{"id":27653,"date":"2017-07-21T15:02:26","date_gmt":"2017-07-21T15:02:26","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/?p=27653"},"modified":"2017-07-21T15:02:26","modified_gmt":"2017-07-21T15:02:26","slug":"quanto-vale-uma-vida-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quanto-vale-uma-vida-humana\/","title":{"rendered":"Quanto vale uma vida humana?"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24931\" aria-describedby=\"caption-attachment-24931\" style=\"width: 234px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Flausino.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-24931\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Flausino.jpg\" alt=\"\" width=\"234\" height=\"237\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24931\" class=\"wp-caption-text\">FLAUSINO SILVA<br \/>Empres\u00e1rio<\/figcaption><\/figure>\n<p>Faz um m\u00eas, neste in\u00edcio de semana, que se deu a cat\u00e1strofe nacional, porque o foi, que vitimou mais de seis dezenas de pessoas, fazendo muitos outros feridos, alguns com muita gravidade e deixando um rasto de destrui\u00e7\u00e3o material e humana a tr\u00e1s de si.<br \/>\nFoi desolador o panorama que televis\u00f5es, r\u00e1dios nacionais e outros meios de comunica\u00e7\u00e3o social presentes no cora\u00e7\u00e3o das zonas incendiadas relataram ent\u00e3o e reavivaram hoje.<br \/>\nOs dramas humanos ultrapassam de longe o aspeto tenebroso da terra, das casas, das f\u00e1bricas destru\u00eddas, com todo o seu equipamento e das \u00e1rvores carbonizados, mais parecendo que se conjugaram para nos transmitirem uma vis\u00e3o infernal e irrevers\u00edvel da calamidade.<br \/>\nPessoas espavoridas, que andam de um lado para o outro \u00e0 procura n\u00e3o se sabe do qu\u00ea, autoridades que circulam e prometem ressarcir as v\u00edtimas, num quadro futuro que n\u00e3o inspira a confian\u00e7a necess\u00e1ria, enfim, um sem n\u00famero de institui\u00e7\u00f5es que angariou fundos e d\u00e1divas e primou pela celeridade na sua recolha, que aguardam o destino da finalidade que as motivou &#8211; mitigar as necessidades e car\u00eancias imediatas.<br \/>\nDe tudo quanto se torna vis\u00edvel aos nossos olhos acentua-se fundamentalmente o vazio espiritual, provocado pelo que existia e desapareceu, pelo que se tocava e j\u00e1 n\u00e3o tem vida, pelo que laborava e foi irremediavelmente interrompido, porque tudo foi cortado, decepado, separado, arrancado, reduzido a cinzas e a escombros, que os olhos j\u00e1 n\u00e3o contemplam porque desapareceram.<br \/>\nEste vazio \u00e9 explosivo, destrutivo, corrosivo, aniquilando \u00e0 nascen\u00e7a qualquer esfor\u00e7o de rea\u00e7\u00e3o, de recupera\u00e7\u00e3o e de regresso ao passado e \u00e0 normalidade.<br \/>\nEnquanto as casas n\u00e3o estiverem recuperadas, as terras com sementeiras verdejantes, os quintais com novas \u00e1rvores de fruto a crescerem, plantas e arbustos a abrolharem e os pinhais das proximidades dos lugares habitados, n\u00e3o forem limpos do negro dos res\u00edduos, para dar origem a nova vida que vir\u00e1, sim que vir\u00e1, sem d\u00favida e com redobrada for\u00e7a pela energia que os inc\u00eandios geram na terra queimada, enquanto tudo isto n\u00e3o come\u00e7ar \u00e0 acontecer, as pessoas sobrevivas continuar\u00e3o presas \u00e0 cat\u00e1strofe, com as fichas vitais ligadas \u00e0 corrente da destrui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAnt\u00eddoto fundamental para ultrapassar o sofrimento humano, intenso e profundo, s\u00e3o os sinais de nova vida, de novas casas, de novos equipamentos, de novas \u00e1rvores, que mudem o sentido da calamidade e o invertam empurrando para um futuro com esperan\u00e7a.<br \/>\nPor isso, todas as iniciativas imediatas que visem p\u00f4r em andamento o processo de revitaliza\u00e7\u00e3o, mesmo que apenas inicial e parcial, mas com determina\u00e7\u00e3o, s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia.<br \/>\nO que nos mostraram as reportagens deste primeiro m\u00eas foi um certo imobilismo individual e coletivo, pessoal, aut\u00e1rquico e, sobretudo, governativo, adensando a j\u00e1 de si nuvem negra de incertezas que as pessoas guardam bem vivas na sua retina.<br \/>\nMesmo as entidades n\u00e3o aut\u00e1rquicas e governamentais \u2013 C\u00e1ritas, Miseric\u00f3rdias \u2013 n\u00e3o deram esse passo vital de p\u00f4r obras em marcha, de arrancar no terreno com as obras essenciais.<br \/>\nUm simples processo de coloca\u00e7\u00e3o, no terreno, de m\u00e1quinas de movimenta\u00e7\u00e3o de terras, retirando os res\u00edduos e escombros para lugar apropriado, criaria uma din\u00e2mica nova, necess\u00e1ria \u00e0s popula\u00e7\u00f5es para acreditarem e reagirem.<br \/>\nMas n\u00e3o, parece que tudo tem de ser tra\u00e7ado a r\u00e9gua e esquadro, tudo milimetricamente planeado e programado, regulamentado, porque est\u00e3o em causa, dizem, dinheiros p\u00fablicos e dos doadores.<br \/>\nPor isso mesmo, se s\u00e3o dinheiros p\u00fablicos e dos doadores devem ser postos de imediato ao servi\u00e7os das pessoas e das causas urgentes, j\u00e1 mais do que identificadas, como a que foi levada ao Senhor Presidente da Rep\u00fablica \u2013 o pagamento do funeral de uma pessoa, que deixou uma crian\u00e7a \u00f3rf\u00e3.<br \/>\nAlgum cidad\u00e3o teria a ousadia de contestar a decis\u00e3o, se tivesse sido tomada, de afetar uma parte das d\u00e1divas ao pagamento de todos os funerais das v\u00edtimas da cat\u00e1strofe?<br \/>\nEste gesto simples, teria, s\u00f3 por si, sido uma importante for\u00e7a encorajadora de todos quantos, al\u00e9m dos seus preju\u00edzos pessoais e familiares, tiveram de arrostar com o sofrimento de dar sepultura condigna aos seus mortos e fazer o necess\u00e1rio luto, no luto de tudo o que lhes aconteceu.<br \/>\nO excesso de minud\u00eancias, de regulamentos para disciplinar a atribui\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios, em detrimento da atribui\u00e7\u00e3o imediata de meios financeiros, por exemplo para o arranque das recupera\u00e7\u00f5es das f\u00e1bricas destru\u00eddas, com centenas de desempregados afetados, face \u00e0 necessidade premente de repor em marcha a economia, justifica claramente a decis\u00e3o imediata de colocar dinheiro nessas empresas, obviamente proporcionado e controlado, fixando regras de devolu\u00e7\u00e3o a longo prazo e salvo boa fortuna.<br \/>\nPorqu\u00ea este imobilismo oficial, institucional, cooperativo, assistencial, que aprofundou o sofrimento e a crise? Parece que foram todos tocados pelo mesmo estado petrificante provocado pelo cataclismo, ou o que parece mais plaus\u00edvel, foram todos tomados pela dimens\u00e3o astron\u00f4mica dos n\u00fameros, dos montantes necess\u00e1rios \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o, e recolheram-se a fazer contas e a escrever regulamentos, enquanto se espera por uma decis\u00e3o da uni\u00e3o europeia (UE) \u2013 tardissimamente solicitada, para acrescentar mais euros aos j\u00e1 reunidos pelo Governo, pela C\u00e1ritas, pelas Miseric\u00f3rdias, pelo povo an\u00f3nimo, pelos \u00f3bolos de empresas e funda\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA gest\u00e3o e o controle n\u00e3o s\u00e3o inimigos da celeridade. \u00c9 preciso arrancar com o processo de revitaliza\u00e7\u00e3o j\u00e1, para dinamizar, encorajar, p\u00f4r em andamento e todos seguir\u00e3o!<br \/>\nMas h\u00e1 ainda uma aus\u00eancia crucial &#8211; a da Igreja, da comunidade eclesial, no terreno, com a sua a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas s\u00f3cio-caritativa, mas sobretudo humana, pessoal, militante, a colocar Deus no centro da cat\u00e1strofe, sem medo, recuperando a esperan\u00e7a que dele vem.<br \/>\nPermitam-me recuperar um excerto do texto da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-Sinodal \u201cChristifidelis Laici\u201d, de Sua Santidade o Papa Jo\u00e3o Paulo II, sobre a Voca\u00e7\u00e3o e Miss\u00e3o dos Leigos Na Igreja e No Mundo \u2013 mais concretamente uma parte do n\u00famero 3 da Introdu\u00e7\u00e3o do documento dirigido aos Bispos, Sacerdotes, Di\u00e1conos, Religiosos, Religiosas e Todos os Fieis Leigos:<br \/>\n\u201c3. O significado fundamental deste S\u00ednodo e, consequentemente, o seu fruto mais precioso, \u00e9 que os fi\u00e9is leigos escutem o chamamento de Cristo para trabalharem na Sua vinha, para tomar parte viva, consciente e respons\u00e1vel na miss\u00e3o da Igreja, nesta hora magn\u00edfica e dram\u00e1tica da hist\u00f3ria, no limiar do terceiro mil\u00e9nio. Novas situa\u00e7\u00f5es, tanto eclesiais como sociais, econ\u00f3micas, pol\u00edticas e culturais, reclamam hoje, com uma for\u00e7a toda particular, a a\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is leigos. Se o desinteresse foi sempre inaceit\u00e1vel, o tempo presente torna-o ainda mais culp\u00e1vel. N\u00e3o \u00e9 l\u00edcito a ningu\u00e9m ficar inativo. (\u201cAs urg\u00eancias atuais do mundo: porque estais aqui o dia inteiro inativos?\u201d)\u201d.<br \/>\nSe este texto n\u00e3o nos interpela, se os constantes apelos do Papa Francisco n\u00e3o nos impelem, ent\u00e3o quem somos e o que \u00e9 que fez em n\u00f3s o Batismo e o sermos enxertados em Cristo?<br \/>\nAs pessoas afetadas pelos inc\u00eandios e todos os seus consequentes efeitos destrutivos precisam de reencontrar Deus, a verdadeira esperan\u00e7a, sen\u00e3o a \u00fanica, j\u00e1 que a que repousa nos homens pode fraquejar, como est\u00e1 a acontecer.<br \/>\nE \u00e9 \u00e0 Comunidade Eclesial que compete levar Deus a estas pessoas afetadas, sofredoras, repor Deus no seu meio. Esta a\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica, apost\u00f3lica, n\u00e3o se consegue apenas com celebra\u00e7\u00f5es de sufr\u00e1gio \u2013 importantes para a serenidade espiritual de cada um e das comunidades locais, mas sobretudo com a presen\u00e7a dos leigos, padres, religiosos, di\u00e1conos e bispos, no dia a dia das pessoas, a ajud\u00e1-las sobretudo a encontrarem novos motivos de esperan\u00e7a, a refazer as suas rotinas anteriores, a superar os medos e os pavores, a reorganizar a sua vida econ\u00f3mica e financeira, a semear, plantar e recriar.<br \/>\nPara nos levar at\u00e9 este trabalho, recordemos, se necess\u00e1rio, como procediam as primeiras comunidades crist\u00e3s. N\u00f3s acreditamos que \u00e9 poss\u00edvel recriar a ESPERAN\u00c7A!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz um m\u00eas, neste in\u00edcio de semana, que se deu a cat\u00e1strofe nacional, porque o foi, que vitimou mais de seis dezenas de pessoas, fazendo muitos outros feridos, alguns com muita gravidade e deixando um rasto de destrui\u00e7\u00e3o material e humana a tr\u00e1s de si. 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