{"id":2738,"date":"2010-10-06T09:46:00","date_gmt":"2010-10-06T09:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2738"},"modified":"2010-10-06T09:46:00","modified_gmt":"2010-10-06T09:46:00","slug":"muito-obrigado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/muito-obrigado\/","title":{"rendered":"Muito obrigado!"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Quem n\u00e3o gosta de o ouvir? \u00c0s vezes por um simples gesto de ced\u00eancia de passagem; outras vezes pelo mero ar prazenteiro com que desempenhamos a nossa profiss\u00e3o; ou pela delicadeza de escutar um desabafo passageiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 bela sem sen\u00e3o \u2013 e tamb\u00e9m pode ser dito com um sentido de despeito, desilus\u00e3o, ou mesmo certa raiva por alguma coisa que nos foi feita e que fere os nossos interesses.<\/p>\n<p>N\u00e3o admira que seja mais bonito, mais \u00abelegante\u00bb e gracioso, usar o tipicamente portugu\u00eas \u00abbem haja\u00bb! (\u00abelegante\u00bb prov\u00e9m do radical indo-europeu leg, cujo sentido geral \u00e9 \u00abescolher\u00bb). O valor desta express\u00e3o \u00e9 passar por cima do demasiado comum sentimento de retribui\u00e7\u00e3o e interesse nas rela\u00e7\u00f5es humanas, apelando para o bem que est\u00e1 sempre a estimular os nossos melhores desejos, levando-nos de facto a querer o melhor bem para cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>N\u00e3o far\u00e1 tanto sentido dizer a Deus \u00abbem haja!\u00bb (embora possa revelar uma profunda rela\u00e7\u00e3o de intimidade). Por outro lado, n\u00e3o \u00e9 verdade que muitas vezes apetece resmungar a Deus \u00abora muito obrigado\u2026\u00bb?<\/p>\n<p> No livro de Job, conta a Sagrada Escritura como a vida lhe corria bem \u2013 ele era exemplo de gratid\u00e3o a Deus, e os amigos enchiam-lhe a casa de alegria. O mau, foi quando a adversidade bateu \u00e0 porta! At\u00e9 parece que o pr\u00f3prio Deus s\u00f3 se lembra de n\u00f3s para nos fazer sofrer! Pois foi o que Job experimentou, e tinha raz\u00e3o para se queixar amargamente a Deus: \u00abAi \u00e9 assim que amas os teus amigos?\u00bb E confessava que n\u00e3o conseguia compreender a Deus. <\/p>\n<p>Quem, ali\u00e1s, O pode compreender? Em toda a B\u00edblia transparece a ideia de que os seus caminhos s\u00e3o misteriosos, e a sabedoria popular lembra que Deus n\u00e3o escreve ao nosso jeito\u2026 <\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 de Job que nos falam as leituras. Na primeira, um general pag\u00e3o \u00e9 curado da lepra; no evangelho, dez leprosos s\u00e3o curados (judeus e pag\u00e3os unidos na desgra\u00e7a&#8230;). Muito teimou o general pag\u00e3o para que o profeta Eliseu aceitasse um \u00abobrigado\u00bb junto a boa retribui\u00e7\u00e3o! Mas Eliseu lembrou como era mais s\u00e1bio um \u00abbem haja\u00bb para os dois e para todos os vindouros \u2013 e constru\u00edram um local de homenagem ao Supremo Bem, um lugar onde os seres humanos sentissem o bem do encontro com Deus.<\/p>\n<p>No evangelho, Jesus conta que s\u00f3 um samaritano (um povo que os Judeus consideravam como meio pag\u00e3o) \u00e9 que veio agradecer. E como Jesus gostou! <\/p>\n<p>\u00c9 not\u00e1vel este fraquinho de Jesus por estrangeiros, prostitutas, pobres, doentes&#8230; os \u00abmarginais\u00bb relativamente \u00abaos certinhos da sociedade\u00bb. Uns e outros s\u00ea-lo-\u00e3o por culpa pr\u00f3pria ou n\u00e3o, mas o certo \u00e9 que alguns \u00abcertinhos\u00bb se colocam facilmente no pedestal dos \u00abjustos\u00bb \u2013 e vivem da fama do lugar a que chegaram, muitas vezes sem procurar impedir as injusti\u00e7as que tornam a vida insuport\u00e1vel, sobretudo quando desprezada. Muita gente se desculpa dizendo que o sofrimento dos outros n\u00e3o passa de fatalidade. Quando soubermos falar uns com os outros, esquecendo o pedestal do moralmente ou politicamente correcto, a simpatia da palavra que nos une gera condi\u00e7\u00f5es para  eficazes medidas de justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Jesus n\u00e3o se p\u00f4s em pedestal nenhum \u2013 as \u00abtenta\u00e7\u00f5es no deserto\u00bb simbolizam a escolha do seu estilo de vida. Mas nove leprosos contentaram-se com o pedestal de curados milagrosamente. S\u00f3 o samaritano viu em Jesus algu\u00e9m com quem se pode e \u00e9 bom falar.  S\u00f3 para ele \u00e9 que se deu o come\u00e7o de uma vida nova. Doravante, saber\u00e1 ajudar os outros com a sua experi\u00eancia de sofrimento, mais preparado para lutar contra a raiz do des\u00e2nimo.<\/p>\n<p>\u00abObrigado\u00bb significa estar \u00abligado\u00bb (ob+ligare) especialmente com uma pessoa, devido a algo de bom que essa pessoa nos proporcionou. Mais for\u00e7a tem a palavra \u00abreligi\u00e3o\u00bb, que significa estar \u00abligado\u00bb (re+ligare) de maneira muito especial a algu\u00e9m muito especial. S\u00f3 o samaritano teve uma atitude profundamente religiosa. <\/p>\n<p>S. Francisco dava gl\u00f3ria a Deus por todas as \u00abbelezas pequeninas\u00bb deste mundo, mas tamb\u00e9m pela \u00abirm\u00e3 dor\u00bb e pela \u00abirm\u00e3 morte\u00bb. Foi por isso que falei de Job, que tal como o general s\u00edrio e os dez leprosos, tinha a experi\u00eancia da dor acompanhada da exclus\u00e3o social. No grito \u00abtem compaix\u00e3o de n\u00f3s\u00bb, podemos ver mais do que um pedido de cura: mais radicalmente, ser\u00e1 um pedido de sentido para a vida.<\/p>\n<p>Embora curando apenas alguns males, Jesus Cristo mostrou que a felicidade \u00e9 para ser sentida tanto fisica como espiritualmente. E que somos respons\u00e1veis por utilizar toda a nossa ci\u00eancia e toda a arte das rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>Nos encontros bons ou maus, ganhamos for\u00e7a para um mundo sempre mais perfeito, quando nos lembramos da riqueza presente no mais simples MUITO OBRIGADO!<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-2738","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2738"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2738\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}