{"id":2863,"date":"2010-11-03T09:59:00","date_gmt":"2010-11-03T09:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2863"},"modified":"2010-11-03T09:59:00","modified_gmt":"2010-11-03T09:59:00","slug":"quando-o-porto-e-o-benfica-chutaram-pelo-seminario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quando-o-porto-e-o-benfica-chutaram-pelo-seminario\/","title":{"rendered":"Quando o Porto e o Benfica chutaram pelo Semin\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Em 1948, Porto e Benfica defrontaram-se no velhinho M\u00e1rio Duarte em favor da constru\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio de Aveiro<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo domingo h\u00e1 jogo grande. Para quem gosta de futebol, mesmo que n\u00e3o aprecie as equipas em confronto, poucos jogos s\u00e3o mais aliciantes do que um Porto-Benfica. A \u00faltima vez que as equipas se defrontaram foi em Aveiro, para a Superta\u00e7a, no dia 7 de Agosto passado. E desde ent\u00e3o \u00e9 aguardado um novo embate entre uma equipa que no ano passado parecia imbat\u00edvel, o Benfica, e a outra que este ano ainda n\u00e3o foi derrotada, o Porto. Mas no historial dos confrontos entre os dois clubes rivais, houve um jogo in\u00e9dito, provavelmente o mais pac\u00edfico de todos. O jornal \u201cA Bola\u201d recordou na edi\u00e7\u00e3o de 7 Agosto de 2010, a quando da Superta\u00e7a, que h\u00e1 62 anos, na cidade da Ria, os rivais ajudaram a erguer o Semin\u00e1rio de Aveiro.<\/p>\n<p>Foi no dia 13 de Maio de 1948 que o Est\u00e1dio M\u00e1rio Duarte, perto do Semin\u00e1rio que estava a ser constru\u00eddo, se encheu para a disputa da \u201cTa\u00e7a Arcebispo-Bispo de Aveiro\u201d. Organizado pela Comiss\u00e3o do Semin\u00e1rio, o jogo realizou-se \u00e0s 18 horas para permitir \u201cque a ele assistam os peregrinos que regressam de F\u00e1tima\u201d, como escreveu ent\u00e3o o Correio do Vouga, adiantando que o est\u00e1dio estava a sofrer \u201cgrandes beneficia\u00e7\u00f5es\u201d em ordem ao \u201csensacional encontro\u201d.<\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o seguinte deste jornal, sem dizer o resultado, D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal escreveu que o convite fora acolhido por ambas as equipas \u201ccom uma tal amplid\u00e3o de vistas\u201d, \u201ccom um tal rasgo de entusiasmo\u201d, \u201ccom uma tal delicadeza de express\u00f5es\u201d, que pouco importava o resultado, j\u00e1 que a vit\u00f3ria pendeu para o Semin\u00e1rio. <\/p>\n<p>\u201cEu, por exemplo, ningu\u00e9m me viu nunca at\u00e9 aqui a dar palmas num stadium, num desses campos de jogo, muito menos a assobiar; quem me puxou desta vez para o Parque, quem me fez abrir a boca de pasmo e parar por instantes o cora\u00e7\u00e3o diante das habilidades ou da bravura dos contendores, quem me levou como que por uma corda ao pesco\u00e7o at\u00e9 ali, quem l\u00e1 me conservou do princ\u00edpio ao fim da peleja, quem poderia ser esse potent\u00edssimo \u00edman, esse atractivo invenc\u00edvel, esse dominador, quem poderia ser ele, se n\u00e3o fosse o Semin\u00e1rio!? E como eu, quantos, sabe-se l\u00e1 quantos!\u201d, escreveu o arcebispo-bispo de Aveiro.<\/p>\n<p>Diz o jornal \u201cA Bola\u201d, no texto assinado por Paulo Horta, que \u201coitenta contos (hoje 400 euros), muito dinheiro para a \u00e9poca, ter\u00e1 sido quanto rendeu a festa futebol\u00edstica no Est\u00e1dio M\u00e1rio Duarte\u201d. E remata: \u201cTr\u00eas anos depois, a 14 de Novembro de 1951, iniciou-se a actividade escolar no Semin\u00e1rio de Santa Joana Princesa, um bonito edif\u00edcio que, actualmente, tem a Universidade de Aveiro como vizinha e que perpetua a originalidade com que foi desenhado nos estiradores de um gabinete de arquitectura portuense\u201d.<\/p>\n<p>E o resultado desse Porto-Benfica? 4-2. Ganhou o FCP. Seis golos a favor do Semin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Dizem <\/p>\n<p>que o bispo era o \u00e1rbitro<\/p>\n<p>Dizem-me que houve um jornal que anunciou ao seu p\u00fablico que quem era o \u00e1rbitro do jogo, nessa tarde de 13 de Maio, no M\u00e1rio Duarte, era o bispo da diocese. Foi lapso de informa\u00e7\u00e3o, com certeza, mas teve gra\u00e7a. Esta esp\u00e9cie de pontificais n\u00e3o se encontra indubitavelmente nos Sagrados C\u00e2nones, n\u00e3o t\u00eam lugar, nem mesmo secund\u00e1rio, na liturgia dos nossos livros. N\u00e3o \u00e9 fun\u00e7\u00e3o que se exer\u00e7a de mitra e b\u00e1culo solenemente. E tanto eu n\u00e3o era o \u00e1rbitro, que estava continuamente a perguntar aos meus dois vizinhos, sobretudo ao da esquerda, o Director Geral dos Desportos, a raz\u00e3o dos entusiasmos mais ou menos vibrantes da plateia; sinal de que eu n\u00e3o percebia nada, absolutamente nada do que se estava a passar ali; que s\u00f3 sabia que tudo aquilo era chuva do c\u00e9u, delicioso orvalho sobre os alicerces, sobre as paredes, sobre as telhas do Semin\u00e1rio!<\/p>\n<p>Quem ganhou? Eu sei l\u00e1 quem ganhou! Quem ganhou n\u00e3o foi tanto o Benfica ou o Porto, quem ganhou na realidade, ao fim de contas, foi o pobrezinho do Semin\u00e1rio!<\/p>\n<p>Ide l\u00e1 daqui a pouco, e j\u00e1 o vereis de fato novo, de gravata ao pesco\u00e7o, de flor na lapela!<\/p>\n<p>D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, no Correio do Vouga de 22 de Maio de 1948<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1948, Porto e Benfica defrontaram-se no velhinho M\u00e1rio Duarte em favor da constru\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio de Aveiro No pr\u00f3ximo domingo h\u00e1 jogo grande. Para quem gosta de futebol, mesmo que n\u00e3o aprecie as equipas em confronto, poucos jogos s\u00e3o mais aliciantes do que um Porto-Benfica. 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