{"id":2935,"date":"2010-10-27T09:55:00","date_gmt":"2010-10-27T09:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2935"},"modified":"2010-10-27T09:55:00","modified_gmt":"2010-10-27T09:55:00","slug":"dias-de-reafirmar-a-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/dias-de-reafirmar-a-esperanca\/","title":{"rendered":"Dias de reafirmar a esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Nos pr\u00f3ximos dias, os cemit\u00e9rios, esses \u201clugares do sono\u201d, segundo a etimologia crist\u00e3 da palavra, enchem-se de pessoas. A morte \u00e9 uma certeza, ainda que mal preparada, e n\u00e3o tem nome. J\u00e1 a vida tem a garantia de uma pessoa: Jesus Cristo.<\/p>\n<p>No dia 1 de Novembro, comemoram-se todos os santos, isto \u00e9, os que est\u00e3o junto de Deus, reconhecidos pela Igreja ou an\u00f3nimos (a grande maioria). O dia seguinte \u00e9 consagrado, desde o s\u00e9c. XI, \u00e0 mem\u00f3ria dos fi\u00e9is defuntos. \u201cQuer os fi\u00e9is que vivem na gl\u00f3ria, quer os que vivem na purifica\u00e7\u00e3o, preparando-se para a vis\u00e3o de Deus, s\u00e3o todos membros de Cristo pelo Baptismo. Continuam todos unidos a n\u00f3s. A Igreja peregrina n\u00e3o podia, por isso, ao celebrar a Igreja da gl\u00f3ria, esquecer a Igreja que se purifica no Purgat\u00f3rio\u201d, l\u00ea-se no s\u00edtio do Secretariado Nacional de Liturgia, que adianta que \u201co Dia de Fi\u00e9is Defuntos n\u00e3o \u00e9 dia de luto e tristeza. \u00c9 dia de mais \u00edntima comunh\u00e3o com aqueles que \u00abn\u00e3o perdemos, porque simplesmente os mand\u00e1mos \u00e0 frente\u00bb (S. Cipriano). \u00c9 dia de esperan\u00e7a, porque sabemos que os nossos irm\u00e3os ressurgir\u00e3o em Cristo para uma vida nova\u201d.<\/p>\n<p>Dois dias para afirmar a morte e celebrar a vida, quando o tema \u201cmorte\u201d, principalmente se se trata da \u201cpr\u00f3pria morte\u201d n\u00e3o \u00e9, de maneira nenhuma popular. \u201cHouve um tempo em que a morte nos era pr\u00f3xima, fazia parte da sociedade e da fam\u00edlia e, embora n\u00e3o fosse uma boa amiga, n\u00e3o lhe desvi\u00e1vamos os olhos \u00e0 passagem. Harmoniz\u00e1vamo-nos com os ritmos da natureza e no horizonte tudo parecia presen\u00e7a dessa imensa pequena palavra: Deus. Era-nos, ent\u00e3o, mais f\u00e1cil encontrar paz na ideia de morrer. V\u00edamo-la como natural, embora t\u00e3o misteriosa quanto a ideia de nascer. Hoje, escondemos a morte; s\u00f3 nos ecr\u00e3s \u00e9 que a expomos sem pudor. Mas este excesso cont\u00ednuo de imagens provoca exactamente o efeito de desgaste e a indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 morte e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida\u201d, afirma um folheto que a Diocese do Porto vai distribuir \u00e0 entrada dos cemit\u00e9rios nos pr\u00f3ximos dias. Intitulada \u201cMorreste-me\u201d, a brochura de 16 p\u00e1ginas n\u00e3o cont\u00e9m data nem autores, mas foi escrita por padres e te\u00f3logos, sob coordena\u00e7\u00e3o do Secretariado Diocesano da Pastoral da Cultura \u2013 Porto, para uma reflex\u00e3o em qualquer \u00e9poca do ano sobre a morte pr\u00f3pria e do outro.<\/p>\n<p>A morte \u00e9 abafada nas conversas. Afastada para os hospitais. Temida ou desejada sem real aceita\u00e7\u00e3o. \u201cPor isso, estamos sempre a surpreender-nos com aquilo que, no fundo, est\u00e1vamos \u00e0 espera. Num instante, anunciada ou de surpresa tr\u00e1gica, ela a\u00ed est\u00e1 naqueles que nos morrem. E, anunciada ou de surpresa tr\u00e1gica, chegar\u00e1 a nossa vez\u201d.<\/p>\n<p>Perante ela inelut\u00e1vel realidade (o grande te\u00f3logo Karl Rahner falava em \u201cprolixitas mortis\u201d, presen\u00e7a da morte em tudo o que fazemos, enquanto o fil\u00f3sofo Heidegger, repescando uma express\u00e3o de S. Greg\u00f3rio Magno, dizia que o ser humano \u00e9 o \u201cser para a morte\u201d), \u201cn\u00e3o s\u00f3 a espiritualidade, mas tamb\u00e9m a psicologia imp\u00f5e-nos como tarefa [pelo menos] na velhice a prepara\u00e7\u00e3o para a morte\u201d, escreve o monge Anselm Gr\u00fcn em \u201cA sublime arte de envelhecer\u201d (ed. Paulinas), sugerindo mesmo um \u201ctreino para a morte\u201d. \u201cVivemos e morremos n\u00e3o s\u00f3 para n\u00f3s, mas tamb\u00e9m para os outros. Na morte, torna-se evidente que aquilo que salva a nossa vida \u00e9 o amor. Quando completamos o nosso amor na morte, a nossa morte \u00e9 redimida, libertando, depois, algo para os outros. O medo desaparece e sentir-nos-emos ligados de uma forma diferente: connosco e com Deus. \u00c9 a\u00ed que reside o segredo da reden\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da morte de Jesus na cruz\u201d.<\/p>\n<p>Na mesma linha segue o folheto distribu\u00eddo na diocese vizinha: \u201cO amor \u00e9 a ponte que une o \u00ednfimo ao infinito. A vida n\u00e3o nos \u00e9 roubada na morte, porque ela nunca foi nossa, nunca possu\u00edmos a vida como bem pessoal que conquistamos por direito. Foi-nos dada para a restituirmos, para a darmos (\u2026). Lidamos mais com as palavras gastas, mas h\u00e1 palavras que s\u00e3o far\u00f3is de vida. A esperan\u00e7a leva dentro a confian\u00e7a da F\u00e9. (\u2026) Mais do que fim, ser\u00e1 princ\u00edpio, em comunh\u00e3o com o Amor inteiro, com aquele mais que nos faltava quando, por aqui, fomos felizes. A nossa confian\u00e7a tem nome de ressurrei\u00e7\u00e3o e garantia de pessoa: Jesus Cristo\u201d.    <\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos pr\u00f3ximos dias, os cemit\u00e9rios, esses \u201clugares do sono\u201d, segundo a etimologia crist\u00e3 da palavra, enchem-se de pessoas. A morte \u00e9 uma certeza, ainda que mal preparada, e n\u00e3o tem nome. J\u00e1 a vida tem a garantia de uma pessoa: Jesus Cristo. 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