{"id":27366,"date":"2017-03-09T16:01:19","date_gmt":"2017-03-09T16:01:19","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/?p=27366"},"modified":"2017-03-09T16:01:19","modified_gmt":"2017-03-09T16:01:19","slug":"as-maos-amigas-la-sabiam-do-que-eu-precisava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/as-maos-amigas-la-sabiam-do-que-eu-precisava\/","title":{"rendered":"&#8220;As m\u00e3os amigas l\u00e1 sabiam do que eu precisava&#8221;"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_25966\" aria-describedby=\"caption-attachment-25966\" style=\"width: 224px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/padrerocha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25966\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/padrerocha.jpg\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"288\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25966\" class=\"wp-caption-text\">O P.e Manuel Rocha \u00e9 p\u00e1roco da Vera Cruz e juiz do Tribunal Eclesi\u00e1stico de Aveiro<\/figcaption><\/figure>\n<p>Estava a pensar nos livros que me t\u00eam passado pelas m\u00e3os nestes \u00faltimos tempos e chego sempre \u00e0 mesma conclus\u00e3o: n\u00e3o li o que devia, n\u00e3o aproveitei o tempo como devia\u2026 como tamb\u00e9m n\u00e3o rezei o que devia ou n\u00e3o fiz isto ou aquilo que devia\u2026 Sempre esta dicotomia entre o que fiz e o que podia ter feito\u2026 mas n\u00e3o fiz. E vem a pergunta de sempre: Mas poderia ser de outra maneira?<br \/>\n\u00c9 verdade que fiz a viagem do sil\u00eancio com o livro de Pablo d\u2019Ors, \u201cA Biografia do sil\u00eancio\u201d, inclusivamente me levantei mais cedo, um ou outro dia, para fazer essa tal experi\u00eancia da medita\u00e7\u00e3o\u2026 e \u201c\u2026pelas vezes em que vislumbrei alguma coisa deste espa\u00e7o e em que nele habitei, ainda que apenas por alguns segundos, posso assegurar que a verdadeira felicidade \u00e9 algo muito mais simples e que est\u00e1 ao alcance de todos e de qualquer um. S\u00f3 \u00e9 preciso parar, calar-se, ouvir e olhar; embora parar, calar-se, ouvir e olhar \u2013 e isso \u00e9 meditar \u2013 nos seja hoje muito dif\u00edcil e tenhamos precisado de inventar um m\u00e9todo para uma coisa t\u00e3o elementar. Meditar n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil; o que \u00e9 dif\u00edcil \u00e9 querer meditar\u201d (do livro).<br \/>\nPassou-me pelas m\u00e3os e, at\u00e9 por dever de of\u00edcio li uma ou outra catequese do Papa S. Jo\u00e3o Paulo II sobre a \u201cTeologia do Corpo\u201d, onde somos convidados a olhar a cria\u00e7\u00e3o como algo de belo, antes e depois de terem aparecido as folhas de figueira, para utilizar uma imagem bonita que o papa utiliza nas suas primeiras catequeses.<br \/>\nFiz a viagem com Gon\u00e7alo Cadilhe, \u201cNos passos de Santo Ant\u00f3nio\u201d, e conclu\u00ed com o Autor: Santo Ant\u00f3nio terminou a sua viagem em P\u00e1dua e eu\u2026 \u201ccontinuo a minha\u201d. E foi nesta continua\u00e7\u00e3o que me chegou, de m\u00e3os amigas, um livro pequeno no tamanho, mas grande no conte\u00fado: \u201cO elogio da imperfei\u00e7\u00e3o \u2013 o caminho da fragilidade\u201d (Paolo Scquizzato, Paulinas). E come\u00e7a assim: \u201cA p\u00e9rola \u00e9 espl\u00eandida e preciosa\u2026 Nasce da dor. Nasce quando uma ostra \u00e9 ferida. Quando um corpo estranho \u2013 uma impureza, um gr\u00e3ozinho de areia \u2013 penetra no seu interior e a habita, a concha come\u00e7a a produzir uma subst\u00e2ncia (a madrep\u00e9rola) com que o cobre para proteger o seu corpo invadido. No fim, ter-se-\u00e1 formado uma bela p\u00e9rola, brilhante e valiosa. Se n\u00e3o for ferida, a ostra nunca poder\u00e1 produzir p\u00e9rolas, porque a p\u00e9rola \u00e9 uma ferida cicatrizada\u201d. Achei deliciosa a compara\u00e7\u00e3o que leva o Autor a partir desta fragilidade da vida, convidando cada um de n\u00f3s a olhar a sua pr\u00f3pria fragilidade n\u00e3o como algo a desperdi\u00e7ar, a p\u00f4r de lado, a encobrir, mas como elemento essencial da vida que irrompe no pequeno, no fr\u00e1gil, no limite . Se n\u00e3o olhemos este pequeno per\u00edodo: \u201cA rela\u00e7\u00e3o com n\u00f3s pr\u00f3prios e com a nossa vida quotidiana (social, familiar e relacional) tornar-se-\u00e1 paradis\u00edaca quando conseguirmos acolher-nos e amar-nos, n\u00e3o de malgrado, mas atrav\u00e9s de todas as nossa feridas e das nossas debilidades\u201d (p.16). E o \u201celogio da imperfei\u00e7\u00e3o passa por v\u00e1rios personagens da B\u00edblia quer do Antigo Testamento quer de algumas passagens do Novo Testamento. Para terminar em jeito de conclus\u00e3o que fa\u00e7o minha: \u201cO amor n\u00e3o obriga. \u00c9 esta a gra\u00e7a que nos atinge; n\u00e3o a cura, mas a possibilidade de curar-se. Ai de n\u00f3s se houvesse um Deus que nos mudasse! O amor \u00e9 sempre ades\u00e3o livre: Deus respeita de tal maneira a liberdade dos filhos que at\u00e9 lhes permite que se percam; o amor deixa-nos livres\u201d (p.66).<br \/>\nAs m\u00e3os amigas l\u00e1 sabiam do que eu precisava.<br \/>\n<strong>Manuel J. Rocha<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estava a pensar nos livros que me t\u00eam passado pelas m\u00e3os nestes \u00faltimos tempos e chego sempre \u00e0 mesma conclus\u00e3o: n\u00e3o li o que devia, n\u00e3o aproveitei o tempo como devia\u2026 como tamb\u00e9m n\u00e3o rezei o que devia ou n\u00e3o fiz isto ou aquilo que devia\u2026 Sempre esta dicotomia entre o que fiz e o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[],"class_list":["post-27366","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27366","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27366"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27366\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27367,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27366\/revisions\/27367"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}