{"id":2889,"date":"2010-11-03T10:32:00","date_gmt":"2010-11-03T10:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2889"},"modified":"2010-11-03T10:32:00","modified_gmt":"2010-11-03T10:32:00","slug":"novos-e-velhos-uma-parceria-necessaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/novos-e-velhos-uma-parceria-necessaria\/","title":{"rendered":"Novos e velhos, uma parceria necess\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>O tema andava-me no esp\u00edrito desde h\u00e1 muito. Um entrevista de h\u00e1 dias f\u00ea-lo vir ao de cima e motivou-me a escrever. Um cirurgi\u00e3o de renome internacional, Gentil Martins, conhecido pelo \u00eaxito de opera\u00e7\u00f5es com siameses, retirou-se h\u00e1 dez anos por reforma. Tendo-lhe sido perguntado se, em casos dif\u00edceis como o dos beb\u00e9s angolanos, que acabaram por morrer, lhe era pedida opini\u00e3o, dado o seu saber e experi\u00eancia respondeu: \u201cN\u00e3o me disseram nada, porque se uma opera\u00e7\u00e3o destas corre bem, tecnicamente \u00e9 um brilharete. E eu entendo que n\u00e3o queiram partilhar o brilharete\u201d (DN 19.10.2010). \u00c9 este o problema. Muitos novos na pol\u00edtica, na profiss\u00e3o, na vida social e at\u00e9 em inst\u00e2ncias da Igreja, preferem mais fazer caminho sozinhos do que com outros que os precederam e procurar com eles a melhor maneira de servir a comunidade e o bem de todos. Por este caminho, a solu\u00e7\u00e3o de problemas que se poderia, qui\u00e7\u00e1, encontrar com a ajuda dos mais velhos e experientes, redunda, por vezes, em decis\u00e3o menos acertada.<\/p>\n<p>O apagamento das pessoas de antes \u00e9 mais frequente do que se pode imaginar. Muitas vezes, ele \u00e9 bem doloroso para gente s\u00e9ria e competente, que foi arrumada na prateleira, em favor de outros que chegam sem hist\u00f3ria e experi\u00eancia, sem maturidade e sensatez. Nunca ser\u00e3o os lugares a dar compet\u00eancia \u00e0s pessoas, mas as pessoas competentes a valorizar e prestigiar aos lugares. <\/p>\n<p>Os novos podem trazer \u00e0 vida um entusiasmo e um saber te\u00f3rico mais actualizado. Devem, por isso, ser acolhidos com gratid\u00e3o. Muitas vezes, por\u00e9m, o seu horizonte de vida \u00e9 ainda restrito e limitado o conhecimento da hist\u00f3ria, do caminho andado ao longo do tempo, das dificuldades superadas, das batalhas travadas, dos \u00eaxitos alcan\u00e7ados. Tudo isto constitui um patrim\u00f3nio da comunidade, seja ela pol\u00edtica, familiar, profissional ou eclesial. Uma riqueza e uma experi\u00eancia que residem em pessoas concretas que n\u00e3o se podem menosprezar. Trata-se de gente que j\u00e1 mostrou capacidade e saber com uma vida dedicada e s\u00e9ria, e pode confirm\u00e1-lo de novo, se for solicitada. A vida de quem se habituou \u00e0 luta n\u00e3o p\u00e1ra com a aposenta\u00e7\u00e3o, e, menos ainda, com as decis\u00f5es arbitr\u00e1rias de quem julga saber tudo e poder tudo, e para quem os outros, mormente os mais velhos, s\u00e3o sobretudo inc\u00f3modos.<\/p>\n<p>Na Igreja, as p\u00e1ginas l\u00facidas do Vaticano II recomendam aos padres mais idosos que acolham os mais novos e d\u00eaem valor aos seus contributos e capacidades. E aos mais novos que acolham, tamb\u00e9m, os colegas mais idosos, dado o seu trabalho e compet\u00eancia. Ningu\u00e9m come\u00e7a do zero, nem pode, numa miss\u00e3o em favor da comunidade, desvalorizar o trabalho v\u00e1lido e o saber adquirido, em tempos com poucas facilidades e dispondo de meios bem mais escassos.<\/p>\n<p>Novos e velhos podem sempre fazer parcerias construtivas em favor de decis\u00f5es e de trabalho de interesse colectivo. Sabemos que os tempos v\u00e3o mal para os mais velhos, arredados a empurr\u00f5es para que deixem o caminho aberto aos ansiosos de poder. N\u00e3o desculpam quem lhes trava a ambi\u00e7\u00e3o. Querem tr\u00e2nsito livre. <\/p>\n<p>Quem ainda n\u00e3o chegou \u00e0 maturidade da idade, vem decerto a caminho. N\u00e3o se pode esquecer que a justi\u00e7a, quando tarda, tamb\u00e9m ela vem a caminho e n\u00e3o deixa de ter e exigir a sua hora.<\/p>\n<p>A Igreja tem o dever de testemunhar e promover o acolhimento dos mais novos e o apre\u00e7o pelos mais idosos. Jo\u00e3o Paulo II, com a fragilidade vis\u00edvel do seu corpo, era aconselhado a afastar-se. Ficou at\u00e9 ao fim. As suas palavras j\u00e1 n\u00e3o se entendiam. Tornou-se ent\u00e3o, mais eloquente o exemplo de vida, o sentido do dever, a aceita\u00e7\u00e3o positiva e valorizada das suas limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. O valor de uma vida n\u00e3o \u00e9 fruto do muito ou pouco que se faz, mas da postura pessoal frente ao dever de ser e de agir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tema andava-me no esp\u00edrito desde h\u00e1 muito. Um entrevista de h\u00e1 dias f\u00ea-lo vir ao de cima e motivou-me a escrever. Um cirurgi\u00e3o de renome internacional, Gentil Martins, conhecido pelo \u00eaxito de opera\u00e7\u00f5es com siameses, retirou-se h\u00e1 dez anos por reforma. 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