{"id":27841,"date":"2018-06-27T14:15:37","date_gmt":"2018-06-27T14:15:37","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/?p=27841"},"modified":"2018-06-27T14:19:38","modified_gmt":"2018-06-27T14:19:38","slug":"das-festas-e-arraiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/das-festas-e-arraiais\/","title":{"rendered":"Das festas e arraiais"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_27844\" aria-describedby=\"caption-attachment-27844\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nuno-queiros-1-e1530109148791.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-27844 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nuno-queiros-1-e1530109148791-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-27844\" class=\"wp-caption-text\">NUNO QUEIR\u00d3S Padre. P\u00e1roco de Soza e Santo Ant\u00f3nio de Vagos<\/figcaption><\/figure>\n<p><em><strong>NUNO QUEIR\u00d3S<\/strong><\/em><br \/>\n<em>Padre. P\u00e1roco de Soza <\/em><br \/>\n<em>e Santo Ant\u00f3nio de Vagos<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As festas trazem \u00e0s localidades nos meses de ver\u00e3o uma diversidade de eventos e migra\u00e7\u00e3o de pessoas, muitas vezes congregadas sob o pretexto da comemora\u00e7\u00e3o anual dos padroeiros, mobilizando quer os que c\u00e1 fazem a sua vida, quer os que, na procura de melhores condi\u00e7\u00f5es, rumaram a outras paragens e regressam nesta \u00e9poca para a visita e conv\u00edvio familiar e o merecido descanso.\u00a0 A grande maioria das festividades que v\u00e3o ocorrendo na nossa regi\u00e3o tem por base a religiosidade popular e at\u00e9 as consideramos festas religiosas, ainda que esse denominador cada vez saia mais mesclado com um conjunto de pr\u00e1ticas que pouco dir\u00e3o da f\u00e9, como se a pretexto da manifesta\u00e7\u00e3o devocional, nos libert\u00e1ssemos para exageros, v\u00edcios e excentricidades que dificilmente s\u00e3o j\u00e1 dispensadas. Cada vez menos a comemora\u00e7\u00e3o evocativa do padroeiro, glorifica\u00e7\u00e3o de Deus admir\u00e1vel nos seus santos, que inspiram pelo seu testemunho a vida dos crist\u00e3os, se torna o elemento aglutinador. A Eucaristia festiva, centro desse culto, \u00e9 pouco cuidada e as prociss\u00f5es correm o risco de se tornarem meras manifesta\u00e7\u00f5es externas e desfiles que correm o perigo de ser pouco mais que folclore. A \u201cfesta do Santo\u201d \u00abquando se esvazia do conte\u00fado especificamente crist\u00e3o que estava na sua origem \u2013 a honra prestada a Cristo num dos seus membros \u2013 transforma-se numa manifesta\u00e7\u00e3o meramente social, folcl\u00f3rica ou, no melhor dos casos, numa ocasi\u00e3o prop\u00edcia ao encontro e ao di\u00e1logo entre membros de uma mesma comunidade\u00bb, l\u00ea-se no \u201cDiret\u00f3rio sobre a piedade popular e Liturgia\u201d (n.\u00ba 233, Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, 2001).<br \/>\nN\u00e3o neguemos a oportunidade que a festa traz de reunir a comunidade, trazer a alegria do encontro e a beleza da reuni\u00e3o familiar e convivial. Mas \u00e9 de preocupar o conjunto de exageros que se v\u00eam verificando e devem questionar-nos. Os avultados recursos humanos que s\u00e3o despendidos anualmente para a organiza\u00e7\u00e3o das festas, empenhados todo o ano na log\u00edstica e na angaria\u00e7\u00e3o de fundos econ\u00f3micos que, em certos casos, ascendem \u00e0s centenas de milhares de euros, \u201cqueimados\u201d numa semana em roteiros de divers\u00e3o e entretenimento de pouca qualidade art\u00edstica e moral duvidosa, revelam motiva\u00e7\u00f5es muito pouco claras. Por sua vez, s\u00e3o os setores sociais mais vulner\u00e1veis, os pobres e os jovens, que se perdem bastas vezes em \u00abformas de escravid\u00e3o, novas e subtis\u00bb numa \u00absede desmesurada de prazer ego\u00edsta\u00bb e libertinagem \u2013 menciona o citado diret\u00f3rio \u2013 em exageros de toda a monta. Se estivermos atentos e tivermos a oportunidade de deambular nesses ambientes, verificaremos que a festa do padroeiro, al\u00e9m dos elementos essenciais de express\u00e3o da f\u00e9, que nunca dever\u00e3o ser descurados, pode tornar-se hoje em arraiais de barulho, palcos de exibi\u00e7\u00e3o hedonista e at\u00e9 er\u00f3tica, pra\u00e7as de consumo de \u00e1lcool e estupefacientes, focos de viol\u00eancia e, em \u00faltima an\u00e1lise, escolas de transgress\u00e3o e crime, sob o patroc\u00ednio dos santos da nossa devo\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOs ritmos sociais da moda n\u00e3o nos roubem a genu\u00edna alegria do encontro e a partilha do s\u00e3o divertimento que, num contexto crist\u00e3o, s\u00f3 poder\u00e3o inspirar uma comunidade mais fraterna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NUNO QUEIR\u00d3S Padre. 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