{"id":3280,"date":"2010-12-15T09:39:00","date_gmt":"2010-12-15T09:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3280"},"modified":"2010-12-15T09:39:00","modified_gmt":"2010-12-15T09:39:00","slug":"nossos-filhos-nao-sao-nossos-sao-filhos-e-filhas-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/nossos-filhos-nao-sao-nossos-sao-filhos-e-filhas-da-vida\/","title":{"rendered":"\u00abNossos filhos n\u00e3o s\u00e3o nossos, s\u00e3o filhos e filhas da Vida\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> \u00c9 uma cita\u00e7\u00e3o do c\u00e9lebre livrinho \u00abO Profeta\u00bb. Sempre me impressionou este poema, e logo me veio \u00e0 mem\u00f3ria, ao ler a leitura de Isa\u00edas. <\/p>\n<p>Isa\u00edas referia-se ao pr\u00f3ximo rei de Israel, que fomentaria a liga\u00e7\u00e3o dos homens com Deus. \u00abEmanuel\u00bb significa \u00abDeus connosco\u00bb \u2013 a inabal\u00e1vel alian\u00e7a de Deus com os Homens. Apesar da decad\u00eancia religiosa durante o \u00edmpio reinado de Acaz, Isa\u00edas lembra a promessa de Deus: \u00abO Senhor, por sua conta e risco, vos dar\u00e1 um sinal. Olhai: a jovem (por excel\u00eancia, seria a principal mulher de Acaz) est\u00e1 gr\u00e1vida e vai dar \u00e0 luz um filho, e h\u00e1-de p\u00f4r-lhe o nome de Emanuel\u00bb. O que significa que Deus jamais abandonaria a dinastia de David, para suporte do seu projecto de salva\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A tradu\u00e7\u00e3o grega, dois s\u00e9culos antes de Cristo, em vez de \u00abjovem\u00bb usou um termo que significa \u00abvirgem\u00bb, o que, desde ent\u00e3o, deu for\u00e7a \u00e0 ideia de que o aut\u00eantico Messias teria um nascimento fora do comum. Por outro lado, a solenidade com que esta profecia foi anunciada testemunha como o profeta sentia particularmente a for\u00e7a do Esp\u00edrito, que a seu tempo fecundaria a terra para que esta produzisse o fruto mais sonhado \u2013 o Messias Salvador. Assim come\u00e7a, entre os v\u00e1rios livros prof\u00e9ticos atribu\u00eddos a Isa\u00edas, o Livro Da Consola\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m chamado o Livro do Emanuel. <\/p>\n<p>Quando o evangelho de hoje relata a gravidez de Nossa Senhora, cita o texto grego (1.\u00aa leitura), mais adapt\u00e1vel \u00e0 voca\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria de Jesus Cristo. <\/p>\n<p>O evangelista, de acordo com a mentalidade religiosa do tempo, atribuiu a Maria uma gravidez \u00abmilagrosa\u00bb; para Jos\u00e9, Maria apareceu como m\u00e3e solteira, e por isso j\u00e1 tinha o direito legal (pr\u00f3prio dos esponsais desse tempo) para se divorciar. Mas o seu amor a Maria era tanto e t\u00e3o profundamente justo, que Deus se \u201csentiu obrigado\u201d a revelar a Jos\u00e9 como \u00e9 que se estava a preparar o ponto alto e concreto do extraordin\u00e1rio plano de ac\u00e7\u00e3o a favor da Humanidade. Assim se desenvolve e aprofunda o ambiente sobrenatural do nascimento de Jesus, muito significativamente num quadro dram\u00e1tico entre pessoas que se amam.<\/p>\n<p> Novamente, foi por meio de uma revela\u00e7\u00e3o, que S. Jos\u00e9 sentiu dever dizer \u00absim\u00bb ao convite de Deus para o lugar de Pai na \u00absagrada fam\u00edlia\u00bb. E foi Jos\u00e9 que \u00abinterpretou\u00bb o sentido das Escrituras, dando ao seu surpreendente filho o nome n\u00e3o de Emanuel mas de Jesus (\u00abo Senhor salva\u00bb). <\/p>\n<p>O que interessa \u00e9 este ambiente de amor entre um casal, de amor a Deus e a toda a Humanidade, n\u00e3o se negando a situa\u00e7\u00f5es bem dif\u00edceis para colaborar com a for\u00e7a do Bem, que \u00e9 o Esp\u00edrito de Deus. Aceitando um filho que lhes deu problemas desde a concep\u00e7\u00e3o e que foi sempre muito dif\u00edcil de compreender.<\/p>\n<p>Como a Maria e a Jos\u00e9, corajosamente abertos \u00e0s surpresas da Vida, tamb\u00e9m o Esp\u00edrito nos \u00e9 oferecido, a todos n\u00f3s, com o nascimento de cada crian\u00e7a. <\/p>\n<p>Mesmo nos beb\u00e9s disformes, d\u00e9beis, abandonados ou prematuramente mortos, mant\u00e9m-se o convite \u00e0 nossa colabora\u00e7\u00e3o no plano do Esp\u00edrito da Vida. Nestas circunst\u00e2ncias, \u00e9 que o nosso Amor e Responsabilidade \u00e9 posto \u00e0 prova, pois tudo parece errado e injusto. \u00abComo \u00e9 que posso dizer \u00absim\u00bb em situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o estranhas?\u00bb \u2013 pod\u00edamos perguntar como Maria no momento da Anuncia\u00e7\u00e3o, ou como Jos\u00e9 no momento do impens\u00e1vel. A resposta tamb\u00e9m poderia ser semelhante: \u00abO Esp\u00edrito da Vida nos cobrir\u00e1 com a sua For\u00e7a\u00bb.<\/p>\n<p>Esta For\u00e7a \u00e9 que permite aos seres humanos lan\u00e7ar todos os seus filhos na aventura da vida, procurando orient\u00e1-los e dar-lhes as melhores condi\u00e7\u00f5es para que encontrem a sua felicidade na descoberta de novos caminhos de felicidade. Damos-lhes o nosso melhor para que eles se possam \u00abseparar\u00bb de n\u00f3s e seguir o convite da Vida.<\/p>\n<p>E com di\u00e1logo mais ou menos feliz, mas sobretudo com muita esperan\u00e7a, vivemos com elas, enquanto for o nosso tempo, a aventura da Vida a que todos n\u00f3s pertencemos.<\/p>\n<p>O menino que agora festejamos \u00abem sono profundo\u00bb ao colo da M\u00e3e, passar\u00e1 a sua curta vida a chamar os Homens para com ele defenderem a vida presente em cada ser humano; e para adquirirem a plenitude da Alegria, porque somos chamados a participar da plenitude da Vida \u2013 todos n\u00f3s, que igualmente nascemos na fr\u00e1gil condi\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-3280","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3280","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3280"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3280\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}