{"id":3121,"date":"2010-12-02T12:22:00","date_gmt":"2010-12-02T12:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3121"},"modified":"2010-12-02T12:22:00","modified_gmt":"2010-12-02T12:22:00","slug":"sou-uma-ponte-para-ajudar-a-comunicar-com-a-comunidade-cigana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sou-uma-ponte-para-ajudar-a-comunicar-com-a-comunidade-cigana\/","title":{"rendered":"&#8220;Sou uma ponte para ajudar a comunicar com a comunidade cigana&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Rodrigues Seabra, 41 anos, cigano, \u00e9 mediador s\u00f3cio-cultural para as comunidades ciganas do concelho de Aveiro. Trabalha entre o Projecto Multi-Sendas (da C\u00e1ritas Diocesana, que o contratou como entidade gestora), a divis\u00e3o da Habita\u00e7\u00e3o Social da C\u00e2mara Municipal de Aveiro e as 48 fam\u00edlias ciganas residentes em casas camar\u00e1rias mais as quatro comunidades em acampamentos (tr\u00eas em Ervideiros, Esgueira\/Cacia, e uma em S\u00e3o Bernardo). Nesta entrevista, na sequ\u00eancia do semin\u00e1rio \u201cMediar para Incluir\u201d, que decorreu no dia 23 de Novembro, fala da sua miss\u00e3o de \u201cfacilitador da comunica\u00e7\u00e3o\u201d. N\u00e3o acredita na integra\u00e7\u00e3o plena da comunidade cigana, mas defende passos firmes de aproxima\u00e7\u00e3o de ambos os lados. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; O que faz um mediador?<\/p>\n<p>JO\u00c3O SEABRA &#8211; O mediador \u00e9 um facilitador da comunica\u00e7\u00e3o entre os servi\u00e7os e a comunidade de etnia cigana. \u00c9 tamb\u00e9m um gestor e mediador de conflitos. Exer\u00e7o essas fun\u00e7\u00f5es desde 1 de Outubro de 2009. H\u00e1 um ano e pouco, portanto.<\/p>\n<p>Em que consiste o seu dia-a-dia de trabalho?<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas eixos de interven\u00e7\u00e3o em que trabalho: \u00e1rea da habita\u00e7\u00e3o, \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o e \u00e1rea da l\u00fadico-cultural.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea da habita\u00e7\u00e3o, medeia conflitos com rendas, obras\u2026?<\/p>\n<p>Fa\u00e7o visita \u00e0s habita\u00e7\u00f5es e articulo com os v\u00e1rios departamentos da C\u00e2mara Municipal de Aveiro para resolver problemas inerentes \u00e0s habita\u00e7\u00f5es. Fa\u00e7o alguns atendimentos com as t\u00e9cnicas da divis\u00e3o de habita\u00e7\u00e3o social. Implica, por exemplo, sensibilizar a comunidade cigana para as regras que h\u00e1 a cumprir. Muitas vezes n\u00e3o entendem os procedimentos que t\u00eam de ser efectuados porque fazem parte da lei.<\/p>\n<p>O caso mais comum \u00e9 o das obras de melhoria das habita\u00e7\u00f5es. N\u00e3o entendem que para requerer \u00e9 necess\u00e1rio fazer v\u00e1rios procedimentos. Querem as obras logo na hora. N\u00e3o t\u00eam no\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 um tempo para esperar e que o pedido tem de passar por v\u00e1rias fases at\u00e9 ser aprovado. E a seguir possa ser executado.<\/p>\n<p>O que faz no campo da educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Fazemos um trabalho de articula\u00e7\u00e3o com as escolas e de sensibiliza\u00e7\u00e3o dos pais. \u00c9 importante lembrar-lhes que a educa\u00e7\u00e3o e a escola s\u00e3o importantes para o futuro dos filhos. Re\u00fano com os professores, com os encarregados de educa\u00e7\u00e3o e, naturalmente, com os alunos. Sou a ponte para estabelecer o di\u00e1logo entre directores de turma e escola e encarregados de educa\u00e7\u00e3o desses alunos.<\/p>\n<p>\u00c9 mais solicitado pela escola e pelos directores de turma ou pelos pais?<\/p>\n<p>Mais por parte dos directores de turma.<\/p>\n<p>Normalmente quais os problemas que surgem? Abandono escolar?<\/p>\n<p>O absentismo escolar \u00e9 o principal. Mas este ano estamo-nos a deparar com outro tipo de problema que \u00e9 o comportamento desadequado de alguns alunos de etnia cigana.<\/p>\n<p>Quando \u00e9 chamado \u00e0 escola por causa de um desses problemas, o que faz a seguir?<\/p>\n<p>O passo seguinte \u00e9 falar com as fam\u00edlias. Falo com os respons\u00e1veis do Multi-Sendas [projecto da C\u00e1ritas; um dos seus objectivos \u00e9 o sucesso escolar das crian\u00e7as e jovens ciganos] e articulamos quem ir\u00e1 contactar e sensibilizar a fam\u00edlia em causa.<\/p>\n<p>E na \u00e1rea l\u00fadica?<\/p>\n<p>Colaboro e participo na dinamiza\u00e7\u00e3o de actividades de car\u00e1cter recreativo, l\u00fadicas e culturais, promovidas pelo Multi-Sendas e pela equipa t\u00e9cnica que acompanha os processos do Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o das Fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Tentamos criar algumas iniciativas, mas, de um modo geral, n\u00e3o aderem\u2026 Sentem algum constrangimento em cantar e dan\u00e7ar fora da comunidade. Dentro da comunidade, fazem-no.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o balan\u00e7o deste primeiro ano de media\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Balan\u00e7o positivo, embora haja algumas dificuldades. O maior aspecto positivo \u00e9 a abertura e mudan\u00e7a de mentalidades da comunidade cigana, dado que em alguns grupos a escola \u00e9 pouco valorizada \u2013 mas \u00e9 preciso frisar que \u00e9 s\u00f3 em alguns grupos. N\u00f3s n\u00e3o somos, de modo nenhum, uma etnia homog\u00e9nea. H\u00e1 grupos que h\u00e1 muitos anos valorizam e sabem da necessidade de escolariza\u00e7\u00e3o para prepararem um futuro diferente para eles. Mas \u00e9 claro que h\u00e1 outros em que isso tem de ser mais trabalhado. Mas \u00e9 bom verificar que com a continuidade dos projectos, os encarregados de educa\u00e7\u00e3o come\u00e7am a responder \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es da escola. Aumenta o interesse pela escola.<\/p>\n<p>H\u00e1 casos que considere de sucesso na escolariza\u00e7\u00e3o dos alunos de etnia cigana?<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 ciganos licenciados. C\u00e1 em Aveiro, n\u00e3o. Mas conhe\u00e7o um jovem da Ericeira que est\u00e1 no \u00faltimo ano de Engenharia At\u00f3mica, um outro, de Lisboa, que \u00e9 advogado, ou o Carlos Miguel, que \u00e9 presidente da C\u00e2mara Municipal de Torres Vedras. S\u00e3o exemplos a ser seguidos.<\/p>\n<p>Esses exemplos s\u00e3o conhecidos na comunidade cigana?<\/p>\n<p>Por alguns, sim, mas n\u00e3o pela maioria. Mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o factor essencial para a aproxima\u00e7\u00e3o entre comunidades e a integra\u00e7\u00e3o da comunidade cigana.<\/p>\n<p>Como avalia o seu pr\u00f3prio trabalho?<\/p>\n<p>Vejo o meu trabalho como importante porque, al\u00e9m de ser exemplo para eles, \u00e9 um desbloquear de mentalidades, uma tentativa de mudar a forma da pensar da minha etnia. Eles t\u00eam que perceber que temos de mudar urgentemente. Estudar ir \u00e0 escola n\u00e3o retira de forma nenhuma a nossa cultura, porque est\u00e1 enraizada. Faz parte de n\u00f3s. Mas vai acrescentar novos conhecimentos favor\u00e1veis a uma plena integra\u00e7\u00e3o na sociedade.<\/p>\n<p>Em algum momento, nas comunidades que visita, foi visto como algu\u00e9m \u201cdo lado de l\u00e1\u201d. \u201cOlha, l\u00e1 vem ele\u2026\u201d<\/p>\n<p>Algumas vezes sim. A princ\u00edpio n\u00e3o entendiam muito bem a minha fun\u00e7\u00e3o, pelo que pensavam que eu tinha deixado de ser cigano e tinha passado para o outro lado. \u201cSou, sim, um instrumento para vos aproximar do outro lado\u201d, dizia-lhes. Sou uma ponte para ajudar a comunicar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do absentismo escolar, que outros problemas afectam a educa\u00e7\u00e3o da comunidade cigana?<\/p>\n<p>H\u00e1 os comportamentos desadequados na escola, como referi, e noto tamb\u00e9m uma grande resist\u00eancia por parte das fam\u00edlias quanto ao desenvolvimento de outras actividades realizadas fora do bairro. Geralmente n\u00e3o autorizam a participa\u00e7\u00e3o em actividades pedag\u00f3gicas e culturais, nem participando eles pr\u00f3prios. T\u00eam constrangimentos em se aproximar. H\u00e1 um medo.<\/p>\n<p>Medo de qu\u00ea?<\/p>\n<p>Medo de n\u00e3o serem aceites.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 a ideia de que a comunidade cigana \u00e9 muito orgulhosa. O cigano tem orgulho em ser cigano. Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>Sim. O cigano tem orgulho. Mas penso que esse orgulho \u00e9 mais entre n\u00f3s pr\u00f3prios e n\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade maiorit\u00e1ria. H\u00e1 grupos que conseguiram uma integra\u00e7\u00e3o plena. E h\u00e1 grupos que t\u00eam medo de n\u00e3o serem aceites. T\u00eam medo de que a cultura e os costumes n\u00e3o sejam aceites na cultura maiorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos falava-se muito da entrada da droga nas comunidades ciganas\u2026<\/p>\n<p>O problema atingiu tanto a comunidade cigana como a sociedade maiorit\u00e1ria. Foi e \u00e9 um flagelo que atingiu muita gente. De facto, trouxe problemas muito graves para a etnia. Houve agregados que perderam v\u00e1rios filhos. Repare: Voc\u00ea necessita. Vive numa pobreza extrema, aparece algu\u00e9m de fora da etnia \u2013 n\u00e3o foram os ciganos que lan\u00e7aram os ciganos neste neg\u00f3cio \u2013 e \u00e9 dif\u00edcil resistir. Derivado \u00e0 necessidade econ\u00f3mica, houve fam\u00edlias que recorreram a essa actividade.<\/p>\n<p>A actividade principal dos ciganos continua a ser o com\u00e9rcio?<\/p>\n<p>Com\u00e9rcio, profiss\u00f5es liberais, empres\u00e1rios em nome individual, comerciantes. H\u00e1 outros tipos de com\u00e9rcio. A grande maioria da minha fam\u00edlia, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 feirante, trabalha com decora\u00e7\u00e3o de interiores.<\/p>\n<p>Quais os valores que a comunidade cigana mais preza?<\/p>\n<p>A base da nossa cultura \u00e9 o respeito: respeito pelos mais velhos, pelo pai, pela m\u00e3e. \u00c9 a grande base da cultura cigana. \u00c9 algo que valorizamos mesmo. \u00c9 um tra\u00e7o fundamental da nossa cultura.<\/p>\n<p>O senhor tem o 12.\u00ba e pensa em licenciar-se. O seu caso pessoal \u00e9 um bom exemplo de integra\u00e7\u00e3o. Sente-se plenamente integrado na sociedade ao mesmo tempo mant\u00e9m a sua identidade cigana?<\/p>\n<p>Sem d\u00favida que a mantenho. Jamais me escondo. Tenho orgulho em ser cigano. Se as pessoas me perguntaram, n\u00e3o tenho qualquer problema em me assumir como cigano, embora viva os dois lados. Desde que vivo em Aveiro [a sua fam\u00edlia estabeleceu-se em Aveiro h\u00e1 mais de 100 anos, mas Jo\u00e3o Seabra nasceu em Mo\u00e7ambique], convivo com os dois lados, talvez at\u00e9 mais com a sociedade maiorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O meu av\u00f4 tinha outra no\u00e7\u00e3o e outras expectativas em rela\u00e7\u00e3o a uma plena cidadania e transmitiu isso ao meu pai e aos meus tios. Criou outro tipo de educa\u00e7\u00e3o que passou aos filhos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias, t\u00eam surgido not\u00edcias que dizem que h\u00e1 estabelecimentos comerciais que, para evitar pessoas de etnia cigana, p\u00f5em a figura do sapo \u00e0 porta. O que pensa disto?<\/p>\n<p>Quanto a mim, isso \u00e9 um mito infundado. \u00c9 como dizerem que h\u00e1 um agoiro por causa do n\u00famero 13. A minha fam\u00edlia nunca sentiu essa supersti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 sabido que alguns ciganos t\u00eam essa supersti\u00e7\u00e3o. Quem, sabendo disso, p\u00f5e sapos \u00e0 porta, est\u00e1 a ter uma atitude discriminat\u00f3ria. E \u00e9 essa atitude que pe\u00e7o que comente.<\/p>\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o s\u00f3 existe se ambas as partes quiserem que exista. N\u00e3o sei se \u00e9 uma atitude discriminat\u00f3ria. Eu e alguns familiares costumamos frequentar um caf\u00e9. Ora, um dia, entramos e no caf\u00e9 e havia a imagem de um sapo em cima da m\u00e1quina do tabaco. O dono apressou-se a dizer que aquilo n\u00e3o era para nos afugentar. N\u00f3s dissemos-lhe logo que n\u00e3o entend\u00edamos a presen\u00e7a do sapo como qualquer discrimina\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, pegamos no animal ao colo e brincamos com o animal. Acabou por ser um momento divertido. Se algumas pessoas ainda t\u00eam medo dos sapos \u00e9 porque a mente continua um bocado fechada. \u00c9 uma quest\u00e3o cultural que alguns ainda t\u00eam de ultrapassar.<\/p>\n<p>Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil a integra\u00e7\u00e3o? H\u00e1 esfor\u00e7o por parte da comunidade maiorit\u00e1ria e discrimina\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo\u2026<\/p>\n<p>Tem de haver esfor\u00e7o dos dois lados. A sociedade maiorit\u00e1ria tem de estar mais dentro da cultura cigana para haver aproxima\u00e7\u00e3o. N\u00e3o falo de integra\u00e7\u00e3o. Conhecendo a minha etnia e a sociedade. A integra\u00e7\u00e3o plena s\u00f3 poder\u00e1 acontecer em diversas fases. N\u00e3o ser\u00e1 uma integra\u00e7\u00e3o de rompante, tem ser trabalhada, de aproxima\u00e7\u00f5es sucessivas. Tem se desaparecer o medo que ainda existe numa parte da comunidade cigana para perceber que estar inclu\u00edda na sociedade maiorit\u00e1ria n\u00e3o faz de modo nenhum perder a identidade e os valores culturais. Mas a sociedade maiorit\u00e1ria tamb\u00e9m tem de p\u00f4r de lado alguns estigmas que ainda tem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 etnia cigana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Rodrigues Seabra, 41 anos, cigano, \u00e9 mediador s\u00f3cio-cultural para as comunidades ciganas do concelho de Aveiro. Trabalha entre o Projecto Multi-Sendas (da C\u00e1ritas Diocesana, que o contratou como entidade gestora), a divis\u00e3o da Habita\u00e7\u00e3o Social da C\u00e2mara Municipal de Aveiro e as 48 fam\u00edlias ciganas residentes em casas camar\u00e1rias mais as quatro comunidades em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-3121","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3121","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3121"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3121\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}