramento do Jubileu da Miseric\u00f3rdia, fundamenta o conte\u00fado da sua deliciosa Carta Apost\u00f3lica assinada no dia seguinte &#8211; \u201cMisericordia et Misera\u201d, t\u00edtulo retirado da express\u00e3o de Santo Agostinho ao comentar o encontro de Jesus com a mulher ad\u00faltera.<br \/>\nCome\u00e7a Francisco por desmontar a tenta\u00e7\u00e3o de conceber o Reino de Deus como qualquer forma de domina\u00e7\u00e3o: \u201c\u2026A grandeza do seu reino n\u00e3o est\u00e1 na for\u00e7a segundo o mundo, mas no amor de Deus, um amor capaz de alcan\u00e7ar e restaurar todas as coisas\u201d.<br \/>\nDecorre desta ess\u00eancia do reino que \u201cn\u00e3o nos condenou, nem sequer nos conquistou, nunca violou a nossa liberdade, mas abriu caminho com o amor humilde, que tudo desculpa, tudo espera, tudo suporta (cf.1Cor.13,7). Unicamente este amor venceu e continua a vencer os nossos grandes advers\u00e1rios: o pecado, a morte, o medo\u201d. E essa \u00e9 a beleza de ter Jesus como nosso Rei, que deveremos compartilhar com alegria. Partindo da observa\u00e7\u00e3o dos protagonistas da cena do Calv\u00e1rio, o Bispo de Roma qualifica esses protagonistas, al\u00e9m de Jesus, em tr\u00eas grupos: \u201cO povo que olha, o grupo que est\u00e1 aos p\u00e9s da cruz e um malfeitor crucificado ao lado de Jesus\u201d.<br \/>\nPrimeiro, o \u201cpovo que, levado pelas pr\u00f3prias necessidades, se aglomerava \u00e0 volta de Jesus e, agora, se mant\u00e9m \u00e0 dist\u00e2ncia\u201d. Muitas vezes, n\u00f3s replicamos esse povo, na nossa vida: \u201cVendo certas circunst\u00e2ncias da vida ou as nossas expectativas por realizar, podemos tamb\u00e9m n\u00f3s ser tentados a manter a dist\u00e2ncia da realeza de Jesus, n\u00e3o aceitando completamente o esc\u00e2ndalo do seu amor humilde, que interpela o nosso eu e o desassossega\u201d. Um s\u00e9rio exame de consci\u00eancia se imp\u00f5e \u00e0 nossa coer\u00eancia de vida crist\u00e3: \u201c\u00abQue me pede o amor, para onde me impele? Que resposta dou a Jesus com a minha vida?\u00bb\u201d.<br \/>\nDepois, um segundo grupo, com v\u00e1rios agentes: os chefes dos judeus, os soldados, o \u201cmau ladr\u00e3o\u201d. \u201cTodos eles escarnecem de Jesus, dirigindo-Lhe a mesma provoca\u00e7\u00e3o: \u00abSalve-Se a Si mesmo\u00bb (cf.Lc.23,35.37.39). \u2026tentam Jesus, \u2026para que renuncie a reinar \u00e0 maneira de Deus e o fa\u00e7a segundo a l\u00f3gica do mundo: des\u00e7a da cruz e derrote os inimigos!\u201d. A tenta\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia, a \u00e2nsia de nos libertarmos das dificuldades, o desejo de um reconhecimento na pra\u00e7a p\u00fablica\u2026 Coisas que nos movem tantas vezes a \u201cdescermos da cruz\u201d, cedendo \u00e0 atra\u00e7\u00e3o do poder e do sucesso, como caminho mais f\u00e1cil e r\u00e1pido, mesmo para difundir o Evangelho, \u201cesquecendo depressa como atua o Reino de Deus\u201d.<br \/>\nPor fim, \u201coutro personagem, mais perto de Jesus, o malfeitor que O invoca dizendo: \u00abJesus, lembra-Te de mim, quando estiveres no teu Reino\u00bb (Lc.23,42)\u201d. \u201c\u2026n\u00e3o se fechou em si mesmo, mas, com os seus erros, os seus pecados e os seus problemas, dirigiu-se a Jesus. Pediu para ser lembrado, e saboreou a miseric\u00f3rdia de Deus: \u00abHoje estar\u00e1s comigo no Para\u00edso\u00bb (Lc.23,43). Deus, logo que Lhe damos tal possibilidade, lembra-Se de n\u00f3s. (\u2026) Deus n\u00e3o tem mem\u00f3ria do pecado, mas de n\u00f3s, de cada um de n\u00f3s, seus filhos amados. E cr\u00ea que \u00e9 sempre poss\u00edvel recome\u00e7ar, levantar-se\u201d.<br \/>\nPercebemos, a partir destes pressupostos, o que diz Francisco quase a terminar: \u201cCom efeito, embora se feche a Porta Santa, continua sempre escancarada para n\u00f3s a verdadeira porta da miseric\u00f3rdia que \u00e9 o Cora\u00e7\u00e3o de Cristo. Do lado trespassado do Ressuscitado jorram at\u00e9 ao fim dos tempos a miseric\u00f3rdia, a consola\u00e7\u00e3o e a esperan\u00e7a\u201d. Nestas convic\u00e7\u00f5es, nascem as decis\u00f5es e indica\u00e7\u00f5es pastorais do Papa, plenas de lucidez, operatividade, esperan\u00e7a e ternura, da Carta Apost\u00f3lica \u201cMisericordia et Misera\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A homilia do Papa, na Celebra\u00e7\u00e3o de encerramento do Jubileu da Miseric\u00f3rdia, fundamenta o conte\u00fado da sua deliciosa Carta Apost\u00f3lica assinada no dia seguinte &#8211; \u201cMisericordia et Misera\u201d, t\u00edtulo retirado da express\u00e3o de Santo Agostinho ao comentar o encontro de Jesus com a mulher ad\u00faltera. 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