{"id":317,"date":"2010-01-20T09:31:00","date_gmt":"2010-01-20T09:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=317"},"modified":"2010-01-20T09:31:00","modified_gmt":"2010-01-20T09:31:00","slug":"erguer-a-voz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/erguer-a-voz\/","title":{"rendered":"Erguer a voz"},"content":{"rendered":"<p>O amigo n\u00e3o estava a brincar. Falava muito a s\u00e9rio, convicto de que as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 express\u00e3o p\u00fablica da f\u00e9 religiosa est\u00e3o numa rota muito perigosa. Chegava mesmo a dizer que, para sermos equiparados aos judeus na ca\u00e7a que lhes fizeram durante a II Guerra Mundial, j\u00e1 s\u00f3 falta estipularem um sinal que marque todos os crist\u00e3os.<\/p>\n<p>N\u00e3o quis levar muito a s\u00e9rio tal susto, uma vis\u00e3o t\u00e3o pessimista. O campo de respira\u00e7\u00e3o da f\u00e9, parecia-me, ainda faz-se ver e sentir ao longe &#8211; ia eu raciocinando. Movimentamo-nos com alguma liberdade nas nossas ruas, vamos tendo um espa\u00e7o de radiodifus\u00e3o, temos, por enquanto, a possibilidade de erguer templos\u2026<\/p>\n<p>Mas acabei por cair em mim e pensar se n\u00e3o ter\u00e1 raz\u00e3o aquela voz que me interpelou. \u00c9 que o cerne da constru\u00e7\u00e3o do futuro &#8211; a educa\u00e7\u00e3o &#8211; j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o de liberdade religiosa. A neutralidade militante n\u00e3o apenas promoveu a remo\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos que identificam as cren\u00e7as &#8211; e quem n\u00e3o \u00e9 visto n\u00e3o \u00e9 lembrado -, mas sublinha, entre as iniciativas de relev\u00e2ncia da I Rep\u00fablica, a erradica\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Religiosa da Escola do Estado. Ser\u00e1 pura coincid\u00eancia? N\u00e3o andar\u00e1 por a\u00ed um \u201cPREC de veludo\u201d?&#8230;<\/p>\n<p>Mais: a presen\u00e7a nos espa\u00e7os educativos estatais de qualquer iniciativa suspeita de veicular valores que n\u00e3o se identifiquem com o laicismo republicano encontra, muitas vezes, s\u00e9rios entraves ou mesmo obstru\u00e7\u00e3o total. Independentemente da pr\u00f3pria liberdade religiosa, nem sequer \u00e9 dada oportunidade de apresentar uma variedade de propostas de comportamentos que permitam uma escolha aut\u00f3noma de atitudes, o verdadeiro exerc\u00edcio de liberdade de consci\u00eancia. <\/p>\n<p>\u00c9 que, se h\u00e1 pais que se omitem, h\u00e1-os tamb\u00e9m que desejam escolher padr\u00f5es educativos para os seus filhos, direito que a Constitui\u00e7\u00e3o lhes confere, que os restos de \u201cclima ocidental\u201d lhes consentem.<\/p>\n<p>Quero acreditar que os portugueses n\u00e3o dormem. Todavia, tenho de fazer um exerc\u00edcio de boa vontade para n\u00e3o recear que possam ser entorpecidos por medidas hipoteticamente democr\u00e1ticas, que lhes varram a capacidade de pensar e de agir. Quando se d\u00e1 prioridade a problemas que n\u00e3o resolvem o futuro do pa\u00eds, em detrimento de problemas estruturantes; quando se pintam quadros ed\u00edlicos de borrascas ou calamidades declaradas\u2026 Tudo pode acontecer!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, antes que seja tarde, ergamos a voz, tomemos a vez, corajosamente digamos quem somos e o que nos move, que pessoa e sociedade defendemos. \u00c9 tempo de repetirmos com os Ap\u00f3stolos: Antes obedecer a Deus do que aos homens! <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O amigo n\u00e3o estava a brincar. Falava muito a s\u00e9rio, convicto de que as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 express\u00e3o p\u00fablica da f\u00e9 religiosa est\u00e3o numa rota muito perigosa. 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