{"id":27403,"date":"2017-03-30T09:08:55","date_gmt":"2017-03-30T09:08:55","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/?p=27403"},"modified":"2017-03-30T09:08:55","modified_gmt":"2017-03-30T09:08:55","slug":"quando-a-realidade-supera-os-reality-shows","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quando-a-realidade-supera-os-reality-shows\/","title":{"rendered":"Quando a realidade supera os &#8220;reality shows&#8221;"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_27404\" aria-describedby=\"caption-attachment-27404\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/teresac.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-27404\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/teresac.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"211\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/teresac.jpg 5334w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/teresac-213x300.jpg 213w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/teresac-768x1080.jpg 768w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/teresac-728x1024.jpg 728w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-27404\" class=\"wp-caption-text\">TERESA CORREIA<br \/> Professora<\/figcaption><\/figure>\n<p>Num mundo de vidas reais e de \u201creality shows\u201d, o contraste \u00e9 chocante: viver num campo de refugiados, porque se foge da guerra e de condi\u00e7\u00f5es completamente adversas, ou viver numa zona da Sib\u00e9ria, como prop\u00f5e um programa russo de \u201creality shows\u201d, em que se assina um documento em que se aceita tudo e qualquer consequ\u00eancia, mesmo a da morte! Por que n\u00e3o propor aos concorrentes que se transformem em verdadeiros her\u00f3is, desafiem a vida real e vivam num campo de refugiados a apoiar os milhares que, metaforicamente, assinam um documento que defende a vida digna longe da guerra, da fome, dos atentados e dos traficantes?<\/p>\n<figure id=\"attachment_27405\" aria-describedby=\"caption-attachment-27405\" style=\"width: 1188px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/teresa-correia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-27405\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/teresa-correia.jpg\" alt=\"\" width=\"1188\" height=\"668\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/teresa-correia.jpg 1188w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/teresa-correia-300x170.jpg 300w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/teresa-correia-768x432.jpg 768w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/teresa-correia-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/teresa-correia-70x40.jpg 70w\" sizes=\"auto, (max-width: 1188px) 100vw, 1188px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-27405\" class=\"wp-caption-text\">Alunos da Esc. Sec. M\u00e1rio Sacramento na recolha de bens para os refugiados na S\u00e9rvia<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nessa situa\u00e7\u00e3o verdadeiramente desafiante, porque \u00e9 da vida real que se trata, poderiam contactar com condi\u00e7\u00f5es extremas de sobreviv\u00eancia. Poderiam testemunhar a aventura a que os refugiados chamam \u201cjogo\u201d, que consiste em tentar escapar \u00e0s autoridades fronteiri\u00e7as, que os espancam e que ati\u00e7am c\u00e3es cujas mordeduras deixam marcas profundas no corpo. MALI (nome fict\u00edcio) tentou 15 vezes \u201co jogo\u201d, depois de meses a percorrer um caminho sinuoso desde a S\u00edria at\u00e9 \u00e0 S\u00e9rvia. A\u00ed, num campo de refugiados instalado \u00e0s portas da esta\u00e7\u00e3o de caminho-de-ferro de Belgrado, sobrevive com temperaturas abaixo de zero, ora em tendas ora em barrac\u00f5es, com milhares de crian\u00e7as, adolescentes e adultos. Esta \u00e9 a 15.\u00aa vez que regressa por ter sido apanhado pela pol\u00edcia fronteiri\u00e7a h\u00fangara. Os p\u00e9s e as m\u00e3os n\u00e3o est\u00e3o em t\u00e3o mau estado como noutras ocasi\u00f5es, em que quase n\u00e3o conseguia andar por ter sido despojado das suas roupas e cal\u00e7ado pelas guardas que o mandaram para tr\u00e1s, assim, a caminhar na neve.<\/p>\n<p>E derivamos agora para o cerne da quest\u00e3o: milhares de pessoas fogem da guerra e v\u00e1rios grupos de volunt\u00e1rios saem do seu conforto, porque o desconforto e a humanidade dilacerada dos outros os choca e os move. \u201cAqui est\u00e1 p\u00e9ssimo, muitos mi\u00fados\u2026 ali\u00e1s a maioria s\u00e3o mi\u00fados desacompanhados\u2026 t\u00e3o triste, sinto-me completamente impotente em rela\u00e7\u00e3o a isto\u2026 Ainda n\u00e3o houve um dia em que n\u00e3o tivesse chorado e j\u00e1 estive na Gr\u00e9cia, na Maced\u00f3nia\u2026 o meu trabalho a\u00ed \u00e9 com \u201csem abrigo\u201d\u2026 mas estes mi\u00fados aqui\u2026 assim, parte o cora\u00e7\u00e3o\u201d, confessa-me Ana Perp\u00e9tuo, uma das volunt\u00e1rias portuguesas que h\u00e1 uns meses lan\u00e7ou um apelo, no facebook, para recolha de roupas para os refugiados na S\u00e9rvia. Portugal mobilizou-se. V\u00e1rios cidad\u00e3os an\u00f3nimos, institui\u00e7\u00f5es de solidariedade e escolas responderam positivamente; Aveiro n\u00e3o foi exce\u00e7\u00e3o. Depois de muita burocracia, as 499 paletes de roupa quente e cobertores doados por portugueses est\u00e3o quase a chegar a Belgrado. A palete n\u00famero 500 vai repleta de brinquedos e mensagens de crian\u00e7as e adolescentes, de m\u00e3es e de pais portugueses que se comoveram pelas condi\u00e7\u00f5es desumanas em que as crian\u00e7as refugiadas vivem. Algu\u00e9m perguntava: \u201cSer\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es fidedignas? As imagens n\u00e3o ser\u00e3o forjadas?\u201d E a resposta, numa sociedade em que a desconfian\u00e7a parece reinar, \u00e9 dada pelo movimento de solidariedade que supera as expectativas de quem n\u00e3o cruza os bra\u00e7os. H\u00e1 sempre muitos que acreditam, com Madre Teresa de Calcut\u00e1, que o que se faz \u00e9 uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano ser\u00e1 menor.<br \/>\nOlhando para o trabalho dos volunt\u00e1rios de v\u00e1rias nacionalidades, que podemos acompanhar nas redes sociais, vemos que servir 400 refei\u00e7\u00f5es \u00e9 uma das suas fun\u00e7\u00f5es, mas percebemos que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil aceitar que v\u00e1rias crian\u00e7as v\u00e3o dormir sem jantar, porque a comida n\u00e3o chegou para elas. Outra das situa\u00e7\u00f5es que pretendem ajudar a enfrentar \u00e9 aquilo que, para n\u00f3s, no conforto das nossas casas, n\u00e3o passa de uma rotina: lavar a roupa e dormir numa cama. Os volunt\u00e1rios portugueses alugaram um apartamento onde, \u00e0 vez, dormem refugiados, para poderem descansar um pouco, lavar a sua roupa, mesmo sabendo que, na noite seguinte, voltar\u00e3o para as tendas ou para os barrac\u00f5es ao p\u00e9 da esta\u00e7\u00e3o de Belgrado. H\u00e1 ainda um pequeno jardim que plantaram para humanizar um pouco aquele espa\u00e7o t\u00e3o triste.<br \/>\nOs volunt\u00e1rios n\u00e3o se movem por credo religioso, mas por acreditarem que o outro \u00e9 uma pessoa que precisa de aten\u00e7\u00e3o e que n\u00e3o pode viver em condi\u00e7\u00f5es sub-humanas. Afinal, a vida real \u00e9 j\u00e1 suficientemente crua para se inventarem \u201creality shows\u201d em que se p\u00f5e \u00e0 prova a resist\u00eancia do ser humano. N\u00e3o s\u00e3o precisos jogos para o perceber!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num mundo de vidas reais e de \u201creality shows\u201d, o contraste \u00e9 chocante: viver num campo de refugiados, porque se foge da guerra e de condi\u00e7\u00f5es completamente adversas, ou viver numa zona da Sib\u00e9ria, como prop\u00f5e um programa russo de \u201creality shows\u201d, em que se assina um documento em que se aceita tudo e qualquer [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-27403","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27403","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27403"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27403\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27406,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27403\/revisions\/27406"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27403"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27403"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27403"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}