{"id":2722,"date":"2010-10-20T09:44:00","date_gmt":"2010-10-20T09:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2722"},"modified":"2010-10-20T09:44:00","modified_gmt":"2010-10-20T09:44:00","slug":"na-corda-bamba-com-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/na-corda-bamba-com-deus\/","title":{"rendered":"Na corda bamba com Deus"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> \u00c0s vezes, at\u00e9 parece que Deus abana a corda para nos fazer cair \u2013 esse mesmo Pai a quem Jesus nos ensinou a pedir que n\u00e3o nos deixasse cair em tenta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Ao longo dos s\u00e9culos, muita gente e c\u00e9lebres pensadores puseram a hip\u00f3tese de que a exist\u00eancia humana, com toda esta mistura de c\u00e9u e terra, n\u00e3o passa de uma brincadeira de mau gosto, como se n\u00e3o f\u00f4ssemos mais do que uns bonecos animados durante o que chamamos vida, no fim de contas \u00e0 merc\u00ea de uma for\u00e7a c\u00f3smica totalmente alheia \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es dos m\u00edseros seres por ela produzidos, e cuja intelig\u00eancia parece apenas servir para engrossar um negro ponto de interroga\u00e7\u00e3o sobre o por qu\u00ea e para qu\u00ea de tudo isto. <\/p>\n<p>Estes m\u00edseros seres, por\u00e9m, t\u00eam dado inequ\u00edvocas provas, desde tempos imemoriais, de coragem para as mais arrojadas experi\u00eancias e especula\u00e7\u00f5es, e de que sabem procurar o que h\u00e1 de bem, o que pode ser melhor, e o que \u00e9 a justi\u00e7a. <\/p>\n<p>Com muitas voltas e reviravoltas, a humanidade tem vindo a aprofundar a experi\u00eancia de Deus, nas mais diversas civiliza\u00e7\u00f5es e pelos mais variados tipos de pensadores.<\/p>\n<p>Mesmo com a imagem de um Deus que sacode a corda em que temos de atravessar o circo, descobrimos nele o artista que nos quer treinar devidamente e d\u00e1 uma \u00abchance\u00bb \u00e0 nossa dignidade: pois deixar\u00edamos de ser os \u00abdesventurados filhos dum big bang\u00bb \u2013 para sermos os s\u00e1bios que se debru\u00e7am sobre o significado e implica\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria hip\u00f3tese cient\u00edfica t\u00e3o espantosamente por n\u00f3s elaborada. <\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Deus acorda as nossas capacidades, lembrando-nos de como falar e at\u00e9 gritar com ele, sobretudo no dif\u00edcil equil\u00edbrio na corda bamba (tanto sacudida pelas nossas falhas como pelas \u00abpartidinhas\u00bb de Deus\u2026). No Pai Nosso repetimos, por outras palavras, que reconhecemos que Deus \u00e9 a inabal\u00e1vel fidelidade, para quem cada ser humano tem a sua pr\u00f3pria arte de se equilibrar no caminho para a justi\u00e7a. Assim aconteceu com o publicano (um \u00abm\u00edsero\u00bb cobrador de impostos) do evangelho: \u00abdesceu justificado para sua casa\u00bb, porque, reconhecendo o risco da queda, agarrou-se mais \u00e0 \u00abcorda bamba\u00bb. Para Jesus, a ora\u00e7\u00e3o do fariseu n\u00e3o podia ser aceite, pois reflectia a escolha  do caminho da arrog\u00e2ncia e desmedida autoconfian\u00e7a, como quem n\u00e3o quer cair na conta de que est\u00e1 a provocar uma queda fatal.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 uma quest\u00e3o de procurar o \u00abpasso justo\u00bb na corda bamba. \u00c9 a preocupa\u00e7\u00e3o da 1.\u00aa leitura, \u00e9 a experi\u00eancia da 2.\u00aa leitura, \u00e9 a \u00abhistorinha\u00bb com que Jesus nos p\u00f5e num encontro \u00abao vivo\u00bb entre n\u00f3s e o pr\u00f3prio Deus. <\/p>\n<p>O erro do fariseu foi querer \u00abcair em gra\u00e7a\u00bb de Deus, sem ser suficientemente \u00abengra\u00e7ado\u00bb. Pois, na conversa com Deus, \u00e9 bom sentir alegria pelas coisas boas que temos e pelo bem que fazemos. N\u00e3o \u00e9 verdade que precisamos de sentir o nosso valor, para nos animarmos a continuar com determina\u00e7\u00e3o na corda bamba? N\u00e3o podemos \u00e9 desprezar os passos mais vacilantes dos outros nem querer mal ao sucesso dos outros. <\/p>\n<p>A consci\u00eancia de que todos valem muito, apesar dos trambolh\u00f5es, \u00e9 a verdadeira humildade. Por isso, Deus escuta quem \u00e9 \u00abhumilde\u00bb. A palavra \u00abhumilde\u00bb deriva de \u00abhumus\u00bb, a terra, o solo que pisamos. O humilde ser\u00e1 aquele que tem \u00abos p\u00e9s na terra\u00bb, no mau e no bom sentido: o que n\u00e3o \u00e9 (ou n\u00e3o quer ser) capaz de levantar voo&#8230; ou aquele que tem os olhos bem abertos para ver onde p\u00f5e os p\u00e9s, onde se agarrar, para onde poder\u00e1 dirigir os seus passos. Ser humilde \u00e9 ter consci\u00eancia da nossa situa\u00e7\u00e3o no universo, sem cair nem na resigna\u00e7\u00e3o nem na presun\u00e7\u00e3o; nem na gan\u00e2ncia nem no alheamento. O pior de tudo seria, para nos sentirmos os melhores, levar os outros a escorregar na corda bamba. <\/p>\n<p>Neste \u00abcirco\u00bb da vida, Deus bate palmas ao esfor\u00e7o por espalhar alegria. E a grande resposta de Deus aos \u00abpobres e oprimidos\u00bb s\u00e3o as ac\u00e7\u00f5es, tantas vezes her\u00f3icas, de mulheres e homens em todos os tempos.<\/p>\n<p>E todos n\u00f3s temos passos infelizes e horas m\u00e1s. De acordo com a mensagem de Jesus, vista globalmente, o que importa \u00e9 apresentarmo-nos a Deus como somos. Parece pouco? Que respondam aqueles \u00abhumildes\u00bb que levam a s\u00e9rio a aventura na corda bamba.\t<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-2722","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2722","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2722"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2722\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2722"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2722"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2722"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}