{"id":2728,"date":"2010-10-20T09:50:00","date_gmt":"2010-10-20T09:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2728"},"modified":"2010-10-20T09:50:00","modified_gmt":"2010-10-20T09:50:00","slug":"experiencias-de-missao-sao-sinal-de-comunhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/experiencias-de-missao-sao-sinal-de-comunhao\/","title":{"rendered":"Experi\u00eancias de miss\u00e3o s\u00e3o sinal de comunh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A Diocese de Aveiro tem enviado alguns jovens e adultos para experi\u00eancias mission\u00e1rias em \u00c1frica e no Brasil, atrav\u00e9s o Secretariado Diocesano da Anima\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria e da ong Orbis. Na proximidade do Dia Mundial das Miss\u00f5es, o Correio do Vouga apresenta dois testemunhos dessas experi\u00eancias. Seguem outros nas pr\u00f3ximas semanas.<\/p>\n<p>Escreve o Papa na Mensagem para o dia 24 de Outubro que a consci\u00eancia mission\u00e1ria tamb\u00e9m se alimenta atrav\u00e9s da obra de leigos mission\u00e1rios. Quando Bento XVI apela ao empenho, \u201csem falsas ilus\u00f5es ou in\u00fateis temores, para fazer do planeta a casa de todos os povos\u201d, \u00e9 importante ter em conta que estas viv\u00eancias s\u00e3o importantes para a comunh\u00e3o eclesial e para que \u201co Evangelho seja fermento de liberdade e progresso, fonte de fraternidade, humildade e paz\u201d na inter-culturalidade. Se podem ser ben\u00e9ficas para quem acolhe os mission\u00e1rios, s\u00e3o-no ainda mais para as comunidades que os enviam e para quem as protagoniza, como se pode ler nos testemunhos. \u201cA coopera\u00e7\u00e3o de umas igrejas com as outras \u2013 escreve Bento XVI \u2013 \u00e9 um testemunho de singular unidade, fraternidade e solidariedade, e torna cred\u00edveis os anunciadores do Amor que salva\u201d. <\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n<p>\u201cAprendi a ver a ess\u00eancia das coisas\u201d<\/p>\n<p>Liliana Peneda, 22 anos, de Cacia, enfermeira<\/p>\n<p>Passou o m\u00eas de Agosto em Inharrime, Mo\u00e7ambique<\/p>\n<p>O que mais gostei de ver e sentir foi a simplicidade das pessoas e a forma como nos acolheram. Apesar das condi\u00e7\u00f5es em que viviam (a grande parte em palhotas sem \u00e1gua nem luz, sem uma cama para dormir ou uma casa de banho), sempre que \u00edamos a casa de algu\u00e9m faziam quest\u00e3o de nos oferecerem o melhor que tinham, nem que fosse apenas uma cadeira para nos sentarmos. Al\u00e9m disso, gostei muito do facto de os jovens estarem muito presentes e serem o \u201cfermento\u201d da Igreja, quer nas celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas, quer na organiza\u00e7\u00e3o de todas as actividades.<\/p>\n<p>Impressionaram-me as enormes diferen\u00e7as s\u00f3cio-econ\u00f3micas dentro da mesma comunidade. Era poss\u00edvel ver na mesma rua pessoas a viver em condi\u00e7\u00f5es miser\u00e1veis e pessoas (mais propriamente os governadores) a viver muito bem, em casas enormes e com diversos luxos. Outros aspectos que me impressionaram prendem-se com quest\u00f5es muito culturais. Recordo uma situa\u00e7\u00e3o em que o ministro da Sa\u00fade foi visitar o hospital (que era mesmo em frente \u00e0 nossa casa). Horas antes de o ministro chegar, os funcion\u00e1rios mandaram embora toda a gente que estava \u00e0 espera para ser atendida porque parecia mal o ministro chegar e ver tanta gente \u00e0 espera. Nesse dia chovia imenso. Pelas 10h da manh\u00e3 apareceu em nossa casa uma rapariga, com cerca de 17 anos, com o seu filho, que tinha nascido \u00e0 1h da manh\u00e3, a pedir para a deixarmos ficar l\u00e1 at\u00e9 a chuva parar porque a tinham mandado embora do hospital, j\u00e1 que estava a \u201cfazer monte\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esta experi\u00eancia em Mo\u00e7ambique, o que mudou em mim? Penso que aprendi a ver a ess\u00eancia das coisas, a questionar-me mais a mim mesma e menos aos outros. Percebi que muitas vezes a minha entrega ao que fa\u00e7o n\u00e3o depende tanto da minha disponibilidade hor\u00e1ria mas fundamentalmente da minha disponibilidade interior.<\/p>\n<p>\u201cA experi\u00eancia mais enriquecedora e gratificante da minha vida\u201d<\/p>\n<p>Marta Concei\u00e7\u00e3o, 23 anos, de Angeja, professora de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica<\/p>\n<p>Esta experi\u00eancia mission\u00e1ria foi um sonho que se tornou realidade. Fiz dois anos de forma\u00e7\u00e3o no SDAM, de Aveiro, e no final deste dois anos fui enviada como volunt\u00e1ria mission\u00e1ria para Mo\u00e7ambique (Inharrime). Estive l\u00e1 de 2 a 31 de Agosto de 2010.<\/p>\n<p>De tudo o que tive oportunidade de vivenciar, em conjunto com a minha colega Liliana, que me acompanhou nesta experi\u00eancia, o que mais gostei foi o contacto permanente com as crian\u00e7as e tudo o que dinamiz\u00e1mos para elas, tanto em Inharrime como nas restantes comunidades que visitamos. Foi bom sentir afabilidade das pessoas com quem nos cruz\u00e1vamos na rua, que nos acolhiam sempre com um sorriso de orelha a orelha e uma m\u00e3o estendida para nos desejar um bom dia.<\/p>\n<p>Na visita \u00e0s fam\u00edlias, em conjunto com as Irm\u00e3s Palotinas, pude observar como aquelas pessoas vivem o seu dia-a-dia. Impressionou-me a forma como nos acolhiam, a alegria que sentiam por nos verem ali, mas tamb\u00e9m por verem a preocupa\u00e7\u00e3o de sermos n\u00f3s a deslocarmo-nos at\u00e9 junto delas para registar as necessidades maiores que sentiam e tentar colmat\u00e1-las de alguma forma. Numa das visitas, deparamo-nos com o \u201cPap\u00e1\u201d Artur,  j\u00e1 velhinho, que mal nos viu, a mim e \u00e0 Ir. Jacinta, ainda junto de outra fam\u00edlia, pegou na sua esteira e, com as poucas for\u00e7as que lhe restavam, trouxe-a para fora de casa e aguardou que cheg\u00e1ssemos junto dele. Ofegante e com um rosto sofredor, dizia-nos, emocionado: \u201cIrm\u00e3s, hoje passei muito mal a noite e pensei que j\u00e1 n\u00e3o ia ver a luz do dia\u2026 Ontem ligou meu filho, que est\u00e1 em Maputo. J\u00e1 n\u00e3o falava com ele faz tempo\u2026 Agora aparece aqui a Irm\u00e3 para me dar a b\u00ean\u00e7\u00e3o. Nunca pensei ter-vos aqui comigo depois da noite que passei, assim como nunca pensei ouvir a voz do meu filho novamente. Muito Obrigado!\u201d Ao outro dia chegou-nos a not\u00edcia de que ele tinha falecido. Senti algo inexplic\u00e1vel e que nada \u00e9 por acaso. Tamb\u00e9m me impressionou muito no estado em que a sa\u00fade se encontra, a inexist\u00eancia de meios para responder \u00e0s necessidades b\u00e1sicas e as condi\u00e7\u00f5es em que se encontram as unidades de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Os momentos que vivenciei em Inharrime marcaram-me muito. Trouxeram mais cor \u00e0 minha vida. Ap\u00f3s o regresso, penso que venho ainda mais sensibilizada e atenta para com os n\u00e3o amados, os que est\u00e3o sozinhos, os que s\u00e3o rejeitados. Como Madre Teresa de Calcut\u00e1 dizia, \u201csei que n\u00e3o s\u00e3o mais que sentimentos\u201d, mas fazem-me pensar, deixam uma enorme saudade e vontade de l\u00e1 voltar, mesmo que seja s\u00f3 para estar e ser. Sei que n\u00e3o vou mudar o mundo. Sou uma pequena gota no meio do oceano. Mas, sem ela, o oceano seria menor.<\/p>\n<p>Foi a experi\u00eancia mais enriquecedora e gratificante que fiz na minha vida e apelo a que outros mission\u00e1rios n\u00e3o tenham receio e partam para dar um pouco de si a estas comunidades, para serem um testemunho vivo para a continuidade do voluntariado mission\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Diocese de Aveiro tem enviado alguns jovens e adultos para experi\u00eancias mission\u00e1rias em \u00c1frica e no Brasil, atrav\u00e9s o Secretariado Diocesano da Anima\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria e da ong Orbis. Na proximidade do Dia Mundial das Miss\u00f5es, o Correio do Vouga apresenta dois testemunhos dessas experi\u00eancias. Seguem outros nas pr\u00f3ximas semanas. 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