{"id":3264,"date":"2010-12-15T09:20:00","date_gmt":"2010-12-15T09:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3264"},"modified":"2010-12-15T09:20:00","modified_gmt":"2010-12-15T09:20:00","slug":"uma-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-verdade\/","title":{"rendered":"Uma verdade!"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 isso mesmo! No debate quinzenal no Parlamento, para o qual elegeu a Educa\u00e7\u00e3o como tema de fundo, o nosso primeiro-ministro disse uma verdade: \u201cEsta \u00e9 uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica\u201d!<\/p>\n<p>Mentiras (parece que no novo acordo ortogr\u00e1fico se dir\u00e1 inverdades!\u2026) foram aos montes. Desde os custos &#8211; do ensino estatal e do privado e cooperativo -, passando pela miss\u00e3o constitucional do estado &#8211; que n\u00e3o \u00e9 totalit\u00e1ria mas de suporte \u00e0 diversidade de escolhas -, at\u00e9 ao desaforo de considerar esbanjamento pagar com os nossos impostos uma escola que j\u00e1 existia e junto da qual o Estado ergueu outra para dispensar a primeira\u2026 Pena foi que ningu\u00e9m lhe perguntasse se esbanjamento n\u00e3o fora exactamente isso: um esp\u00edrito fara\u00f3nico a avassalar os s\u00edmbolos de um \u00e1rduo e prof\u00edcuo trabalho educativo de longos anos com uma nova constru\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Babou-se com os resultados do PISA, sem saber bem que alunos tinham sido avaliados e, portanto, quais os eventuais factores dos bons resultados. Nem teve coragem de esclarecer por inteiro quem fez subir o pa\u00eds na escala ou at\u00e9 onde subiria se fosse s\u00f3 o ensino particular e cooperativo a ser avaliado.<\/p>\n<p>A verdade que proclamou, colocando-a na inten\u00e7\u00e3o dos que reclamam liberdade de aprender e ensinar, liberdade de escolha, est\u00e1 bem clara \u00e9 do lado do governo. Ali\u00e1s, toda a gente sabe que os ide\u00f3log(ic)os do seu espectro pol\u00edtico bendisseram a crise, porque deu oportunidade a esta tentativa de golpe.<\/p>\n<p>Tem sido dito, redito, escrito e tornado a escrever que, na verdade, as restri\u00e7\u00f5es financeiras, das quais nos dispomos a participar plenamente, n\u00e3o foram sen\u00e3o o pretexto desta loucura, para liquidar completamente a escola particular e cooperativa. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a estatal ir\u00e1 sofrer, porque se desenha uma \u201coptimiza\u00e7\u00e3o de recursos\u201d que significa apenas diminui\u00e7\u00e3o de custos, corte de pessoal na educa\u00e7\u00e3o. Mas quem vai sofrer a s\u00e9rio \u00e9 o pa\u00eds. Para onde vai a liberdade de escolha, o direito \u00e0 diferen\u00e7a, a possibilidade de procurar a excel\u00eancia? Para onde vai a concorr\u00eancia estimulante, j\u00e1 que \u201ca unicidade premeia a mediocridade\u201d? Como \u00e9 que se defende o interesse p\u00fablico matando a iniciativa dos cidad\u00e3os, e iniciativa de qualidade? Se, nas escolas com contrato de associa\u00e7\u00e3o e por outras formas de coopera\u00e7\u00e3o do estado, os ricos, os remediados, os pobres, todos t\u00eam acesso, em igualdade de circunst\u00e2ncias, ao ensino de qualidade, n\u00e3o se est\u00e1, com estes preconceitos ideol\u00f3gicos, a promover a exclus\u00e3o social?<\/p>\n<p>Assegurar o ensino b\u00e1sico universal obrigat\u00f3rio e gratuito, por parte do Estado, n\u00e3o \u00e9 faz\u00ea-lo s\u00f3 com escolas estatais! Afinal, \u00e9 verdade: o senhor primeiro-ministro quer declarar guerra ideol\u00f3gica \u00e0 sociedade plural, quer impor uma orienta\u00e7\u00e3o totalit\u00e1ria \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, quer aniquilar a criatividade das for\u00e7as c\u00edvicas&#8230;, quer fazer de todos os promotores de escola n\u00e3o-estatal empres\u00e1rios gananciosos ou incapacitados de inova\u00e7\u00e3o. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 isso mesmo! No debate quinzenal no Parlamento, para o qual elegeu a Educa\u00e7\u00e3o como tema de fundo, o nosso primeiro-ministro disse uma verdade: \u201cEsta \u00e9 uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica\u201d! Mentiras (parece que no novo acordo ortogr\u00e1fico se dir\u00e1 inverdades!\u2026) foram aos montes. 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