{"id":3043,"date":"2010-11-17T10:21:00","date_gmt":"2010-11-17T10:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3043"},"modified":"2010-11-17T10:21:00","modified_gmt":"2010-11-17T10:21:00","slug":"a-resvalar-para-a-lixeira-e-para-o-atoleiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-resvalar-para-a-lixeira-e-para-o-atoleiro\/","title":{"rendered":"A resvalar para a lixeira e para o atoleiro"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 na nossa sociedade realidades positivas que n\u00e3o se podem esquecer, porque nunca o pessimismo que mata a esperan\u00e7a \u00e9 porta de sa\u00edda para qualquer problema. H\u00e1 decis\u00f5es pol\u00edticas e in\u00fameras e louv\u00e1veis iniciativas privadas em prol do bem comum. S\u00e3o estas iniciativas de pessoas, grupos e institui\u00e7\u00f5es, que travam os press\u00e1gios de um fim doloroso. As preocupa\u00e7\u00f5es com o Or\u00e7amento e afins varreram para segundo plano ou fizeram sair do tablado das responsabilidades um mundo de problemas concretos que tocam a vida das pessoas e tornam o ambiente social mais problem\u00e1tico e grave. A interdepend\u00eancia \u00e9 uma lei da natureza que n\u00e3o se pode esquecer. \u201cH\u00e1 vida para al\u00e9m da crise\u201d, advertiu um pol\u00edtico sensato, para dizer que uma fixa\u00e7\u00e3o de quem governa arrasta sempre consequ\u00eancias sociais imprevis\u00edveis. Para al\u00e9m dos problemas sociais que se v\u00eam agravando, um deles \u00e9 a lixeira, imoral e amoral, em que o pa\u00eds se est\u00e1 tornando, j\u00e1 a resvalar para um atoleiro, de onde n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil sair. Entretanto, multiplicam-se as v\u00edtimas da inc\u00faria e do sil\u00eancio. S\u00e3o pais amorda\u00e7ados que podem cada vez menos, e crian\u00e7as e jovens que, fascinados pelo abismo e com caminho abertos, s\u00e3o empurrados para usufruir o mais f\u00e1cil, sem regras e \u00e0 revelia. <\/p>\n<p>O pa\u00eds foi-se tornando, pouco a pouco, uma anarquia \u201cdourada\u201d. N\u00e3o apenas por culpa do governo, mas, certamente, por raz\u00e3o de muitas omiss\u00f5es suas e medidas concretas que favorecem esta realidade, sempre que os governantes se julgam senhores e donos do pa\u00eds, a exigir que todos comam da sua m\u00e3o e pensem pela sua cabe\u00e7a. Mas n\u00e3o faltam outros agentes activos desta situa\u00e7\u00e3o, gente vocacionada para destruir o que vale e tem ra\u00edzes de esperan\u00e7a, em troca de interesses e pol\u00edticas de passagem, que vingam n\u00e3o pelo seu valor, mas por patroc\u00ednios impens\u00e1veis e caminhos \u00ednvios e pouco honestos, bem conhecidos pela vit\u00f3ria do facto consumado. Se v\u00edssemos esta gente, do governo e de fora, a negar, por inc\u00f3modo, o interesse da democracia participativa e os direitos humanos fundamentais, logo se entenderia o que os faz correr e falar. Destru\u00eddas institui\u00e7\u00f5es essenciais como a fam\u00edlia, esvaziada a escola dos valores que lhe compete transmitir, dada r\u00e9dea solta a meios de comunica\u00e7\u00e3o social, vazios de conte\u00fados e prenhes de porcaria e banalidades, aceites e bem pagos muitos dos fautores de projectos lesivos da cidadania e da dignidade, abertos buracos na lei que proporcionam caminho f\u00e1cil \u00e0 venda livre de drogas, j\u00e1 nada se pode estranhar. Legisladores, uns muito sabedores e outros impreparados, com um mundo de problemas a atender, gastam o tempo \u00e0 volta de leis que abafam remorsos pessoais, e satisfazem, a troco de votos, grupos minorit\u00e1rios, fautores de ideologias de importa\u00e7\u00e3o, alheias \u00e0 leg\u00edtima tradi\u00e7\u00e3o e cultura de um povo, sem que nada disso o enrique\u00e7a e em muito o desvirtue.<\/p>\n<p>O resultado desta pol\u00edtica est\u00e1 \u00e0 vista. Em cada tr\u00eas casamentos, dois d\u00e3o div\u00f3rcio; a natalidade decresce de modo cont\u00ednuo e preocupante, deixando o pa\u00eds sem futuro; o planeamento familiar reduz-se pouco mais que \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o gratuita de drogas que mais favorecem prazeres f\u00e1ceis e que n\u00e3o educam cidad\u00e3os respons\u00e1veis; as gravidezes precoces dispararam e ningu\u00e9m se interroga sobre os causadores de tal desgra\u00e7a e lhes pede responsabilidades; a vida humana passou a valor secund\u00e1rio e prec\u00e1rio; as formas de viol\u00eancia multiplicam-se; a grande corrup\u00e7\u00e3o alastra; os grandes delinquentes s\u00e3o os pobres que se apoderam de ninharias para matar a fome e s\u00e3o postos na rua por n\u00e3o terem pago, porque nada t\u00eam, a renda de uma casa a que o senhorio se negou a dar qualquer conforto; o desemprego galopante significa fome e revolta\u2026  <\/p>\n<p>No meio deste panorama, surge agora a exposi\u00e7\u00e3o \u201cSexo, e ent\u00e3o?\u201d para crian\u00e7as dos 9 aos 14 anos, onde os adultos s\u00e3o inc\u00f3modos, onde se recomenda \u00e0s crian\u00e7as ouvidos surdos aos conselhos e avisos dos pais, onde se diz que a crian\u00e7a deve iniciar a sua vida sexual quando quiser e lhe apetecer e para isso se lhe ensina ali na pr\u00e1tica como deve fazer. E mais, e mais\u2026 Tudo isto importado de Fran\u00e7a, com tecnologia de ponta, apoio banc\u00e1rio, facilidades de toda a ordem e abertura at\u00e9 Agosto de 2011\u2026 Vale a pena perguntar se \u00e9 isto para o governo a educa\u00e7\u00e3o sexual, se o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o conhece e aprova, se a equipa do Dr. Daniel Sampaio embarca no m\u00e9todo e na linguagem, se os educadores e os representantes da associa\u00e7\u00f5es de pais aprovam.<\/p>\n<p>Iniciativas lindas para educar os afectos e mostrar a beleza dos sentimentos, que as h\u00e1 a\u00ed a merecer gratid\u00e3o e apoio, o Estado e as empresas, que muito podiam fazer, passam-lhe ao lado. N\u00e3o faltam bons livros, cursos organizados para educadores, material adequado, iniciativas de escolas para uma s\u00e9ria educa\u00e7\u00e3o sexual. Mas ao Minist\u00e9rio e aos seus bra\u00e7os operativos, n\u00e3o lhes interessa sen\u00e3o obedecer aos seus crit\u00e9rios e esquemas. Quem s\u00f3 tem lixo e s\u00f3 produz lixo, n\u00e3o pode oferecer sen\u00e3o lixo. S\u00f3 quem tem flores e cultiva flores pode oferecer flores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 na nossa sociedade realidades positivas que n\u00e3o se podem esquecer, porque nunca o pessimismo que mata a esperan\u00e7a \u00e9 porta de sa\u00edda para qualquer problema. H\u00e1 decis\u00f5es pol\u00edticas e in\u00fameras e louv\u00e1veis iniciativas privadas em prol do bem comum. 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