{"id":278,"date":"2010-01-13T10:23:00","date_gmt":"2010-01-13T10:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=278"},"modified":"2010-01-13T10:23:00","modified_gmt":"2010-01-13T10:23:00","slug":"pra-viver-ha-que-ter-jeito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pra-viver-ha-que-ter-jeito\/","title":{"rendered":"\u00abP&#8217;ra viver h\u00e1 que ter jeito\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00e1rvore de Zaqueu*                                  * \u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4)<\/p>\n<p>Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor. <!--more--> \u00abN\u00e3o queiras fazer num dia<\/p>\n<p>O que para dois foi feito:<\/p>\n<p>P\u2019ra morrer, basta viver<\/p>\n<p>P\u2019ra viver, h\u00e1 que ter jeito\u2026\u00bb<\/p>\n<p>(Evaristo de Vasconcelos)<\/p>\n<p>(O autor sabe bem o que diz \u2013 teve o grande jeito de ser padre jesu\u00edta, not\u00e1vel psic\u00f3logo\u2026 e caminhar feliz para os 97 anos!). <\/p>\n<p>A M\u00e3e de Jesus tinha mesmo jeito para levar o filho! At\u00e9 fez de conta que n\u00e3o se lembrava do que lhe tinha custado v\u00ea-lo a fugir de casa aos 12 anos, e da estranha resposta dele para se justificar, mais pr\u00f3pria de um adolescente cheio de si. E agora, homem feito, volta a mostrar-se long\u00ednquo\u2026<\/p>\n<p>Mais tarde, quando ouviu que a sua m\u00e3e e irm\u00e3os o procuravam, respondeu (Mateus 12,46-50): \u00abQuem fizer a vontade de meu Pai que est\u00e1 no C\u00e9u, esse \u00e9 que \u00e9 meu irm\u00e3o, minha irm\u00e3 e minha m\u00e3e\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 lugar para inger\u00eancias familiares, quando pode ficar em causa o bem comum intimamente ligado ao \u00abreino de Deus\u00bb. J\u00e1 Plat\u00e3o dizia que os governantes deviam ser os reconhecidamente \u00abamigos da sabedoria\u00bb e n\u00e3o os \u00abamigos\u00bb do dinheiro, do poder e interesseiramente \u201camigos\u201d do seu pequenino grupo de aduladores\u2026<\/p>\n<p>No relato das bodas de Can\u00e1, \u00e9 claramente destacado, pela positiva, o jeito singelo e feminino da M\u00e3e de Jesus. A resposta de Jesus era corrente (e ainda \u00e9) para dizer que o assunto n\u00e3o lhes dizia respeito (o termo \u00abmulher\u00bb n\u00e3o era depreciativo na cultura grega). Nem era o momento escolhido para agir nem o reino de Deus depende de conveni\u00eancias pessoais, embora lhes possa dar resposta (como sucedeu aqui e em casos de curas) e esteja intimamente unido com o bem comum. Por\u00e9m, as dicas que Maria deixou aos servos revelam plena confian\u00e7a na bondade, intelig\u00eancia e poder do seu filho. E simbolizando o plano de salva\u00e7\u00e3o de Deus e a supremacia da \u00abboa nova\u00bb trazida por Cristo, o vinho novo era muito melhor do que o outro vinho! Para o autor do quarto evangelho, a dimens\u00e3o simb\u00f3lica das palavras e dos factos \u00e9 fundamental: o que interessa s\u00e3o as ideias e valores veiculados nos factos descritos \u2013 e est\u00e1 em jogo sublinhar o sentido da miss\u00e3o de Jesus como \u00abo Cristo \u2013 o Ungido, o Eleito \u2013 de Deus\u00bb.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m se fala, neste domingo, da \u00abnova Jerusal\u00e9m\u00bb: dela diz Isa\u00edas que se h\u00e3o-de invejar a justi\u00e7a e a gl\u00f3ria. O termo hebraico traduzido por \u00abgl\u00f3ria\u00bb significa o \u00abpeso\u00bb de uma coisa, o seu valor real, a sua import\u00e2ncia; o renome e a fama s\u00e3o apenas uma consequ\u00eancia. O termo \u00abjusti\u00e7a\u00bb aplica-se a Deus como modelo supremo de toda a integridade; e aplica-se aos outros seres na medida em que estes reflectem a justi\u00e7a divina. \u00c9 esta a cidade humana \u00abcom que Deus quer casar\u00bb: uma cidade onde os habitantes se esfor\u00e7am por melhorar os seus pr\u00f3prios dons, que, quanto mais diversos, maior riqueza total ir\u00e3o produzir (2.\u00aa leitura).<\/p>\n<p>Deus revela-se o maior f\u00e3 poss\u00edvel do amor humano: trata essa \u00abcidade\u00bb como a namorada que um dia h\u00e1-de ser sua noiva (apesar de muitas \u00abaventuras\u00bb\u2026 como podemos ler nos Profetas); e Jesus compara o reino de Deus \u00e0 mais festiva das bodas (Mateus 22,1-14).<\/p>\n<p>Curiosamente, \u00e9 no mais espiritualista e m\u00edstico dos evangelhos que a \u00abvida p\u00fablica de Jesus\u00bb come\u00e7a na festa mais significativa da for\u00e7a de uni\u00e3o e expans\u00e3o do g\u00e9nero humano. A abund\u00e2ncia de vinho \u00e9, na B\u00edblia, s\u00edmbolo de uma \u00e9poca florescente. E o vinho aparece no princ\u00edpio e no fim (na \u00faltima ceia): como s\u00edmbolo estimulante da vida, da amizade e do amor, e da \u00abdestila\u00e7\u00e3o\u00bb de toda uma vida consagrada a abrir horizontes e a fomentar estrat\u00e9gias de paz e de alegria (ideias t\u00e3o batidas como levadas pouco a s\u00e9rio), de uma cidade onde os seres humanos se sentem bem com Deus, e onde se podem reunir para lembrar, partilhando p\u00e3o e vinho, o testemunho de sangue daquele que ficou na Hist\u00f3ria como o Cristo de Deus.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00e1rvore de Zaqueu* * \u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4) Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-278","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/278","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=278"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/278\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}