{"id":2999,"date":"2010-11-17T09:25:00","date_gmt":"2010-11-17T09:25:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2999"},"modified":"2010-11-17T09:25:00","modified_gmt":"2010-11-17T09:25:00","slug":"nao-e-hora-de-regredir-e-hora-de-transgredir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/nao-e-hora-de-regredir-e-hora-de-transgredir\/","title":{"rendered":"&#8220;N\u00e3o \u00e9 hora de regredir; \u00e9 hora de transgredir&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A met\u00e1fora da luz conduziu D. Ant\u00f3nio Couto na reflex\u00e3o sobre o futuro do mundo. A verdade e o sentido v\u00eam de fora. Precisamos de uma nova aurora. <\/p>\n<p>\u201cEstamos num tempo novo em que temos de ir \u00e0 frente. Vai-se \u00e0 frente evangelizando. Motivados. Pr\u00f3-activos e n\u00e3o reactivos. Viramos o mundo do avesso se mudarmos os cora\u00e7\u00f5es, as mentes, as cabe\u00e7as. Somos irm\u00e3os. O que fazemos com esta fraternidade? \u00c9 tempo de nos posicionarmos de forma diferente\u201d.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Couto terminou em chave crist\u00e3-mission\u00e1ria a sua reflex\u00e3o sobre o futuro do mundo actual. Falou a convite do Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas de Aveiro (ISCRA), no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura (CUFC), na noite de 3 de Novembro. O sal\u00e3o encheu-se para ouvir o Bispo Auxiliar de Braga e presidente da Comiss\u00e3o Episcopal para as Miss\u00f5es.<\/p>\n<p>O que terminou com apelos \u00e0 miss\u00e3o foi tecido com linhas b\u00edblico-filos\u00f3ficas. A reflex\u00e3o t\u00e3o depressa invocou o profeta Isa\u00edas como apelou ao soci\u00f3logo polaco Zygmunt Bauman, lembrou a judia alem\u00e3, carmelita, Edith Stein ou remeteu para Rosmini, um te\u00f3logo cujo pensamento, ap\u00f3s a sua morte, em 1855, foi condenado pela hierarquia cat\u00f3lica, mas que hoje \u00e9 visto como tendo sabido fazer uma aproxima\u00e7\u00e3o entre a cultura e o cristianismo.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Couto notou que a Modernidade (\u00faltimos s\u00e9culos) foi o tempo das luzes. Uma das suas fases ficou conhecida precisamente por \u201cIluminismo\u201d (s\u00e9c. XVII-XVIII). \u201cOusar saber\u201d era o mote. A raz\u00e3o humana queria \u201cser independente de qualquer v\u00ednculo\u201d. Por\u00e9m, a \u201cradical obra de demoli\u00e7\u00e3o dos obst\u00e1culos\u201d empreendida pela raz\u00e3o iluminista desembocou na \u201credu\u00e7\u00e3o de tudo ao \u00abeu\u00bb e ao mesmo, o que s\u00f3 produz solid\u00e3o\u201d. O homem moderno, que decretou a \u201cmorte de Deus\u201d, \u00e9 um homem s\u00f3.<\/p>\n<p>Seguiu-se a \u201cmet\u00e1fora de noite ou a p\u00f3s-modernidade\u201d, que \u00e9 o tempo em que nos encontramos. Agora o ser humano \u00e9 como que o pequeno grupo que se salvou do navio naufragado e sobrevive numa jangada. Diz o Bispo Auxiliar de Braga sobre o homem contempor\u00e2neo: \u201cPequenos grupos de amigos, individualmente juntos mas fechados nos pequenos rituais e com um vocabul\u00e1rio correspondente. Nacos de solid\u00e3o (\u2026). E \u00e9 logo noite. Estamos na noite do mundo, no tempo do ex\u00edlio. Insens\u00edveis. Sem causas. Sem sonhos nem utopias, num tempo atomizado a que se chama momento. Vive-se num instante, sem passado nem futuro. T\u00e1bua solta, \u00e0 deriva, sem salva\u00e7\u00e3o, como reflectia o fil\u00f3sofo italiano Gianni Vattimo\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a? A seguir \u00e0 noite vem a aurora, a \u201cluz que vem de fora\u201d. Em vez do \u201ccogito, ergo sum\u201d (\u201cpenso, logo existo\u201d) da modernidade, vale o \u201camor, ergo sum\u201d (\u201csou amado, logo existo\u201d). \u201cSair \u00e9 nascer. O \u00abtu\u00bb vem antes do \u00abeu\u00bb\u201d, disse, citando Emanuel Mournier. No novo tempo, a verdade n\u00e3o est\u00e1 centrada no sujeito (racionalismo), mas \u00e9 antes \u201cdesocultamento, desoculta\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 \u201cacolhimento com espanto, alegria e reconhecimento\u201d. Por isso, o prelado convidou a pensar a partir da morte e do nascimento (\u201cirm\u00e3o, nasce-se; a fraternidade s\u00f3 se recebe; reconhece-se\u201d), a n\u00e3o cair na ilus\u00e3o de \u201ctrocar o fim \u00faltimo pelo pen\u00faltimo\u201d.<\/p>\n<p>No final, antes do apelo que inicia este texto, D. Ant\u00f3nio Couto convidou \u00e0 transgress\u00e3o: \u201cN\u00e3o \u00e9 hora de regredir; \u00e9 hora de transgredir, dar um passo em frente\u201d. N\u00e3o apelava certamente \u00e0 anarquia, mas antes \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o com a ordem presente, as vistas curtas, os horizontes limitados, o acomodamento. Lembrou por isso o epit\u00e1fio de Ernst Bloch, \u00abPensar \u00e9 transgredir\u00bb, contou a f\u00e1bula da tartaruga que morre de patas para o ar, mas ao menos v\u00ea as estrelas, e lamentou a situa\u00e7\u00e3o daquele que \u201c\u00e9 t\u00e3o pobre, t\u00e3o pobre, t\u00e3o pobre que s\u00f3 tem dinheiro\u201d. Mais um autor, para terminar, Julien Green: \u201cEnquanto estiverdes inquietos, podeis estar tranquilos\u201d.<\/p>\n<p>As confer\u00eancias intituladas \u201cTert\u00falias \u00e0 quarta\u201d prosseguem no dia 1 de Dezembro com o padre e fil\u00f3sofo Anselmo Borges. O tema \u00e9: \u201cQue actualidade tem hoje Jesus Cristo?\u201d<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A met\u00e1fora da luz conduziu D. Ant\u00f3nio Couto na reflex\u00e3o sobre o futuro do mundo. A verdade e o sentido v\u00eam de fora. Precisamos de uma nova aurora. \u201cEstamos num tempo novo em que temos de ir \u00e0 frente. Vai-se \u00e0 frente evangelizando. Motivados. Pr\u00f3-activos e n\u00e3o reactivos. Viramos o mundo do avesso se mudarmos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-2999","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2999","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2999"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2999\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2999"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2999"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2999"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}