{"id":319,"date":"2010-01-20T09:39:00","date_gmt":"2010-01-20T09:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=319"},"modified":"2010-01-20T09:39:00","modified_gmt":"2010-01-20T09:39:00","slug":"comigo-levantaram-se-500-jovens-que-queriam-seguir-o-sacerdocio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/comigo-levantaram-se-500-jovens-que-queriam-seguir-o-sacerdocio\/","title":{"rendered":"&#8220;Comigo, levantaram-se 500 jovens que queriam seguir o sacerd\u00f3cio&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O P.e Alberto Gomariz \u00e9 natural de Murcia (Espanha) mas est\u00e1 ligado \u00e0 diocese de Madrid. No seu percurso vocacional foi muito importante o Caminho Neocatecumenal, comunidade a que continua ligado. Depois de quase um ano em Avanca, o P.e Alberto trabalha nas par\u00f3quias de Sever do Vouga e Dornelas. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA \u2013 Como foi o seu percurso at\u00e9 ser padre?<\/p>\n<p>ALBERTO GUIRAO GOMARIZ \u2013 At\u00e9 aos 18 anos, tinha uma f\u00e9 normal, herdada dos meus pais. Na adolesc\u00eancia tive uma crise profunda. Continuava a praticar a f\u00e9, mas sem grande significado. Ia \u00e0 Missa aos domingos e s\u00f3 isso. Quando a minha irm\u00e3 estava no Caminho Neocatecumenal [ou, simplesmente, Caminho], convidou-me para uma das catequeses e foi a\u00ed descobri Jesus Cristo na minha vida. Pude ent\u00e3o fazer uma experi\u00eancia de f\u00e9 forte, que mudou a minha vida. Isto foi em 1988. Depois integrei-me numa comunidade. Celebr\u00e1vamos a Palavra durante a semana, a Eucaristia aos s\u00e1bados, e faz\u00edamos um conv\u00edvio uma vez por m\u00eas. Pouco a pouco fui amadurecendo a minha voca\u00e7\u00e3o. Mas ainda n\u00e3o gostava muito da ideia de ser padre. Sa\u00eda dos meus projectos. Queria estudar, ser advogado. Mas no final dos estudos, fui \u00e0 Jornada Mundial da Juventude e respondi ao convite do Senhor.<\/p>\n<p>Isso aconteceu em Paris, em 1997\u2026<\/p>\n<p>Sim. Depois do encontro com o Papa Jo\u00e3o Paulo II, houve um encontro vocacional com Kiko Arguello [iniciador do Caminho]. Estavam presentes muitos bispos. Depois de uma catequese, houve o chamamento vocacional. Kiko disse: \u201cAqueles jovens que se sentem chamados pelo Senhor a darem a sua vida como padres na Igreja, que queiram ser preparados para esta miss\u00e3o, levantem-se\u2026\u201d<\/p>\n<p>Quantos \u00e9 que se levantaram?<\/p>\n<p>No meu ano, levantaram-se entre 400 e 500 que queriam seguir o sacerd\u00f3cio.<\/p>\n<p>500 jovens?<\/p>\n<p>Sim. Est\u00e1vamos 50 ou 60 mil jovens no encontro. Depois houve um chamamento para raparigas, normalmente para vida de clausura, no mosteiro. A minha irm\u00e3, que est\u00e1 no Caminho, tamb\u00e9m se levantou e hoje est\u00e1 nas Freiras de Bel\u00e9m. Em Portugal t\u00eam uma comunidade em Set\u00fabal.<\/p>\n<p>O que foi marcante para si no percurso para padre?<\/p>\n<p>Foi sem d\u00favida o encontro com Jesus Ressuscitado. Nos tempos de estudante fui experimentando que a minha vida era Jesus Cristo, porque nunca tinha sido t\u00e3o feliz como quando experimentei o amor de Deus na minha vida. Isso \u00e9 que foi o mais marcante. Depois houve essencialmente amadurecimento, enquanto estudava por insist\u00eancia dos meus pais.<\/p>\n<p>Os seus pais queriam que seguisse outro curso, mas hoje aceitam a sua voca\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Sim. Somos tr\u00eas irm\u00e3os e os tr\u00eas consagrados. Al\u00e9m da minha irm\u00e3 religiosa, tenho um irm\u00e3o que \u00e9 padre diocesano, em Madrid, e que segue o caminho espiritual do Opus Dei. Os nossos pais n\u00e3o tinham este projecto para n\u00f3s. Achavam que \u00edamos casar, como a maioria. Para eles, isto foi uma surpresa. Mas foi gradual. A minha irm\u00e3 consagrou-se com 26 anos. Eu e o meu irm\u00e3o, aos 28.<\/p>\n<p>Foi decisivo para si, conhecer o Caminho Neocatecumenal, que, como \u00e9 sabido, \u00e9 uma proposta cat\u00f3lica que se centra na redescoberta do baptismo. \u00c9 necess\u00e1rio que hoje os crist\u00e3os descubram o seu baptismo?<\/p>\n<p>O Caminho come\u00e7a do zero. Nas catequeses iniciais anuncia-se o \u201ckerigma\u201d [mensagem crist\u00e3 reduzida ao essencial; ex: \u201cCristo morreu e ressuscitou por n\u00f3s\u201d], como no tempo dos primeiros crist\u00e3os, em que a maioria era pag\u00e3.<\/p>\n<p>Hoje, apesar de as pessoas se dizerem crist\u00e3s, est\u00e3o marcadas pelo paganismo?<\/p>\n<p>Talvez. Falta a muitas pessoas a forma\u00e7\u00e3o, falta uma caminhada de matura\u00e7\u00e3o na f\u00e9. N\u00e3o diria que s\u00e3o pag\u00e3s, mas s\u00e3o \u201cmeninos na f\u00e9\u201d. Eu tamb\u00e9m era assim. Ia \u00e0 igreja, mas tinha uma mentalidade mais pag\u00e3 do que crist\u00e3. Temos de ter uma pastoral de ap\u00f3stolos, de ir ao encontro das pessoas, de anunciar Jesus Cristo e o amor de Deus na sua vida, de anunciar que est\u00e3o salvos dos seus pecados e das suas escravid\u00f5es, que t\u00eam a possibilidade de uma nova vida.<\/p>\n<p>Quantos foram ordenados consigo? H\u00e1 muitas \u201cvoca\u00e7\u00f5es neocatecumenais\u201d?<\/p>\n<p>Foram ordenados nove. Os semin\u00e1rios t\u00eam muitas voca\u00e7\u00f5es. O Redemptoris Mater [\u201cM\u00e3e do Redentor\u201d \u2013 nome dado aos semin\u00e1rios ligados ao Caminho] tem 95 semin\u00e1rios no mundo. Em Portugal tem dois, um em Lisboa, que h\u00e1 semanas ordenou tr\u00eas di\u00e1conos, e outro no Porto, que tem 12 ou 13 seminaristas. Estes semin\u00e1rios t\u00eam a caracter\u00edstica de serem diocesanos e mission\u00e1rios. Dependem do bispo, porque o Caminho n\u00e3o \u00e9 um movimento em si, n\u00e3o \u00e9 uma congrega\u00e7\u00e3o religiosa ou um grupo de padres. Somos diocesanos, dependemos do bispo, mas estamos dispon\u00edveis para qualquer parte do mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 com esse esp\u00edrito mission\u00e1rio que est\u00e1 na diocese de Aveiro?<\/p>\n<p>Normalmente ficamos dois anos, depois de ordenados, na diocese de origem. Eu, depois dos dois anos em Madrid, estive na Alb\u00e2nia. Depois vim para Portugal, porque havia aqui uma necessidade muito grande.<\/p>\n<p>Com tem sido a sua miss\u00e3o aqui em Portugal, a come\u00e7ar em Avanca?<\/p>\n<p>Em Avanca vivi uma etapa de prepara\u00e7\u00e3o. Serviu principalmente para me habituar \u00e0 l\u00edngua e aos costumes paroquiais, que em alguns aspectos s\u00e3o diferentes de Espanha. Por exemplo, na catequese, todos aos anos t\u00eam festas: Festa do Pai-Nosso, Festa da Vida, Profiss\u00e3o de F\u00e9. Outro exemplo: o padre acompanha o defunto ao cemit\u00e9rio\u2026 Foi um ano de aprendizagem \u00e0 sombra do P.e Jos\u00e9 Henriques da Silva.<\/p>\n<p>N\u00f3s nunca vamos sozinhos. Em Avanca estive com um leigo mission\u00e1rio da Galiza. Agora, estou com o leigo David, de Lisboa, que consagrou este ano \u00e0 miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Como tem sido a sua miss\u00e3o em Sever? Foi bem recebido?<\/p>\n<p>Sim, muito bem recebido. Fiquei surpreendido porque t\u00ednhamos come\u00e7ado a Eucaristia, est\u00e1vamos no c\u00e2ntico de entrada, e as pessoas come\u00e7aram a bater palmas. Julgo que significou que as pessoas precisam e apreciam o padre. <\/p>\n<p>O que \u00e9 para si, hoje, ser padre?<\/p>\n<p>\u00c9 entregar-se aos demais para lhes dar o que para mim foi e \u00e9 o mais importante da minha vida: Jesus Cristo. Fa\u00e7o as vezes de Jesus Cristo, atrav\u00e9s da sua palavra, da presen\u00e7a, dos sacramentos. Dar Jesus Cristo. Que possam descobrir atrav\u00e9s de mim o amor que Deus lhes tem.<\/p>\n<p>Na sua experi\u00eancia de meses em Sever do Vouga, h\u00e1 alguma \u00e1rea em que deva trabalhar mais?<\/p>\n<p>Catequese para crian\u00e7as. Mas se calhar temos mais necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de adultos. Ali\u00e1s, a catequese e os grupos tamb\u00e9m s\u00e3o para adultos. \u00c9 importante ter uma comunidade. \u00c9 um dom ter uma comunidade. Tenho tr\u00eas anos como padre, mas a minha comunidade ajuda-me muito.<\/p>\n<p>Portanto, em Sever, continua integrado numa comunidade neocatecumenal?<\/p>\n<p>Perten\u00e7o a uma comunidade de \u00c1gueda. Encontro-me com ela todas as semanas. \u00c0 quarta temos a celebra\u00e7\u00e3o da Palavra e ao s\u00e1bado a Eucaristia. E num domingo por m\u00eas temos um conv\u00edvio. Chamamos a isto \u201co trip\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>Em Aveiro, onde h\u00e1 comunidades neocatecumenais?<\/p>\n<p>H\u00e1 comunidades do Caminho em Sangalhos (tr\u00eas ou quatro comunidades), que s\u00e3o as mais antigas, em \u00c1gueda (uma) e em Avanca (duas) e tamb\u00e9m h\u00e1 alguns elementos na Gafanha da Nazar\u00e9.<\/p>\n<p>O caminho valoriza muito o baptismo. Os crist\u00e3os de hoje ignoram a dimens\u00e3o baptismal?<\/p>\n<p>Julgo que sim. O baptismo \u00e9 o princ\u00edpio de tudo. As pessoas n\u00e3o esquecem o baptismo. Simplesmente, n\u00e3o sabem o que significa ser crist\u00e3o. N\u00e3o t\u00eam a forma\u00e7\u00e3o nem \u2013 o que \u00e9 mais importante \u2013 o encontro com Jesus Cristo. O Caminho quer ressuscitar o catecumenado da igreja primitiva, mas adaptado aos novos tempos. Na igreja dos primeiros s\u00e9culos, o catecumenado era para os que se iam baptizar. Agora \u00e9 para os que j\u00e1 est\u00e3o baptizados. <\/p>\n<p>Como come\u00e7ou o Caminho Neocatecumenal?<\/p>\n<p>Come\u00e7ou de uma forma inesperada. Kiko Arguello [Francisco \u201cKiko\u201d Arguello, Le\u00e3o, 9 de Janeiro de 1939] era pintor e abandonou tudo para ir viver com os mais pobres de Madrid, nas favelas, seguindo a espiritualidade de Charles de Foucauld [franc\u00eas, contemplativo e interventivo, que viveu com os povos do deserto do Norte de \u00c1frica]. Foi a\u00ed que come\u00e7ou a primeira comunidade neocatecumenal. Kiko encontrou uma senhora que chorava e esta contou-lhe o seu drama. O marido batia-lhe e obrigava os filhos pequenos a trabalhar. Kiko convenceu-a a lev\u00e1-lo a conversar com o marido. E quando conversava com o homem, ele ficava mais calmo. Nesses encontros liam a B\u00edblia. Pouco a pouco foram-se criando comunidades. Isto chegou aos ouvidos do bispo da altura, que era D. Casimiro Morcillo, e este pediu-lhe: \u201cAs catequeses que est\u00e1 a dar a estes pobres d\u00ea-as tamb\u00e9m nas par\u00f3quias\u201d. E foi assim que come\u00e7ou o an\u00fancio do Caminho que convida convers\u00e3o, tamb\u00e9m com a freira Carmen Hern\u00e1ndez.<\/p>\n<p>O Caminho catecumenal ajuda a ultrapassar a crise vocacional?<\/p>\n<p>Eu creio que o Esp\u00edrito Santo est\u00e1 atento e d\u00e1 respostas \u00e0 sua Igreja. N\u00f3s temos \u00e9 que estar atentos ao Esp\u00edrito Santo. H\u00e1 grupos que est\u00e3o a dar muito fruto, como o Caminho, os Carism\u00e1ticos, os Focolares, os Cursilhos de Cristandade. Quando as pessoas ficam marcadas pelo encontro com Cristo, as pessoas respondem.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o maior fruto do Caminho?<\/p>\n<p>O fruto mais surpreendente \u00e9 a fam\u00edlia, que se abre \u00e0 vida e d\u00e1 origem a voca\u00e7\u00f5es. A origem de tudo est\u00e1 na fam\u00edlia. Os pais participam na vida de f\u00e9 dos filhos e os filhos acompanham os pais. E depois h\u00e1 fam\u00edlias inteiras que se dedicam \u00e0 miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Fam\u00edlias mission\u00e1rias?<\/p>\n<p>Sim. Uma fam\u00edlia da minha comunidade de Madrid est\u00e1 na China. H\u00e1 outras que est\u00e3o nos pa\u00edses de Leste, na Europa. As fam\u00edlias \u2013 nunca vai uma fam\u00edlia isolada \u2013 v\u00e3o para um meio que ainda n\u00e3o conhece Jesus Cristo. O pai procura um trabalho e fam\u00edlia vive no meio das outras. Como uma fam\u00edlia normal. Os filhos v\u00e3o \u00e0 escola como as outras crian\u00e7as. As fam\u00edlias convivem e anunciam Jesus Cristo boca-a-boca. As duas ou tr\u00eas fam\u00edlias que se re\u00fanem v\u00e3o convidando outras fam\u00edlias. Os pais convidam colegas de trabalho ou pais dos colegas dos filhos na escola. E \u00e9 assim que as comunidades v\u00e3o crescendo e surge a Igreja. Chama-se a isto \u201cimplatatio ecclesiae\u201d [implanta\u00e7\u00e3o da igreja].<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O P.e Alberto Gomariz \u00e9 natural de Murcia (Espanha) mas est\u00e1 ligado \u00e0 diocese de Madrid. No seu percurso vocacional foi muito importante o Caminho Neocatecumenal, comunidade a que continua ligado. Depois de quase um ano em Avanca, o P.e Alberto trabalha nas par\u00f3quias de Sever do Vouga e Dornelas. 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