{"id":2789,"date":"2010-10-27T09:42:00","date_gmt":"2010-10-27T09:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2789"},"modified":"2010-10-27T09:42:00","modified_gmt":"2010-10-27T09:42:00","slug":"igreja-orante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/igreja-orante\/","title":{"rendered":"Igreja orante"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 53 <!--more--> Neste ano pastoral, a nossa diocese vai debru\u00e7ar-se sobre o tema da \u201cora\u00e7\u00e3o que gera a esperan\u00e7a\u201d. Um desafio que, bem no fundo, \u00e9 a base da subsist\u00eancia da pr\u00f3pria Igreja. N\u00e3o esque\u00e7amos que ela brota continuamente da Eucaristia, que \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o de Jesus, ao Pai, por n\u00f3s. Que o Esp\u00edrito Santo ora em n\u00f3s com gemidos inef\u00e1veis, como diz S. Paulo. Mas fico alarmado quando vejo as pessoas reunidas para discutir o que fazer para preencher o ano com coisas que se vejam. Como se a ora\u00e7\u00e3o fosse uma tarefa e n\u00e3o uma condi\u00e7\u00e3o e estado de vida.<\/p>\n<p>Podemos debru\u00e7ar-nos sobre o tema da ora\u00e7\u00e3o \u00e0 luz dos m\u00edsticos, por exemplo, ou s\u00f3 da Sagrada Escritura. Podemos propor encontros de ora\u00e7\u00e3o, como adora\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua, que custa a entrar nesta diocese, ou os \u201cCercos de Jeric\u00f3\u201d, ou a ora\u00e7\u00e3o \u00e0 luz de Schoenstatt, ou do movimento carism\u00e1tico, ou de Taiz\u00e9. Tudo isto \u00e9 e ser\u00e1 maravilhoso. Mas temos que nos convencer, praticamente, que a ora\u00e7\u00e3o tem de fluir espontaneamente da e na nossa vida individual e comunit\u00e1ria. Que sem ela perdemos o caminho, como afirma Santa Teresa. Que rezar n\u00e3o \u00e9 organizar momentos, mas chegar a fazer de todos os momentos ora\u00e7\u00e3o. Que esta \u00e9 a tarefa primordial de todo o plano pastoral. Que da\u00ed derivam a caridade, o zelo apost\u00f3lico, a pastoral, a ajuda ao pobre, a esperan\u00e7a, a consci\u00eancia da voca\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a para a dor, o sentido da vida e da morte e tudo o mais que vale, para o c\u00e9u e para a terra. Que no final deste ano a Igreja de Aveiro tem de ter crescido na atitude de orar, que n\u00e3o \u00e9 dizer f\u00f3rmulas apenas, mas deixar-se mover pelo Sopro de Deus, pelo perfumado h\u00e1lito do \u201cRuah\u201d, que \u00e9 o Esp\u00edrito de Deus na B\u00edblia, que paira sobre as \u00e1guas iniciais do livro de G\u00e9nesis.<\/p>\n<p>Podemos, como ouvi em grupo, querer chegar com trabalho feito em plen\u00e1rios: \u201cN\u00f3s fizemos isto e aquilo. E agora, o tema que se segue\u201d. No fundo, quem faz acontecer, na Igreja e no mundo, \u00e9 s\u00f3 Deus. N\u00f3s colaboramos na inutilidade de sermos servos, como diz o Evangelho. A maior sabedoria que se pode atingir na vida \u00e9 entrar na ci\u00eancia e na arte da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso deixar de recomendar a leitura da vida de Santa Teresa de \u00c1vila, ou tamb\u00e9m o \u201cPeregrino Russo\u201d, um cl\u00e1ssico da ora\u00e7\u00e3o. Para chegar \u00e0 atitude da ora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, importa exercitar as cordas da alma com momentos fortes, como diz o Papa, ca\u00eddos diante do sacr\u00e1rio da nossa igreja, para deixar que o Senhor nos invada e nos seduza. A\u00ed, ent\u00e3o, sentiremos a for\u00e7a para calcar os caminhos do mundo como mensageiros da Boa Nova.<\/p>\n<p>Um homem n\u00e3o vai para padre para ajudar os outros. Pode faz\u00ea-lo muito bem sem ser padre e a\u00ed est\u00e1 a nobre voca\u00e7\u00e3o do leigo. E uma mulher n\u00e3o vai para o convento para ajudar. Pode fazer isso sendo casada ou solteira. O que nos move a sermos consagrados, neste sentido, pois consagrados somos todos pelo baptismo, \u00e9 o desejo e a certeza de termos sido separados do mundo para a ora\u00e7\u00e3o e regressar ao mundo como agentes da arte de orar, fazer encontro de amor com o esposo de nossas almas, que \u00e9 Cristo. Claro, tamb\u00e9m pela caridade pastoral. Mas o padre s\u00f3 \u00e9 preciso como tal por causa de celebrar a Missa e rezar o Brevi\u00e1rio (que se chama hoje Liturgia das Horas) pela santifica\u00e7\u00e3o do Povo. Esta \u00e9 sua tarefa primordial. Falhou a\u00ed, falhou em tudo. A religiosa, no convento, tem de se perguntar: O que fa\u00e7o eu na vida que me distinga de uma mulher casada com filhos e catequista? Que especificidade \u00e9 a minha? Em que me distingo para ser testemunha e de que coisa o sou? <\/p>\n<p>Depois de um ano sacerdotal, podemos ficar alarmados por ver que continuamos a dar mais valor ao que se faz do que ao orar. Continuam a perguntar-nos sobre o que fazer, quantas reuni\u00f5es marcar\u2026 Por\u00e9m, o povo de Deus continua sedento, pois lhes tiramos, em nome da pastoral, as suas express\u00f5es v\u00e1lidas a que chamamos devo\u00e7\u00f5es. Formar, sim. Mas sempre a partir da ora\u00e7\u00e3o. Nunca o contr\u00e1rio. A sensibilidade dos homens entende Cristo que os convida, quando Ele se exp\u00f5e numa cust\u00f3dia.<\/p>\n<p>Que este ano seja decisivo para que a nossa t\u00e3o querida diocese seja conhecida, n\u00e3o s\u00f3 por belos congressos e s\u00ednodos, mas por ser operante pela caridade, simplesmente porque aprendeu a rezar, a orar. E a deixar Deus fazer.<\/p>\n<p>P.e Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 53<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-2789","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2789","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2789"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2789\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}