{"id":27792,"date":"2018-03-08T15:00:32","date_gmt":"2018-03-08T15:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/?p=27792"},"modified":"2018-03-08T15:02:28","modified_gmt":"2018-03-08T15:02:28","slug":"homem-cristo-militar-jornalista-pedagogo-e-gestor-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/homem-cristo-militar-jornalista-pedagogo-e-gestor-publico\/","title":{"rendered":"HOMEM CRISTO: Militar, Jornalista, Pedagogo e Gestor P\u00fablico"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_27793\" aria-describedby=\"caption-attachment-27793\" style=\"width: 4500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/aveirenses_H_Cristo01_pb.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-27793\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/aveirenses_H_Cristo01_pb.jpg\" alt=\"\" width=\"4500\" height=\"6480\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/aveirenses_H_Cristo01_pb.jpg 4500w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/aveirenses_H_Cristo01_pb-208x300.jpg 208w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/aveirenses_H_Cristo01_pb-768x1106.jpg 768w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/aveirenses_H_Cristo01_pb-711x1024.jpg 711w\" sizes=\"auto, (max-width: 4500px) 100vw, 4500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-27793\" class=\"wp-caption-text\">Francisco Manuel Homem Cristo<br \/>(1860-1943)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Homem Cristo foi um jornalista pol\u00e9mico, sem medo, que por afrontar os poderes mon\u00e1rquicos e republicanos fez de \u201cO Povo de Aveiro\u201d um dos jornais mais lidos e temidos do seu tempo. Textos de Cardoso Ferreira<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Francisco Manuel Homem Cristo nasceu em Aveiro, no dia 8 de mar\u00e7o de 1860, cidade onde faleceu h\u00e1 75 anos, mais precisamente no dia 25 de fevereiro de 1943.<br \/>\nPara al\u00e9m de levar o nome de Aveiro a todo o pa\u00eds, por intermedio do seu jornal \u201cO Povo de Aveiro\u201d, que tinha expans\u00e3o nacional, Homem Cristo foi um impulsionador das obras da Barra e do Porto de Aveiro, tendo exercido o cargo de presidente da Junta Aut\u00f3noma da Ria e da Barra de Aveiro, entre fevereiro de 1925 e dezembro de 1930. Presidiu tamb\u00e9m \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Comercial e Industrial de Aveiro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Agn\u00f3stico pela Diocese<\/strong><br \/>\nApesar de se afirmar agn\u00f3stico e livre-pensador, Homem Cristo foi um dos jornalistas que batalhou pela restaura\u00e7\u00e3o da Diocese de Aveiro.<br \/>\nFoi eleito deputado, por diversas vezes, tendo sido um dos parlamentares mais brilhantes da sua \u00e9poca, caraterizado por discursos vigorosos, claros e incisivos, que n\u00e3o deixavam ningu\u00e9m indiferente.<br \/>\nAveiro reconheceu o trabalho e obra de Homem Cristo em prol da comunidade, atribuindo o seu nome a uma das escolas secund\u00e1rias da cidade e dando o seu nome a uma rua citadina.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Carreira militar<\/strong><br \/>\nCom apenas 16 anos de idade, Homem Cristo iniciou uma carreira militar no Ex\u00e9rcito, tendo efetuado os seus estudos acad\u00e9micos na Academia Militar, facto que n\u00e3o o impediu de simpatizar, desde muito cedo, com os novos ideais pol\u00edticos (republicanos e democr\u00e1ticos) e de intervir ativamente na sociedade, nomeadamente atrav\u00e9s da imprensa, tendo lan\u00e7ado, aos 17 anos de idade, o seu primeiro jornal, intitulado \u201cO Trinta\u201d e, no ano de 1881, foi um dos fundadores do seman\u00e1rio \u201cA Justi\u00e7a\u201d, jornal de cariz republicano.<br \/>\nNo ano seguinte, obteve o posto de alferes e, no dia 29 de janeiro de 1882, lan\u00e7ou o primeiro n\u00famero do seu jornal, intitulado \u201cO Povo de Aveiro\u201d, que manteve apesar de ser oficial militar de carreira. A sua promo\u00e7\u00e3o ao posto de tenente (no Regimento de Ca\u00e7adores 2) coincidiu praticamente com a sua entrada para membro do diret\u00f3rio do Partido Republicano Portugu\u00eas.<br \/>\nEm consequ\u00eancia da revolta de \u201c31 de Janeiro\u201d (de 1891), Homem Cristo foi preso e julgado, sendo absolvido por se ter demonstrado n\u00e3o ter participado nessa fracassada revolta republicana. Por isso, no ano de 1894 foi elevado ao posto de capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito, no qual se manteve at\u00e9 1908, ano em que pediu a sua demiss\u00e3o formal.<br \/>\nHomem Cristo foi um militar competente e que dedicou especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 instru\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o dos soldados para acesso aos diversos postos, tendo sido, para centenas de soldados, o seu professor prim\u00e1rio, ensinando-os a ler e escrever.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Jornalista pol\u00e9mico e sem medo<\/strong><\/div>\n<div>Com o abandono da carreira militar, Homem Cristo enceta uma forte atividade jornal\u00edstica, entrando logo em pol\u00e9mica com ilustres mon\u00e1rquicos no per\u00edodo final da monarquia, fazendo do seu \u201cO Povo de Aveiro\u201d um baluarte dos ideais democr\u00e1ticos e republicanos.<br \/>\nPor motivos pol\u00edticos, \u201cO Povo de Aveiro\u201d esteve suspenso no per\u00edodo compreendido entre 1894 e 1899, regressando nesse \u00faltimo ano \u00e0s bancas. No entanto, com a implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em 5 de outubro de 1910, Homem Cristo continuou pol\u00e9mico, entrando em dissid\u00eancia com os dirigentes republicanos, que ent\u00e3o controlavam o regime, entre os quais Afonso Costa. Prevendo o pior, no ano de 1912, exilou-se voluntariamente em Paris, com a sua fam\u00edlia, o que n\u00e3o o impediu de prosseguir com a edi\u00e7\u00e3o, em Paris, do seu jornal, ent\u00e3o intitulado \u201cO Povo de Aveiro no Ex\u00edlio\u201d.<br \/>\nCom a subida ao poder de Sid\u00f3nio Pais (1917\/1918), Homem Cristo regressou a Portugal, sendo eleito deputado.<br \/>\nTal como j\u00e1 tinha acontecido no per\u00edodo mon\u00e1rquico, tamb\u00e9m o poder republicano suspendeu a publica\u00e7\u00e3o de \u201cO Povo de Aveiro\u201d, pelo que entre 1916 e 1926, o jornal passou a intitular-se \u201cO de Aveiro\u201d. Tendo apoiado o Estado Novo, na sua fase inicial, cedo Homem Cristo entrou em lit\u00edgio com o regime, pelo que \u201cO Povo de Aveiro\u201d foi definitivamente encerrado, por motivos pol\u00edticos, no ano de 1941.<br \/>\nSobre \u201cO Povo de Aveiro\u201d, o aveir\u00f3grafo Eduardo Cerqueira escreveu que Homem Cristo \u201cfoi, praticamente, durante mais de meio s\u00e9culo, o \u00fanico redator. O jornal de que foi diretor, em vez de seguir a fei\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o de propaganda regional, tomou o car\u00e1cter de um contundente panfleto, e como tal atingiu extraordin\u00e1ria difus\u00e3o e popularidade\u201d.<br \/>\nAo longo da vida, Homem Cristo manteve diversas pol\u00e9micas com figuras de diferentes fa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e culturais, incluindo o pr\u00f3prio filho, Homem Cristo (Filho), um jornalista com proje\u00e7\u00e3o internacional e amigo pessoal de Mussolini.<br \/>\nPara al\u00e9m dos jornais que fundou e dirigiu, Homem Cristo deixou textos publicados em diversos outros jornais, com destaque para o \u201cS\u00e9culo\u201d, sendo ainda autor de diversos livros.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Panflet\u00e1rio tem\u00edvel<\/strong><br \/>\nHomem Cristo foi um panflet\u00e1rio tem\u00edvel, como reconheceu o soci\u00f3logo L\u00e9on Poinsard, num artigo publicado em 1910, na revista \u201cLes Documents du Progr\u00e8s\u201d, onde escreveu \u201cexistem na Europa tr\u00eas grandes panflet\u00e1rios: Clemenceau, na Fran\u00e7a; Maximilian Harden, na Alemanha; Homem Cristo, em Portugal\u201d.<br \/>\nPor sua vez, o escritor portugu\u00eas Raul Brand\u00e3o considerou-o o maior panflet\u00e1rio portugu\u00eas desde o padre Jos\u00e9 Agostinho de Macedo.<\/div>\n<div><\/div>\n<h1><\/h1>\n<div>\n<p><strong>Pedagogo e professor universit\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><strong>No ano de 1918, Homem Cristo foi convidado por Ant\u00f3nio de Jos\u00e9 de Almeida para lecionar na ent\u00e3o rec\u00e9m-criada primeira Faculdade de Letras do Porto, como professor contratado do 4.\u00ba Grupo (Ci\u00eancias Hist\u00f3ricas).<\/strong><br \/>\n<strong> No dia 26 de setembro de 1921, quando findaram os dois primeiros anos de contrato, Homem Cristo foi nomeado professor ordin\u00e1rio, regendo as cadeiras de Hist\u00f3ria de Portugal, de Hist\u00f3ria Antiga, de Hist\u00f3ria Medieval, de Hist\u00f3ria Moderna e Contempor\u00e2nea, de Hist\u00f3ria dos Descobrimentos e Coloniza\u00e7\u00e3o Portuguesa, de Hist\u00f3ria Geral da Civiliza\u00e7\u00e3o e de Hist\u00f3ria Universal.<\/strong><br \/>\n<strong> Entre 1923 e 1926, Homem Cristo lan\u00e7ou um forte ataque contra a faculdade em que lecionava, devido a uma quest\u00e3o disciplinar com alunos, numa das suas aulas. Esse facto levou-o a abandonar as suas fun\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas e a exercer o cargo de deputado por Aveiro, ao mesmo tempo que presidia \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Comercial e Industrial e \u00e0 Junta Aut\u00f3noma da Ria e da Barra de Aveiro.<\/strong><br \/>\n<strong> No entanto, com a vit\u00f3ria do Estado Novo, retomou a carreira docente universit\u00e1ria, tendo-se aposentado, por limite idade, em 26 de janeiro de 1931, \u00faltimo ano de funcionamento da primeira Faculdade de Letras da Universidade do Porto, ap\u00f3s o an\u00fancio da sua extin\u00e7\u00e3o, em 1928.<\/strong><br \/>\n<strong> Eduardo Cerqueira considerou que Homem Cristo foi um \u201cap\u00f3stolo convicto e entusiasta da democracia e da instru\u00e7\u00e3o popular\u201d, tendo realizado uma \u201cobra muito valiosa contra o analfabetismo, especialmente, em quart\u00e9is, enquanto oficial\u201d, nomeadamente no Regimento de Infantaria 14 (Viseu).<\/strong><br \/>\n<strong> Numa \u00e9poca em que o ensino ainda era visto como uma quest\u00e3o secund\u00e1ria, Homem Cristo foi um grande apologista do ensino obrigat\u00f3rio para todos.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homem Cristo foi um jornalista pol\u00e9mico, sem medo, que por afrontar os poderes mon\u00e1rquicos e republicanos fez de \u201cO Povo de Aveiro\u201d um dos jornais mais lidos e temidos do seu tempo. 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