{"id":3045,"date":"2010-11-24T09:31:00","date_gmt":"2010-11-24T09:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3045"},"modified":"2010-11-24T09:31:00","modified_gmt":"2010-11-24T09:31:00","slug":"se-nao-pedirmos-e-nao-recebermos-nao-poderemos-dar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/se-nao-pedirmos-e-nao-recebermos-nao-poderemos-dar\/","title":{"rendered":"&#8220;Se n\u00e3o pedirmos e n\u00e3o recebermos, n\u00e3o poderemos dar&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Desde 1997, depois de uma longa carreira militar e de fun\u00e7\u00f5es na C\u00e2mara Municipal de Aveiro, como vice-presidente, Martinho Pereira \u00e9 presidente da direc\u00e7\u00e3o do Banco Alimentar Contra a Fome \u2013 Aveiro. Nos dias 27 e 28 de Novembro realiza-se mais uma campanha de recolha de alimentos. Por causa dos tempos de crise, Martinho Pereira considera que \u201cas pessoas que t\u00eam alguma coisa para si v\u00e3o lembrar-se mais dos que n\u00e3o t\u00eam nada\u201d. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; A pr\u00f3xima campanha, nos dias 27 e 28, em contexto de dificuldades econ\u00f3micas, \u00e9 para o Banco Alimentar Contra a Fome \u2013 Aveiro (ou simplesmente Banco), a mais importante de sempre?<\/p>\n<p>MARTINHO PEREIRA &#8211; Eu acho que sim. Muita gente me questiona dizendo que vai ser uma m\u00e1 campanha porque os tempos est\u00e3o maus. Eu acho o contr\u00e1rio. \u00c9 nos tempos de crise que as pessoas que t\u00eam alguma coisa para si que se lembram mais dos que n\u00e3o t\u00eam nada. \u00c9 desse esp\u00edrito de partilha que o Banco vive. As pessoas sabem que o Banco n\u00e3o quer nada para ele, mas para dar. H\u00e1 muitas dificuldades, mas quem recebe o seu vencimento no fim do m\u00eas vai lembrar-se de quem est\u00e1 no desemprego e n\u00e3o recebe nada.<\/p>\n<p>As not\u00edcias dizem que a fome reaparece em Portugal. H\u00e1 aumento de pedidos no Banco?<\/p>\n<p>Estou seriamente preocupado porque, de facto, h\u00e1 institui\u00e7\u00f5es a p\u00f4r o problema. A  press\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es aumenta. Por isso, temos necessidade de divulgar a campanha e de sensibilizar as pessoas. Se j\u00e1 n\u00e3o podemos fazer a multiplica\u00e7\u00e3o dos bens, ao menos fa\u00e7amos a divis\u00e3o. A n\u00edvel nacional, os diversos bancos est\u00e3o a contactar os p\u00e1rocos no sentido de ajudarem na divulga\u00e7\u00e3o da campanha nas duas vertentes: voluntariado e cidad\u00e3os que possam dar. Se n\u00e3o pedirmos e n\u00e3o recebermos, n\u00e3o podemos dar. O ciclo termina. Para o Banco, n\u00e3o queremos nada. O que temos \u00e9 para dar \u00e0s institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sentimos uma amargura grande por vermos sistematicamente a chegar pedidos: \u201cPrecisamos de mais. Precisamos de mais. Precisamos de mais\u201d. E n\u00f3s n\u00e3o temos para dar.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es descarregam no Banco. O Banco n\u00e3o apoia pessoas. Apoia institui\u00e7\u00f5es. Quem recebe os pedidos das pessoas e quem tem mais sensibilidade para as necessidades s\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es. N\u00f3s recebemos os pedidos delas. Dizem-nos que j\u00e1 distribu\u00edram tudo e que aparece mais gente.<\/p>\n<p>Por dia \u00fatil, distribu\u00edmos, em m\u00e9dia, 7,3 toneladas de alimentos. Ficamos apenas com algum fundo de maneio para emerg\u00eancias que possam surgir.<\/p>\n<p>Quantas institui\u00e7\u00f5es apoia o Banco de Aveiro?<\/p>\n<p>184 do distrito de Aveiro. Permanentemente. O que equivale a cerca de 32 mil pessoas. Desde a inf\u00e2ncia at\u00e9 \u00e0 terceira idade. O Banco apoia institui\u00e7\u00f5es na sua globalidade.<\/p>\n<p>Analisamos antes de apoiar. Quando uma institui\u00e7\u00e3o se candidata, h\u00e1 uma equipa que vai visit\u00e1-la, n\u00e3o com um \u201cesp\u00edrito pidesco\u201d, mas para ter a no\u00e7\u00e3o do que \u00e9 e faz a institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dar \u00e9 f\u00e1cil. Dar com justi\u00e7a \u00e9 tremendamente dif\u00edcil. Aparecem sempre problemas. Mas temos uma norma que habitualmente usamos na direc\u00e7\u00e3o, quando analisamos os casos: na d\u00favida \u00e9 prefer\u00edvel dar a n\u00e3o dar.<\/p>\n<p>Temos cerca de 30 institui\u00e7\u00f5es em lista de espera. As 184 institui\u00e7\u00f5es recebem os seus cabazes normais, dois por semestre. H\u00e1 depois os cabazes extraordin\u00e1rios, que at\u00e9 s\u00e3o em maior n\u00famero.<\/p>\n<p>Chegam ao Banco, por exemplo, 80 toneladas de iogurtes. Ent\u00e3o, chamamos n\u00e3o s\u00f3 as 184 institui\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m as outras. A vida desse g\u00e9nero alimentar \u00e9 curta, pelo que tem de ser logo distribu\u00eddo. Por outro lado, os bens dados t\u00eam de corresponder \u00e0s necessidades e condi\u00e7\u00f5es de quem os recebe. Um grupo C\u00e1ritas e ou de vicentinos n\u00e3o pode receber muitos iogurtes porque n\u00e3o t\u00eam meios de conserva\u00e7\u00e3o. T\u00eam de distribu\u00ed-los de imediato \u00e0s fam\u00edlias que apoiam.<\/p>\n<p>Numa campanha angariamos 200 toneladas. Mas distribu\u00edmos mil e tal. Hoje as empresas j\u00e1 sabem que \u00e9 melhor dar do que pagar para destruir e poluir o ambiente. Dando ao Banco, recebem um recibo correspondente ao que d\u00e3o, que \u00e9 majorado em 140 por cento em sede do IRC.<\/p>\n<p>Quais os g\u00e9neros alimentares de que o Banco necessita na pr\u00f3xima campanha?<\/p>\n<p>G\u00e9neros alimentares n\u00e3o perec\u00edveis, como sempre: arroz, massa, feij\u00e3o, gr\u00e3o, farinha, a\u00e7\u00facar, azeite\u2026 Os sacos que distribu\u00edmos t\u00eam impressa uma lista desses alimentos. <\/p>\n<p>S\u00e3o alimentos que habitualmente as ind\u00fastrias n\u00e3o d\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Sim. Mas tamb\u00e9m j\u00e1 tem havido d\u00e1divas de bens deste tipo.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguma campanha junto das empresas?<\/p>\n<p>Contact\u00e1mos as empresas agr\u00edcolas e do ramo alimentar, para que saibam que \u00e9 prefer\u00edvel dar o Banco a terem de destruir. As empresas est\u00e3o sensibilizadas. N\u00e3o enumero nenhuma, mas s\u00e3o v\u00e1rias as que d\u00e3o ao Banco.<\/p>\n<p>O sucesso da campanha depende muito de quem d\u00e1, mas tamb\u00e9m dos volunt\u00e1rios que d\u00e3o os sacos e recolhem os alimentos&#8230;<\/p>\n<p>O voluntariado \u00e9 o grande capital do Banco. Sem volunt\u00e1rios, o Banco cairia por terra. Ficaria como uma empresa que paga aos seus funcion\u00e1rios. O Banco n\u00e3o paga. Recebe trabalho de quem d\u00e1 de si antes de pensar em si. O esp\u00edrito de solidariedade \u00e9 extraordin\u00e1rio. Basta ir \u00e0 sala de triagem [onde se separam os alimentos] ou a qualquer posto de recolha para ver que est\u00e1 ali o corte social de Aveiro, desde a pessoa do campo ao juiz, do m\u00e9dico ao professor. H\u00e1 uma amostragem de toda a sociedade aveirense. O Banco precisa de 1800 volunt\u00e1rios para uma campanha. S\u00f3 para Aveiro s\u00e3o 500. Sem volunt\u00e1rios, n\u00e3o conseguimos pedir. Sem pedir, n\u00e3o recebemos. Se n\u00e3o recebemos, n\u00e3o temos para dar.<\/p>\n<p>Montar a campanha \u00e9 p\u00f4r em funcionamento uma m\u00e1quina muito pesada. Para transportar os alimentos at\u00e9 ao Banco, por exemplo, temos de bater a muitas portas de pessoas que t\u00eam carrinhas. Felizmente, al\u00e9m dos ve\u00edculos das institui\u00e7\u00f5es, h\u00e1 empresas amigas, inclusive empresas de rent-a-car, que emprestam viaturas. <\/p>\n<p>H\u00e1 recolha em todos os concelhos do distrito?<\/p>\n<p>Arouca e Castelo de Paiva s\u00e3o os \u00fanicos concelhos do distrito onde n\u00e3o h\u00e1 recolha. Mas pode vir a haver em breve.<\/p>\n<p>Falava-se h\u00e1 tempos da mudan\u00e7a de instala\u00e7\u00f5es do Banco Alimentar. Dizia-se que teria de deixar as instala\u00e7\u00f5es do Centro Coordenador de Transportes, junto \u00e0 esta\u00e7\u00e3o da CP\u2026<\/p>\n<p>Foi um problema que nos causou muita instabilidade. Cheg\u00e1mos a pensar que a pr\u00f3xima campanha j\u00e1 n\u00e3o se realizaria naquelas instala\u00e7\u00f5es. A C\u00e2mara tem sido sens\u00edvel ao problema do Banco Alimentar. O local \u00e9 \u00f3ptimo. \u00c9 muito central em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade. Tem \u00f3ptimos meios de acesso. Vamos continuar por ali. Se nos for amputada uma parte das instala\u00e7\u00f5es, ser\u00e1 acrescentada outra.<\/p>\n<p>Contacto telef\u00f3nico do Banco Alimentar Contra a Fome \u2013 Aveiro para recep\u00e7\u00e3o de volunt\u00e1rios<\/p>\n<p>234 381 192<\/p>\n<p>Na semana passada, na p\u00e1gina 15 do Correio do Vouga, o n\u00famero de telefone estava incorrecto, bem como o nome da funcion\u00e1ria do Banco Alimentar, que \u00e9 Clara Amorim. Aos visados, as nossas desculpas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1997, depois de uma longa carreira militar e de fun\u00e7\u00f5es na C\u00e2mara Municipal de Aveiro, como vice-presidente, Martinho Pereira \u00e9 presidente da direc\u00e7\u00e3o do Banco Alimentar Contra a Fome \u2013 Aveiro. Nos dias 27 e 28 de Novembro realiza-se mais uma campanha de recolha de alimentos. 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