{"id":2762,"date":"2010-10-20T10:20:00","date_gmt":"2010-10-20T10:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2762"},"modified":"2010-10-20T10:20:00","modified_gmt":"2010-10-20T10:20:00","slug":"para-que-serve-a-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/para-que-serve-a-economia\/","title":{"rendered":"Para que serve a Economia?"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma frase lapidar de Carl Schmitt em rela\u00e7\u00e3o aos Estados modernos que importa recuperar: \u00abTodos os conceitos decisivos da moderna doutrina do Estado s\u00e3o conceitos teol\u00f3gicos secularizados\u00bb. Isto \u00e9, na origem de paradigmas fundamentais que nos regem, como por exemplo a Economia e o Governo, e que hoje regressaram (Deus sabe com que desespero) ao centro do debate p\u00fablico em Portugal, est\u00e1 a influ\u00eancia determinante da teologia crist\u00e3, sobretudo nas suas esta\u00e7\u00f5es b\u00edblica e patr\u00edstica.<\/p>\n<p>O termo Economia (do grego, Oikonomia) significa literalmente \u201cnorma ou administra\u00e7\u00e3o da casa\u201d. Come\u00e7ou por conhecer um uso profano em autores como Arist\u00f3teles (que toma o conceito n\u00e3o como uma ci\u00eancia, mas como uma actividade de ordem funcional), Xenofonte (que utiliza a sugestiva imagem da articula\u00e7\u00e3o dos dan\u00e7arinos numa roda para falar do controle e da precis\u00e3o necess\u00e1rios ao seu bom funcionamento) ou Quintiliano (a Economia torna-se a ordenada disposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria de um discurso).<\/p>\n<p>Uma opini\u00e3o muito difundida reconhece que \u00e9 na esteira de S\u00e3o Paulo que primeiro se oficializa um significado teol\u00f3gico na palavra Economia. Veja-se o passo da Carta aos Colossenses: \u00abAgora, alegro-me nos sofrimentos que suporto por v\u00f3s e completo na minha carne o que falta \u00e0s tribula\u00e7\u00f5es de Cristo, segundo a economia de Deus, a qual me foi dada para levar \u00e0 plena realiza\u00e7\u00e3o a Palavra de Deus, o mist\u00e9rio escondido ao longo das gera\u00e7\u00f5es e que agora Deus manifestou aos seus santos\u00bb (Col 1,24-25). Ou aquele da Carta aos Ef\u00e9sios: \u00ab[Deus] manifestou-nos o mist\u00e9rio da sua vontade, segundo a benevol\u00eancia que nele exp\u00f5e para a economia da plenitude dos tempos, para recapitular todas as coisas em Cristo\u00bb (Ef 1,9-10). No pensamento paulino, h\u00e1 uma aproxima\u00e7\u00e3o estruturante entre os termos Economia e Mist\u00e9rio. A Economia \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, o trocar por mi\u00fados (digamos assim) do des\u00edgnio de Salva\u00e7\u00e3o que Deus tem para o Homem. A Economia deixa de ser apenas um processo administrativo, uma arte de gest\u00e3o corrente e passa a colocar no centro da sua finalidade o servi\u00e7o integral \u00e0 Pessoa.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que hoje o conceito de Economia voltou ao \u00e2mbito profano ou secular. Mas se n\u00e3o conservar uma resson\u00e2ncia mais lata, serve para qu\u00ea?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma frase lapidar de Carl Schmitt em rela\u00e7\u00e3o aos Estados modernos que importa recuperar: \u00abTodos os conceitos decisivos da moderna doutrina do Estado s\u00e3o conceitos teol\u00f3gicos secularizados\u00bb. Isto \u00e9, na origem de paradigmas fundamentais que nos regem, como por exemplo a Economia e o Governo, e que hoje regressaram (Deus sabe com que desespero) [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-2762","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2762","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2762"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2762\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}