{"id":3181,"date":"2010-12-02T14:40:00","date_gmt":"2010-12-02T14:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3181"},"modified":"2010-12-02T14:40:00","modified_gmt":"2010-12-02T14:40:00","slug":"leonie-o-patinho-feio-de-uma-familia-de-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/leonie-o-patinho-feio-de-uma-familia-de-santos\/","title":{"rendered":"Leonie&#8230; o patinho feio de uma fam\u00edlia de santos"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 58<\/p>\n<p> <!--more--> Poucos a conhecem. Nem se fala dela. Assim foi a sua vida e parece que ser\u00e1 para todo o sempre. H\u00e1 pessoas maravilhosas no nosso mundo que s\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o esquecidas por Deus. E isto lhes basta. Vemos, e j\u00e1 Jesus falava desses,  que muitos querem aparecer. N\u00e3o se cumpre nem se entende que a m\u00e3o esquerda n\u00e3o deve saber o que faz a direita. E isso porque n\u00e3o se d\u00e1 de cora\u00e7\u00e3o desapegado, na alegria t\u00e3o elogiada pelo evangelho.<\/p>\n<p>Surpreende-me a Samaritana. N\u00e3o se gabou de ter sido uma privilegiada com tempo de antena seleccionado pelo pr\u00f3prio Jesus. A raz\u00e3o de chamar os outros para irem a Jesus foi por Ele ter dito toda a sujidade da vida dela. \u201cVinde ver um homem que disse tudo quanto eu fiz\u2026\u201d Bem sabiam as pessoas o que ela fazia. Mas, um homem ter dito que ela era pecadora, quando os considerados justos n\u00e3o se aproximavam dela para n\u00e3o contrair impureza ritual\u2026. Por a\u00ed se v\u00ea a autenticidade da vida dela. Quem \u00e9 que come\u00e7a uma confer\u00eancia dizendo que n\u00e3o vale nada, em vez de permitir que se citem os curr\u00edculos da sua vida que obrigam as pessoas a tratarem por doutores os conferencistas? Bem, n\u00e3o podemos esquecer Madre Teresa de Calcut\u00e1. Ao fim e ao cabo, o que vale um homem com a sua sabedoria?<\/p>\n<p>Leonie era uma das filhas de Zelie e de Loius Martin, hoje beatos e pais de santa Teresinha do Menino Jesus. A sua irm\u00e3 mais velha, pois Teresinha era a mais nova dos filhos do santo casal, Leonie, era dotada de um temperamento revoltoso por natureza, inconstante, ansiosa, com alguns traumas, que a tornavam um fonte de preocupa\u00e7\u00f5es para a sua m\u00e3e, como se pode ler nas cartas de Zelie, j\u00e1 publicadas. Enquanto as irm\u00e3s eram dotadas de muitas capacidades intelectuais e de originalidade no campo das artes, Leonie quase que se poderia considerar a cozinheira da fam\u00edlia, relegada a n\u00e3o ter grandes atributos. Al\u00e9m do mais, s\u00f3 ela n\u00e3o foi para o Carmelo de Lisieux. E tentou entrar quatro vezes na Visita\u00e7\u00e3o de Caen, onde estava sua tia materna, e s\u00f3 l\u00e1 ficou na quarta, bem depois da morte de Teresinha e como promessa desta, que no c\u00e9u ia tratar da voca\u00e7\u00e3o da irm\u00e3 inst\u00e1vel. Era, de facto, o patinho feio\u2026 e destes n\u00e3o reza a hist\u00f3ria, que valoriza os que podem aparecer como modelo, como her\u00f3is.<\/p>\n<p>Leonie s\u00f3 sabia de uma coisa: Nada sei e nada sou. Assim viveu, no escondido de uma vida religiosa encantadora que nos faz mergulhar, aos que nos interessamos por ela, no bel\u00edssimo e t\u00e3o necess\u00e1rio caminho da humildade. Uma vez, porteira do convento, um sacerdote foi procur\u00e1-la, n\u00e3o por ela, mas por ser a irm\u00e3 da maior santa dos tempos modernos. Ao ser interpelada pelo sacerdote, Leonie disse que Leonie estava ocupada. Quando posso falar com ela? Leonie respondeu: N\u00e3o se preocupe, pois se a n\u00e3o vir, n\u00e3o perde grande coisa. O padre ficou escandalizado com a ousadia da irm\u00e3 e ao queixar-se \u00e0 superiora soube que tinha falado com a pr\u00f3pria Leonie e admirou-se pela humildade.<\/p>\n<p>Quando, numa solene celebra\u00e7\u00e3o em Lisieux, o arcebispo agradeceu \u00e0s irm\u00e3s carmelitas de Teresinha a irm\u00e3 santa que deram \u00e0 Igreja, Leonie ouvia no convento o nome das irm\u00e3s  carmelitas &#8211; e n\u00e3o ouviu o seu. Como se n\u00e3o existisse. Com pena, as irm\u00e3s visitandinas procuraram consol\u00e1-la e ela respondeu: A minha felicidade est\u00e1 em que Teresa cres\u00e7a e eu diminua. E quando a sua irm\u00e3 Paulina disse que constru\u00edram debaixo do t\u00famulo de Teresinha um lugar para serem todas sepultadas com ela, Leonie respondeu: Vim para ser visitandina, vivo como visitandina e quero morrer e ficar sepultada no meu convento de visitandina. E ali est\u00e1. No ch\u00e3o de uma cripta, sem visitas sen\u00e3o dos poucos que a conhecem\u2026 por ser irm\u00e3 de Teresinha, apenas.<\/p>\n<p>Emocionei-me quando l\u00e1 entrei e ao ler o seu pequeno livro, ali mesmo. Senti que o que torna Teresinha gigante foi n\u00e3o querer ser sen\u00e3o s\u00f3 de Deus e viver apagada e esquecida no mundo. Que os que mais produzem na Igreja n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os que est\u00e3o no campo de frente a dar a cara, por vezes na busca de louvores e reconhecimentos, mas aqueles que, movidos pelo amor, em tantos conventos por este mundo fora e em tantos lares de fam\u00edlia, vivem s\u00f3 para servir, na certeza de que este nada publicitado contributo pode mudar a face da terra, como Jesus nos trinta anos da sua vida escondida, ou Maria, que nunca quis ser mais do que a humilde escrava do Senhor.<\/p>\n<p>P.e Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 58<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-3181","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3181"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3181\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}