{"id":2923,"date":"2010-11-10T09:48:00","date_gmt":"2010-11-10T09:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2923"},"modified":"2010-11-10T09:48:00","modified_gmt":"2010-11-10T09:48:00","slug":"a-sinfonia-do-novo-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-sinfonia-do-novo-mundo\/","title":{"rendered":"A Sinfonia do Novo Mundo"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Foi composta pelo checo Dvorak, quando vivia em Nova Iorque, no final do s\u00e9c. XIX. Com o ritmo e melodias desse \u201cnovo mundo\u201d, transformou a velha saudade do seu velho mundo europeu, resultando numa das mais c\u00e9lebres sinfonias da hist\u00f3ria da m\u00fasica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m os textos lit\u00fargicos dos \u00faltimos domingos nos falam de um novo mundo, anunciado pelos profetas e por Jesus, ora em termos suaves ora por cen\u00e1rios violentos e mesmo aterradores. N\u00e3o sentimos tudo isso, nos nossos dias? N\u00e3o o sentiu toda a Humanidade, ao longo da sua hist\u00f3ria?<\/p>\n<p>Sabemos que as imagens apocal\u00edpticas apenas nos pretendem chamar a aten\u00e7\u00e3o para o simbolismo da sua mensagem. <\/p>\n<p>Aconte\u00e7a o que acontecer e como vai acontecendo, o que importa \u00e9 mostrar que a nossa f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 da boca para fora, mas que vivemos com ela t\u00e3o naturalmente, com tanta coer\u00eancia, que as nossas palavras e ac\u00e7\u00f5es nascem da nossa sede de justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Como se diz num pequeno livro de J\u00fcrgen Moltmann (\u00abQuem \u00e9 Cristo para n\u00f3s, hoje?\u00bb), n\u00e3o faz sentido falar do \u201cfim dos tempos\u201d sem falar da ressurrei\u00e7\u00e3o. Tudo come\u00e7ou com a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u2013 justamente aquilo que, na vida de Jesus, n\u00e3o pode de modo algum ser considerado um facto segundo os crit\u00e9rios da hist\u00f3ria, embora tenha provocado ineg\u00e1veis consequ\u00eancias da mais alta import\u00e2ncia: entre elas, o surgimento de uma pergunta radicalmente nova para a Humanidade, e que n\u00e3o tem deixado de provocar os homens de todos os tempos \u2013 a pergunta sobre o sentido da vida e de toda a Cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na linguagem b\u00edblica, como na linguagem promordial de v\u00e1rias religi\u00f5es, o Homem e a natureza est\u00e3o necessariamente ligados. Mas pertence \u00e0 riqueza do ser humano descobrir em si mesmo o desejo de todo o universo por se transformar num mundo novo sem cat\u00e1strofes naturais e humanas. Este desejo ganhou mais consist\u00eancia, com o fen\u00f3meno da \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb de Jesus, experienciada desde os primeiros tempos at\u00e9 aos nossos dias, como esperan\u00e7a de uma \u00e1rvore carregada de frutos. Da \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb em si n\u00e3o h\u00e1 testemunhas: de Cristo vivo \u2013 isso sim, sempre houve e h\u00e1 testemunhas.\t<\/p>\n<p>A unidade, cada vez mais comprovada, do Homem com a natureza, n\u00e3o permite a reden\u00e7\u00e3o de uma parte sem a outra. Podemos dizer que ressuscitamos  para um mundo \u00abecologicamente\u00bb novo. Com a \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb de Cristo, experimentamos n\u00e3o s\u00f3 que todas as coisas no mundo se v\u00e3o alterando, mas que a pr\u00f3pria vida \u2013 para n\u00f3s \u00aba coisa\u00bb mais preciosa \u2013 j\u00e1 come\u00e7a a transformar-nos em \u201ccon-criadores\u201d dos novos c\u00e9us e da nova terra. A \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb passa assim a ser o acto mais profundo da Cria\u00e7\u00e3o, cujo objectivo \u00e9 a espress\u00e3o da gl\u00f3ria de Deus na felicidade do universo \u2013 \u00e9  o cosmos inteiro num processo de renascimento.<\/p>\n<p>A morte de Cristo \u00e9 passagem, transfigura\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o uma ruptura com o universo da nossa experi\u00eancia. A vida eterna n\u00e3o deixa de ser vida; o renascimento n\u00e3o deixa de ser a alegria do nascimento. E a sabedoria de Deus (evangelho) \u00e9 que nos ensina a trabalhar para que haja mais vida (2.\u00aa leitura). Contempla\u00e7\u00e3o (mesmo a que se diz amorosa) n\u00e3o pode ser pregui\u00e7a. <\/p>\n<p>Quem ama a vida exp\u00f5e-se \u00e0 dor e \u00e0 morte, mas com a esperan\u00e7a da vit\u00f3ria universal sobre tudo o que \u00e9 morte. Amando nesta nossa vida, experimentamos j\u00e1 a ressurrei\u00e7\u00e3o no acto de amor. O amor \u00e9 mais forte do que a morte, porque aposta na sua pr\u00f3pria for\u00e7a de vida.<\/p>\n<p>A morte \u00e9 a desagrega\u00e7\u00e3o, a desuni\u00e3o. A vida \u00e9 unifica\u00e7\u00e3o. Temos disto experi\u00eancia quer nas nossas rela\u00e7\u00f5es humanas quer no mundo bio-f\u00edsico. E n\u00e3o \u00e9 este o sentimento de unidade e de vida de dois amantes quando se fazem um s\u00f3?<\/p>\n<p>Com o Esp\u00edrito da ressurrei\u00e7\u00e3o, posso viver, amar e morrer, sabendo que com tudo isso estou a construir a sinfonia de um novo mundo. <\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-2923","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2923","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2923"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2923\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}