{"id":27687,"date":"2017-10-04T15:45:24","date_gmt":"2017-10-04T15:45:24","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/?p=27687"},"modified":"2017-10-04T15:45:24","modified_gmt":"2017-10-04T15:45:24","slug":"divorciados-recasados-pedem-a-igreja-a-bencao-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/divorciados-recasados-pedem-a-igreja-a-bencao-de-deus\/","title":{"rendered":"Divorciados recasados pedem \u00e0 Igreja a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_26460\" aria-describedby=\"caption-attachment-26460\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/georgino.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-26460\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/georgino.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/georgino.jpg 400w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/georgino-231x300.jpg 231w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26460\" class=\"wp-caption-text\">GEORGINO ROCHA<br \/> Padre<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cN\u00e3o deixa de ser estranho que a Igreja no seu Ritual de B\u00ean\u00e7\u00e3os contemple tanta diversidade de pessoas, de animais e de coisas e mostre relut\u00e2ncia em atender o pedido de divorciados recasados que as desejam para a sua nova situa\u00e7\u00e3o\u201d, diz-me um amigo de velha data familiarizado com esta tem\u00e1tica. Estou de acordo com ele, embora para suavizar a intensidade da queixa lhe lembre que \u00e9 para evitar confus\u00f5es com os ritos do matrim\u00f3nio sacramental. Ele prossegue: \u201cPor medo a confus\u00f5es e ao risco, a hist\u00f3ria d\u00e1-nos li\u00e7\u00f5es de profecia, vendo a realidade cultural a avan\u00e7ar e certas inst\u00e2ncias da Igreja a ficarem paradas no tempo ou mesmo a entrar em conflito com as novas realidades\u201d. E o Papa Francisco a proclamar que prefere uma Igreja acidentada, hospital de campanha.<br \/>\nReconhe\u00e7o a justeza da observa\u00e7\u00e3o. Sei por experi\u00eancia que nem sempre a novidade \u00e9 portadora da verdade. E tamb\u00e9m que a confus\u00e3o gera, com frequ\u00eancia, enorme desorienta\u00e7\u00e3o. O que exige uma aten\u00e7\u00e3o redobrada, um discernimento oportuno, um di\u00e1logo institucional frequente entre \u201cquem vive no terreno\u201d e os respons\u00e1veis da Igreja nos espa\u00e7os onde as pessoas se encontram e vivem. E a realidade fala por si: muitos divorciados recasados querem sentir-se aben\u00e7oados por Deus por meio dos ritos da Igreja, querem fazer a caminhada como casal de crist\u00e3os, querem colocar os seus dons ao servi\u00e7o da comunidade, querem ter \u201cvoz e vez\u201d para testemunhar o valor do amor conjugal no segundo casamento.<br \/>\nA vida crist\u00e3 est\u00e1 cheia de b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus fora e dentro da Igreja. E delas participam as pessoas, independentemente da sua situa\u00e7\u00e3o. Mas em circunst\u00e2ncias especiais tornam-se mais vis\u00edveis: nas fases marcantes do ciclo da vida, na assembleia dominical e dos sacramentos, nas celebra\u00e7\u00f5es da Palavra, na ora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, nos encontros de partilha de grupos familiares, no gesto significativo de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ap\u00f3s a refei\u00e7\u00e3o em que crian\u00e7as e jovens pedem aos pais e av\u00f3s a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o, na realiza\u00e7\u00e3o de funerais cat\u00f3licos, no in\u00edcio do ano civil e no rito da paz b\u00edblica. Se a b\u00ean\u00e7\u00e3o \u00e9 dada a quem participa, ningu\u00e9m fica exclu\u00eddo. O livro da vida abre-se de par-em-par para ser lido com acerto e sabedoria.<br \/>\nA maior b\u00ean\u00e7\u00e3o para os divorciados recasados \u00e9, sem d\u00favida, o novo parceiro, o outro acolhido como dom de Deus para, juntos, refazerem a vida e realizarem no dia-a-dia a felicidade desejada, embora ferida pela primeira experi\u00eancia. Bendizer a humanidade de quem partilha a mesma aventura, admirar as suas virtudes e capacidades, aceitar a sua fragilidade e saber conviver, namorar a rela\u00e7\u00e3o conseguida, refor\u00e7ar a op\u00e7\u00e3o tomada, acertar novos pontos de esfor\u00e7o pessoal e em casal, rezar a companhia discreta, mas verdadeira, de Jesus sempre convidativo: Vinde a Mim e eu vos darei conforto. Agradecer o outro como dom de Deus \u00e9 a melhor b\u00ean\u00e7\u00e3o poss\u00edvel.<br \/>\nMas h\u00e1 outras que v\u00e3o sendo praticadas na vida pastoral. Chegam testemunhos de v\u00e1rias partes do mundo, mais sens\u00edveis a esta realidade. O blogue \u00abPadres Inquietos\u00bb, 08.07.2007) oferece a ora\u00e7\u00e3o de Armand Le Bourgeois e o testemunho de Jean Gaillot, bispos franceses, j\u00e1 falecidos, de que fa\u00e7o um resumo.<br \/>\n\u201cPe\u00e7o-te, Senhor, que \u00e9s Amor, por todos os homens e mulheres divorciados, com frequ\u00eancia recasados, que guardam o sentimento de um fracasso por vezes doloroso. D\u00e1 \u00e0queles que encontram estes feridos do amor a gra\u00e7a de os acolher como irm\u00e3os. Ilumina tamb\u00e9m a sua Igreja sobre as vias de uma maior miseric\u00f3rdia. E Tu, cujo nome \u00e9 Amor, fortifica no seu amor todos os casais criados \u00e0 Tua imagem que se encontrarem um dia em Ti\u201d.<br \/>\nPor sua vez, adianta Gaillot: \u201cAp\u00f3s a cerim\u00f3nia na conservat\u00f3ria todos, fam\u00edlia e amigos, se re\u00fanem em casa dos rec\u00e9m-casados. Ficamos de p\u00e9, um pouco apertados, na grande sala de estar. Os rec\u00e9m-casados, rodeados pelos filhos, t\u00eam esta b\u00ean\u00e7\u00e3o em grande apre\u00e7o. Para eles \u00e9 um acontecimento carregado de sentido. \u00c9 por isso que tomam a palavra, n\u00e3o s\u00f3 para recordarem a sua situa\u00e7\u00e3o, mas, sobretudo, para dizerem o que tencionam fazer desta nova etapa da sua vida\u2026<br \/>\nEstamos todos presentes para que o seu casamento seja bem-sucedido. \u00c9 distribu\u00edda uma folha, pela qual nos guiamos para cantarmos, com todo o cora\u00e7\u00e3o: \u201cEncontrar na minha vida a tua presen\u00e7a\u201d. Os noivos apresentam-me as alian\u00e7as, que eu aben\u00e7oo e eles d\u00e3o um ao outro: \u201cRecebe esta alian\u00e7a, como s\u00edmbolo do nosso amor e da nossa fidelidade.\u201d A assist\u00eancia aplaude. A breve celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 conclu\u00edda com palavras de paz: \u201cQue a paz esteja nesta casa. Que reine sempre entre v\u00f3s.\u201d A festa continua\u2026<br \/>\nA pr\u00e1tica pastoral que estes dois bispos realizam n\u00e3o \u00e9 fruto apenas das suas ideias pessoais. Mas de \u201cv\u00e1rias dioceses francesas, ap\u00f3s ponderada e longa reflex\u00e3o em grupos de pastoral familiar, reuni\u00f5es presbiterais, e s\u00ednodos diocesanos; tendo sido reconhecida a n\u00edvel oficial por um documento de 2002 dos bispos franceses e contando atualmente com diretrizes provenientes de v\u00e1rias dioceses gaulesas\u201d. (blogue cit, coment\u00e1rio em 2012). \u00c9 preciso apreciar o que se vai fazendo e lutar pelo que desejamos que aconte\u00e7a, dizia eu \u00e0quele amigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o deixa de ser estranho que a Igreja no seu Ritual de B\u00ean\u00e7\u00e3os contemple tanta diversidade de pessoas, de animais e de coisas e mostre relut\u00e2ncia em atender o pedido de divorciados recasados que as desejam para a sua nova situa\u00e7\u00e3o\u201d, diz-me um amigo de velha data familiarizado com esta tem\u00e1tica. 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