{"id":3226,"date":"2010-12-09T10:16:00","date_gmt":"2010-12-09T10:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3226"},"modified":"2010-12-09T10:16:00","modified_gmt":"2010-12-09T10:16:00","slug":"daniel-rodrigues-foi-o-primeiro-jornalista-profissional-em-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/daniel-rodrigues-foi-o-primeiro-jornalista-profissional-em-aveiro\/","title":{"rendered":"Daniel Rodrigues foi o primeiro jornalista profissional em Aveiro"},"content":{"rendered":"<p>No dia 29 de Novembro faleceu Daniel Rodrigues, o primeiro jornalista profissional em Aveiro e o primeiro a abrir uma delega\u00e7\u00e3o de um jornal di\u00e1rio, de \u00e2mbito nacional, na cidade, \u201cO Com\u00e9rcio do Porto\u201d. Daniel Rodrigues dirigiu-a at\u00e9 1999.<\/p>\n<p>Natural de Ariz (1931), no concelho de Moimenta da Beira, conterr\u00e2neo de Aquilino Ribeiro, escritor por quem nutria uma grande admira\u00e7\u00e3o e que imortalizou as \u201cTerras do Demo\u201d das serranias da Lapa, de que ambos foram \u201cembaixadores\u201d. Tal como o rio Vouga, que nasce no alto da Lapa, e que depois de v\u00e1rias perip\u00e9cias desagua em Aveiro, tamb\u00e9m Daniel Rodrigues veio da Lapa, passou por v\u00e1rias localidades, de Beja a S. Jo\u00e3o da Madeira, mas foi na cidade de Aveiro que desaguou toda a sua torrente de jornalista empenhado em grandes causas\u2026 que muitas vezes eram o sem abrigo ou o cigano an\u00f3nimo.<\/p>\n<p>O percurso que levaria Daniel Rodrigues at\u00e9 Aveiro come\u00e7ou aos 23 anos de idade, quando cumpriu servi\u00e7o militar em Lisboa, ingressando depois no Semin\u00e1rio de Beja, que deixou para iniciar uma carreira na \u00e1rea da Justi\u00e7a, como funcion\u00e1rio judicial em S. Jo\u00e3o da Madeira e depois em Aveiro, cidade onde fixou resid\u00eancia e constituiu fam\u00edlia. Tornou-se incondicional defensor da cidade da Ria.<\/p>\n<p>At\u00e9 1969, ano em que abriu a delega\u00e7\u00e3o de Aveiro de \u201cO Com\u00e9rcio do Porto\u201d, Daniel Rodrigues colaborou com outros jornais, nomeadamente o \u201cDi\u00e1rio de Coimbra\u201d, do qual foi o primeiro correspondente na cidade, e o \u201cS\u00e9culo\u201d. Ainda na imprensa de \u00e2mbito nacional, deixou escritos em v\u00e1rios di\u00e1rios, com destaque para o \u201cDi\u00e1rio Popular\u201d, que chegou a ter delega\u00e7\u00e3o em Aveiro, e a \u201cCapital\u201d. A imprensa regional mereceu-lhe sempre um enorme respeito, tendo colaborado em diversos jornais, como O Correio do Vouga, de que foi director-adjunto entre 1993 e 2004.<\/p>\n<p>Nas tr\u00eas d\u00e9cadas em que dirigiu os destinos de \u201cO Com\u00e9rcio do Porto\u201d em Aveiro, Daniel Rodrigues foi um leg\u00edtimo par de Jos\u00e9 Estev\u00e3o e de Homem Cristo na defesa do aveirismo, estando presente em todos os grandes acontecimentos ocorridos na cidade, no concelho e no distrito, tendo aberto as portas do \u201cseu\u201d jornal a M\u00e1rio Sacramento e outros aveirenses pouco tolerados pelo regime do Estado Novo. Nos anos conturbados do p\u00f3s-25 de Abril, esteve na primeira linha da frente na defesa das liberdades.<\/p>\n<p>Carta de Jo\u00e3o Paulo II<\/p>\n<p>Nos finais do s\u00e9culo XX, apesar da vida agitada que a carreira jornal\u00edstica impunha, Daniel Rodrigues ainda ganhou tempo para retomar o sonho iniciado no Semin\u00e1rio de Beja, sendo um dos primeiros di\u00e1conos permanentes da Diocese de Aveiro, tornando-se um \u201cjornalista ap\u00f3stolo\u201d na defesa dos mais carenciados e dos \u201csem voz\u201d, como os presos, os ciganos e os sem-abrigo, ao mesmo tempo que fez reportagem em grandes eventos religiosos, de Roma a Cuba, o que lhe valeu receber uma carta pessoal do Papa Jo\u00e3o Paulo II.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n<p>\u201cMestre\u201d da reportagem<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, as reportagens de Daniel Rodrigues em \u201cO Com\u00e9rcio do Porto\u201d, sobretudo as realizadas na Serra da Freita, abriram a minha curiosidade para a reportagem jornal\u00edstica, o mais nobre g\u00e9nero do jornalismo e do qual \u00e9 a sua pr\u00f3pria ess\u00eancia.<\/p>\n<p>Por isso, foi com um misto de orgulho e receio que aceitei o convite que Daniel Rodrigues me lan\u00e7ou, em 1990, para trabalhar aos fins-de-semana na Delega\u00e7\u00e3o de Aveiro de \u201cO Com\u00e9rcio do Porto\u201d. Mais do que qualquer universidade ou curso superior poderia ensinar sobre como fazer (verdadeira) reportagem no terreno, foi com o \u201cmestre\u201d Daniel Rodrigues que aprendi a ir ao local, falar \u201colhos nos olhos\u201dcom os intervenientes, n\u00e3o levar ideias preconcebidas\u2026 porque a realidade pode ser outra bem diferente daquela que os estudos pr\u00e9vios preconizam.<\/p>\n<p>C. F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 29 de Novembro faleceu Daniel Rodrigues, o primeiro jornalista profissional em Aveiro e o primeiro a abrir uma delega\u00e7\u00e3o de um jornal di\u00e1rio, de \u00e2mbito nacional, na cidade, \u201cO Com\u00e9rcio do Porto\u201d. Daniel Rodrigues dirigiu-a at\u00e9 1999. 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