{"id":27430,"date":"2017-04-06T13:39:03","date_gmt":"2017-04-06T13:39:03","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/?p=27430"},"modified":"2017-04-06T13:39:03","modified_gmt":"2017-04-06T13:39:03","slug":"amoris-laetitia-o-primeiro-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/amoris-laetitia-o-primeiro-ano\/","title":{"rendered":"\u00abAmoris Laetitia\u00bb, o primeiro ano"},"content":{"rendered":"<p>Volvido um ano desde a publica\u00e7\u00e3o da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u00abAmoris Laetitia\u00bb (doravante referida AL), constata-se que a discuss\u00e3o, dentro e fora da Igreja (p.e., meios de comunica\u00e7\u00e3o social, Internet) se focalizou na nota de rodap\u00e9 351 do ponto 305 da AL, uma das poucas frases que n\u00e3o pertence a nenhum documento, mas que sai da letra do pr\u00f3prio Papa: \u00abEm certos casos, poderia haver tamb\u00e9m a ajuda dos sacramentos\u00bb.<br \/>\nFica-se com a sensa\u00e7\u00e3o de que a verdadeira mensagem da AL ficou ofuscada: \u201cque a todas as fam\u00edlias, independentemente da sua natureza (separados, recasados, a viver em uni\u00e3o de facto ou casados civilmente) n\u00e3o se pode negar o encontro com Deus e que Deus acolhe todos, na sua infinita miseric\u00f3rdia, todos podem fazer um caminho ao Seu encontro\u201d. Uns ir\u00e3o mais depressa, outros poder\u00e3o andar para tr\u00e1s ou at\u00e9 abandonar este caminho (os que se afastam da Igreja), mas TODOS &#8211; mesmo aqueles que est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o objetiva de pecado, mas que subjetivamente n\u00e3o tenham culpa &#8211; podem atingir a Gra\u00e7a e a Miseric\u00f3rdia de Deus (AL 305). Com este fim, o Papa Francisco aconselha-nos a abandonar a l\u00f3gica bin\u00e1ria do preto e branco para abarcar as \u00e1reas acinzentadas, pois, para um corpo que proclama Cristo, n\u00e3o basta afirmar e fazer valer rigidamente o que \u00e9 verdadeiro de um modo geral: devemos tamb\u00e9m estar atentos \u00e0s circunst\u00e2ncias particulares.<br \/>\nTamb\u00e9m neste tempo foi evidente uma forte rea\u00e7\u00e3o de alguns setores da Igreja que t\u00eam invadido os meios de comunica\u00e7\u00e3o social e a Internet com acusa\u00e7\u00f5es ao Papa, desmentindo qualquer novidade desta exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica relativamente \u00e0 \u00abFamiliaris Consortio\u00bb de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, publicada em 1981. Argumentam que este Papa n\u00e3o pode desmentir ou contradizer o ensinamento de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II &#8211; de que s\u00f3 os divorciados recasados que vivam contin\u00eancia sexual podem receber o sacramento da Eucaristia- e questionam ou ignoram o percurso de discernimento sugerido pelo Papa, quando tal proposta resultou do relat\u00f3rio final do S\u00ednodo Ordin\u00e1rio dos Bispos aprovado pelos padres sinodais por larga maioria em 24 de outubro de 2015, que nos seus pontos 84 a 86 o incentiva.<br \/>\nE agora, passada a pol\u00e9mica inicial, h\u00e1 que perceber o que de bom foi feito. A \u00abAmoris Laetitia\u00bb \u00e9 um monumento \u00e0 fam\u00edlia, tal como esta \u00e9 vista na perspetiva da Igreja. E o seu alcance \u00e9 tal que ainda nos encontramos numa fase de aprendizagem, com a organiza\u00e7\u00e3o de palestras para a divulgar. Cremos que os bispos ainda est\u00e3o a estud\u00e1-la para implementar as recomenda\u00e7\u00f5es do Papa, n\u00e3o s\u00f3 do cap\u00edtulo VIII, mas tamb\u00e9m dos restantes cap\u00edtulos, como sejam as manifestadas por exemplo no cap\u00edtulo VI, em que \u00e9 incentivada a cria\u00e7\u00e3o de \u00abcentros de escuta especializados que se devem estabelecer nas dioceses\u00bb (AL 242) ou de um \u00abservi\u00e7o de informa\u00e7\u00e3o, aconselhamento e media\u00e7\u00e3o, ligado \u00e0 pastoral familiar\u00bb (AL 244).<br \/>\nMesmo no cap\u00edtulo VIII, o discernimento n\u00e3o pode ser separado da integra\u00e7\u00e3o dos casais irregulares na Igreja. No relat\u00f3rio final do \u00faltimo S\u00ednodo, o ponto 84 referia que esta integra\u00e7\u00e3o se pode atingir pela \u00abparticipa\u00e7\u00e3o em diferentes servi\u00e7os eclesiais: por isso, \u00e9 necess\u00e1rio discernir quais das diversas formas de exclus\u00e3o atualmente praticadas nos \u00e2mbitos lit\u00fargico, pastoral, educativo e institucional, podem ser superadas\u00bb. Na AL, o Papa volta a tocar neste assunto nos n\u00fameros 297 e 299 ao incentivar a participa\u00e7\u00e3o destas pessoas na comunidade eclesial, \u00abquer em tarefas sociais, quer em reuni\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o, quer na forma que lhe possa sugerir a sua pr\u00f3pria iniciativa discernida juntamente com o pastor\u00bb. Concretizando: em que circunst\u00e2ncias podem ser padrinhos? Salmistas? Leitores? Poder\u00e3o participar em movimentos da Igreja at\u00e9 agora interditos?<br \/>\nNa nossa p\u00e1gina do Facebook temos encontrado alguns testemunhos de pessoas solteiras que, por terem casado com outra divorciada, tamb\u00e9m deixaram de poder ter acesso aos sacramentos. De facto, no \u00faltimo ano de estat\u00edsticas publicadas pelo INE (2013), em mais de metade dos segundos casamentos (58%) o outro \u00e9 solteiro. N\u00e3o seria desej\u00e1vel que os sacerdotes e os bispos tamb\u00e9m tivessem em aten\u00e7\u00e3o estas pessoas, j\u00e1 que a sua situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 referida em nenhum ponto da AL?<br \/>\nEsperemos que a confer\u00eancia episcopal portuguesa publique a breve prazo orienta\u00e7\u00f5es de como praticar a \u00abAmoris Laetitia\u00bb ou que, no m\u00ednimo, seja conhecida a reflex\u00e3o dos bispos das dioceses do centro, que para o efeito se reuniram na casa diocesana de Albergaria no passado dia 30 de janeiro.<\/p>\n<p><strong>Grupo de leigos <\/strong><br \/>\n<strong>da Diocese de Aveiro<\/strong><br \/>\n<em>www.facebook.com\/recasados<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volvido um ano desde a publica\u00e7\u00e3o da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u00abAmoris Laetitia\u00bb (doravante referida AL), constata-se que a discuss\u00e3o, dentro e fora da Igreja (p.e., meios de comunica\u00e7\u00e3o social, Internet) se focalizou na nota de rodap\u00e9 351 do ponto 305 da AL, uma das poucas frases que n\u00e3o pertence a nenhum documento, mas que sai da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-27430","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27430","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27430"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27430\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27431,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27430\/revisions\/27431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}