{"id":2988,"date":"2010-11-10T11:26:00","date_gmt":"2010-11-10T11:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2988"},"modified":"2010-11-10T11:26:00","modified_gmt":"2010-11-10T11:26:00","slug":"crise-nao-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/crise-nao-para-todos\/","title":{"rendered":"Crise? N\u00e3o para todos"},"content":{"rendered":"<p>Escrevo esta pequena reflex\u00e3o em tempos de recess\u00e3o econ\u00f3mica. A presente crise j\u00e1 \u00e9 considerada por muitos como uma das mais graves de que h\u00e1 mem\u00f3ria, pois os seus efeitos est\u00e3o a ser terr\u00edveis e n\u00e3o se sabe at\u00e9 quando ir\u00e3o durar.<\/p>\n<p>Os analistas s\u00e3o un\u00e2nimes ao considerarem que o descalabro financeiro atual teve origem nas estruturas econ\u00f3micas mundiais, que o geraram atrav\u00e9s da especula\u00e7\u00e3o e que os governos neoliberais se apressaram a injetar muitos milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares, para evitarem que o sistema entrasse em colapso. <\/p>\n<p>Daqui se infere que tiveram que ser os contribuintes a assumir o \u00f3nus dessa atitude de \u201cbombeiro\u201d dos governos ocidentais. E como, na sua maioria, esses governos tamb\u00e9m se tinham tornado despesistas, a verdade \u00e9 que \u201cos mesmos de sempre\u201d se v\u00eaem com a carga de suportar a crise.<\/p>\n<p>Por\u00e9m (pasme-se!), neste cen\u00e1rio bastante cinzento para as classes de menores rendimentos e para a classe m\u00e9dia, as classes mais altas (salvo uma ou outra exce\u00e7\u00e3o) n\u00e3o t\u00eam sentido grandemente os efeitos da crise. Ali\u00e1s, para o segmento da popula\u00e7\u00e3o com maiores recursos financeiros estes tempos \u201cdif\u00edceis\u201d t\u00eam sido de fei\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>E nem sequer precisamos de sair do pa\u00eds para ilustrar esta situa\u00e7\u00e3o! Aponto alguns exemplos.<\/p>\n<p>Segundo um estudo internacional apresentado j\u00e1 este ano (referente a 2009), Portugal segue os demais pa\u00edses do mundo no aumento do n\u00famero de milion\u00e1rios. Assim, e em plena crise, 11 mil portugueses j\u00e1 t\u00eam fortunas acima de um milh\u00e3o de d\u00f3lares (perto de um milh\u00e3o de euros). Ou seja, o n\u00famero de milion\u00e1rios no nosso pa\u00eds cresceu mais 5,5% do que no ano anterior!<\/p>\n<p>Talvez o estudo explique o pr\u00f3ximo exemplo.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, ainda sem estarem dispon\u00edveis n\u00fameros concretos do INE sobre o sector do Turismo, alguns dados j\u00e1 permitiam antever que o Ver\u00e3o de 2010 acentuou uma tend\u00eancia, j\u00e1 do ano de 2009, que evidencia um aumento no n\u00famero de estadias nos hot\u00e9is de 5 estrelas em Portugal, contrariando o decr\u00e9scimo na ocupa\u00e7\u00e3o dos restantes hoteis nacionais. Ou seja, em tempos de crise, os empreendimentos tur\u00edsticos de luxo s\u00e3o os \u00fanicos que conseguem fugir a ela. <\/p>\n<p>Poderia apresentar in\u00fameros exemplos de que, nesta l\u00f3gica neoliberal em que vivemos, as crises econ\u00f3micas v\u00e3o continuar a acontecer porque n\u00e3o atingir\u00e3o grandemente os mais abastados.   <\/p>\n<p>Concluo apenas com uma not\u00edcia j\u00e1 deste m\u00eas de Novembro, segundo a qual, os quatro maiores bancos portugueses, esses mesmo que aparentemente estariam em apuros \u201cvitimados\u201d pelos mercados financeiros, aumentaram os seus dividendos nos primeiros nove meses de 2010. E agora apresentam lucros na ordem de 4 milh\u00f5es de euros por dia! <\/p>\n<p>Perante tudo isto, e quando estes paradoxos s\u00e3o gradualmente mais gritantes e se tornam cada vez mais comuns, h\u00e1 que parar para pensar \u201conde \u00e9 que n\u00f3s iremos parar?\u201d<\/p>\n<p>Uma ordem econ\u00f3mica que permite tais desigualdades n\u00e3o pode continuar. A sociedade civil \u2013 os milh\u00f5es e milh\u00f5es a quem a crise efectivamente atinge \u2013 tem que se mobilizar contra a perpetua\u00e7\u00e3o deste sistema injusto e excludente. Os crist\u00e3os tamb\u00e9m n\u00e3o podem compactuar com ele. Teremos que fazer ouvir a nossa voz. N\u00e3o podemos calar-nos nas cr\u00edticas a este sistema. \u00c9 urgente que deixemos a nossa posi\u00e7\u00e3o, tantas vezes de complac\u00eancia activa ou passiva, e entremos em di\u00e1logo com todos aqueles que buscam alternativas. Para que as alternativas possam um dia surgir e para que n\u00f3s, por coer\u00eancia com a mensagem libertadora de Cristo, possamos colaborar na sua constru\u00e7\u00e3o.   <\/p>\n<p>Jorge Caravalhais escreve segundo as normas do recente acordo ortogr\u00e1fico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrevo esta pequena reflex\u00e3o em tempos de recess\u00e3o econ\u00f3mica. A presente crise j\u00e1 \u00e9 considerada por muitos como uma das mais graves de que h\u00e1 mem\u00f3ria, pois os seus efeitos est\u00e3o a ser terr\u00edveis e n\u00e3o se sabe at\u00e9 quando ir\u00e3o durar. 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