{"id":2898,"date":"2010-10-13T09:59:00","date_gmt":"2010-10-13T09:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2898"},"modified":"2010-10-13T09:59:00","modified_gmt":"2010-10-13T09:59:00","slug":"quanto-aguenta-manter-as-maos-levantadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quanto-aguenta-manter-as-maos-levantadas\/","title":{"rendered":"Quanto aguenta manter as m\u00e3os levantadas?"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c0rvore de Zaqueu <!--more--> Na verdade, at\u00e9 as deixamos ca\u00eddas, as mais das vezes. Seja por cansa\u00e7o, seja por pregui\u00e7a, seja porque achamos que n\u00e3o vale a pena fazer nada\u2026 Outras vezes porque nos sentimos s\u00f3s, sem algu\u00e9m que nos anime a levantar os bra\u00e7os.<\/p>\n<p>Outras vezes, levantamos as m\u00e3os e pomos os olhos no c\u00e9u, de tal maneira parece inconceb\u00edvel aquilo que vemos ou ouvimos\u2026 <\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que qualquer destas formas de levantar as m\u00e3os se relaciona com trabalho ou \u00e9 um pedido de ajuda para compreender o que se passa e saber agir em conformidade.<\/p>\n<p>E os textos de hoje quase nos fazem levantar as m\u00e3os de espanto: Mois\u00e9s acha que Deus s\u00f3 o ajuda e ao seu povo se lhe vir as m\u00e3os bem erguidas ao alto, mesmo que pare\u00e7a um truque de magia\u2026 Como se Deus pudesse ser chantageado ou tivesse \u00abfilhos e enteados\u00bb.<\/p>\n<p>Jesus Cristo conta a hist\u00f3ria da vi\u00fava injusti\u00e7ada por um ju\u00edz in\u00edquo, mas que tanto e tanto importunou o juiz que este, para se ver livre dela, lhe deu um despacho favor\u00e1vel. Seria t\u00e3o bom que ao menos essa justi\u00e7a fosse garantida nesses tempos como nos tempos de agora\u2026 <\/p>\n<p>\u00c9 estranho como a humanidade tem levado tanto tempo a deixar de ver em Deus um parceiro das pol\u00edticas de destrui\u00e7\u00e3o dos \u00abinimigos\u00bb. Ainda hoje facilmente vestimos Deus com as bandeiras nacionais\u2026<\/p>\n<p>Quanto ao evangelho, n\u00e3o \u00e9 verdade que Deus parece t\u00e3o longe das nossas ora\u00e7\u00f5es, nomeadamente daquelas mais desinteressadas, pela paz, pelo amor entre os homens \u2013 como Jesus queria mais que tudo? <\/p>\n<p>Desta vez, \u00e9 S. Paulo que parece falar mais claro: \u00abEnsina, corrige, forma segundo a justi\u00e7a\u00bb e \u00abcom toda a paci\u00eancia\u00bb. As m\u00e3os que trabalham s\u00e3o as m\u00e3os que rezam, dizer a verdade j\u00e1 \u00e9 vencer \u2013 mas mesmo aqui, n\u00e3o basta o saber, \u00e9 preciso muita paci\u00eancia. E a paci\u00eancia, como tudo o que \u00e9 bom, tem que ser cultivada em comunidade.<\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a maneira correcta de \u00ablevantar as m\u00e3os\u00bb, de tomar consci\u00eancia de que nunca estamos sozinhos, e que h\u00e1 sempre algu\u00e9m a nosso lado para nos ajudar quer a bater palmas, quer a pedir ajuda, quer a cumprir o ditado de que \u00abo trabalho do menino \u00e9 pouco mas quem o despreza \u00e9 louco\u00bb\u2026<\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o acto humano mais presente na espiritualidade de todos os tempos e religi\u00f5es. \u00c9 aquele que mais pode dignificar o ser humano, pois nos unimos n\u00e3o s\u00f3 pelas nossas fraquezas como pela for\u00e7a de \u00abcriados \u00e0 imagem de Deus\u00bb.<\/p>\n<p>Toda a B\u00edblia \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o de um povo que tanto foge como procura a Deus, atordoado com a mistura do que \u00e9 humano e divino \u2013 uma experi\u00eancia dif\u00edcil de ser pensada, e ainda mais dif\u00edcil de traduzir na nossa vida em que se misturam guerras, crimes, amores e poesia. Lendo hoje os passos estranhos da B\u00edblia, lemos como \u00e9 que nos temos havido com o Deus que se quer juntar a n\u00f3s, sem violentar a nossa liberdade e entrando na roda das alegrias, prazeres e frustra\u00e7\u00f5es.\t<\/p>\n<p>Uma das grandes limita\u00e7\u00f5es \u00e9 o cansa\u00e7o, que pode corroer a esperan\u00e7a. Talvez seja esse o sentido da pergunta de Jesus: ser\u00e1 que n\u00f3s mantemos a nossa f\u00e9, apesar do sil\u00eancio de Deus, por muito que Ele prometa que nos ouve? Quantas gera\u00e7\u00f5es inteiras morrem sem gozar, aparentemente, da experi\u00eancia da paz e da justi\u00e7a? Onde est\u00e1 a resposta de Deus? Ser\u00e1 mesmo verdade que \u00abDeus d\u00e1 o frio conforme a roupa\u00bb?<\/p>\n<p>\u00c9 misterioso o encontro de Deus com os seres humanos, mesmo antes da nossa morte. E Jesus lembra que \u00e9 dif\u00edcil manter ao alto as m\u00e3os da f\u00e9, isto \u00e9, continuar sempre prontos a agir.<\/p>\n<p>Jesus morreu sem sentir o apoio nem dos ap\u00f3stolos nem de Deus na crueza dos momentos finais da vida. Mas n\u00e3o se cansou de olhar para Deus como um Pai.<\/p>\n<p>Talvez seja uma li\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s: inventar \u00abt\u00e9cnicas\u00bb para nos mantermos atentos a uma vis\u00e3o do mundo menos parcelar ou ego\u00edsta e mais capaz de englobar a inc\u00f3moda diversidade das posi\u00e7\u00f5es humanas. Sobretudo nos grandes momentos da vida, a ora\u00e7\u00e3o, mesmo s\u00f3 do ponto de vista psicol\u00f3gico, concentra toda a energia espiritual, aumentando a pr\u00f3pria resist\u00eancia corporal. Mas, mais do que isso, d\u00e1-nos um pouco da perspectiva divina, s\u00f3 ela capaz de dar sentido ao que parece sem sentido. S\u00f3 ela capaz de nos fazer sentir \u00abfilhos\u00bb, por muito que o Pai pare\u00e7a ausente.<\/p>\n<p>E como filhos livres, at\u00e9 podemos aldrabar um bocadinho \u00abo Padre Nosso\u00bb: Acreditamos que \u00e9s Pai e desejamos o teu \u00abreino\u00bb, embora frequentemente n\u00e3o percebamos o que isso quer dizer; anima-nos a levantar as m\u00e3os para que a justi\u00e7a se v\u00e1 realizando; e quando a gente se distrai, n\u00e3o te escondas muito e aumenta a nossa sagacidade e coragem para escolher o bem.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c0rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-2898","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2898","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2898"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2898\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2898"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2898"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2898"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}