{"id":3283,"date":"2010-12-15T09:44:00","date_gmt":"2010-12-15T09:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3283"},"modified":"2010-12-15T09:44:00","modified_gmt":"2010-12-15T09:44:00","slug":"ceia-com-calor-assinalou-terceiro-aniversario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ceia-com-calor-assinalou-terceiro-aniversario\/","title":{"rendered":"&#8220;Ceia com calor&#8221; assinalou terceiro anivers\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Jantar de volunt\u00e1rios e sem-abrigo assinalou os tr\u00eas anos da iniciativa que vai ao encontro de quem vive na rua.<\/p>\n<p>A \u201cCeia com calor\u201d, servi\u00e7o de apoio alimentar aos sem-abrigo de Aveiro, implementado pelas Florinhas Vouga, assinalou o seu 3.\u00ba anivers\u00e1rio com um jantar, servido no Sal\u00e3o D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, aberto aos sem-abrigo, a que se juntaram outros convidados, nomeadamente o Bispo da Diocese de Aveiro, os presidentes da C\u00e2mara Municipal de Aveiro e das Juntas de Freguesia da Gl\u00f3ria e da Vera Cruz, a respons\u00e1vel em Aveiro pelo Instituto da Droga e da Toxicodepend\u00eancia, Celina Fran\u00e7a, e jornalistas. <\/p>\n<p>Sandra Marques, respons\u00e1vel pelos servi\u00e7os de voluntariado da Florinhas d0 Vouga, real\u00e7ou: \u201cTodos os dias \u00e0 noite, desde h\u00e1 tr\u00eas anos, entre as 21 e as 23 horas, paramos em dois locais da cidade: a Esta\u00e7\u00e3o dos Caminhos de Ferro e o Rossio, para entregarmos o refor\u00e7o alimentar \u00e0s pessoas que est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o de sem abrigo\u201d. O servi\u00e7o conta com a colabora\u00e7\u00e3o de 85 volunt\u00e1rios, divididos em grupos de quatro elementos. Rotativamente, cada grupo faz a distribui\u00e7\u00e3o dos alimentos numa noite, bem como \u201calgum trabalho de acompanhamento junto dos sem-abrigo\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Sandra Marques, em 2009 eram cerca de 60 as pessoas sem-abrigo, de ambos os sexos e de v\u00e1rias idades, apoiadas pela \u201cCeia com calor\u201d, a maioria das quais \u201cvive em casas abandonadas, que ocupam\u201d. <\/p>\n<p>Durante o jantar, estiveram expostas cartas escritas por oito reclusos do Estabelecimento Prisional de Aveiro. As cartas mostram o resultado da parceria entre aquelas duas entidades, a qual permitiu a esses oito reclusos tirarem um curso de mesa e bar. No m\u00eas de Julho, esses reclusos \u201cconfeccionaram algumas refei\u00e7\u00f5es que foram entregues na \u2018Ceia com calor\u2019, \u00e0 noite. Agora, eles quiseram passar uma mensagem \u00e0s pessoas que est\u00e3o desempregadas, escrevendo estas cartas\u201d, explicou Sandra Marques. <\/p>\n<p>A \u201cCeia com calor\u201d \u00e9 um complemento \u00e0s refei\u00e7\u00f5es quentes que as Florinhas do Vouga servem diariamente no seu Refeit\u00f3rio Social, situado em Santiago. Para al\u00e9m disso, como explicou o P.e Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, presidente das Florinhas do Vouga, \u201coutra ideia que nos moveu foi irmos \u00e0 rua, onde estas pessoas est\u00e3o, para criarmos a aproxima\u00e7\u00e3o com elas, dando-lhes tamb\u00e9m calor humano, para que elas possam fazer algum caminho de reinser\u00e7\u00e3o social, at\u00e9 porque muitos dos benefici\u00e1rios da \u201cCeia com calor\u201d n\u00e3o frequentam o Refeit\u00f3rio Social\u201d. Por isso, \u201cquando vamos \u00e0 rua, dizemos-lhes que isto \u00e9 s\u00f3 um refor\u00e7o alimentar, por que queremos que v\u00e3o ao Refeit\u00f3rio Social comerem uma refei\u00e7\u00e3o quente\u201d.<\/p>\n<p>Nos sem-abrigo falham<\/p>\n<p>a fam\u00edlia e a sociedade<\/p>\n<p>\u201cAs causas que levam as pessoas a viverem desta maneira s\u00e3o imensas, como nos dizem os manuais\u201d, sublinha o P.e Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, referindo que, \u201ds\u00e3o pessoas que tiveram alguns problemas familiares, problemas com algum tipo de depend\u00eancia com drogas ou algumas liga\u00e7\u00f5es ao crime. S\u00e3o pessoas que ficaram fora da comunidade e n\u00e3o foram capazes de voltar a integrar-se ou que ningu\u00e9m as acolheu. Quando vamos \u00e0 procura das raz\u00f5es que levaram uma pessoa a ser sem-abrigo, n\u00e3o podemos encontrar essas raz\u00f5es s\u00f3 na pessoa sem-abrigo, mas temos tamb\u00e9m de as encontrar em outras pessoas: a fam\u00edlia, em primeiro lugar, e a sociedade. \u00c9 preciso saber at\u00e9 que ponto n\u00f3s integramos as pessoas\u201d.<\/p>\n<p>O P.e Jo\u00e3o Gon\u00e7alves reconheceu que, para muitos destes sem-abrigo, os volunt\u00e1rios da \u201cCeia com calor\u201d s\u00e3o a sua fam\u00edlia afectiva, juntamente com outros sem-abrigo, facto que tamb\u00e9m est\u00e1 nos objectivos deste projecto. \u201cN\u00f3s queremos aproxim\u00e1-los entre eles e aproxim\u00e1-los de n\u00f3s, para que \u201cCeia com calor\u201d n\u00e3o seja s\u00f3 o calor do caf\u00e9 com leite ou do ch\u00e1, mas tamb\u00e9m do calor humano\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n<p>Nova pedagogia no social<\/p>\n<p>Para o Bispo de Aveiro, D. Ant\u00f3nio Francisco, esta iniciativa das Florinhas do Vouga \u201cn\u00e3o \u00e9 s\u00f3 repartir os p\u00e3es, mas fazer esse milagre di\u00e1rio da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, que se traduz primeiro na multiplica\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios, depois, na multiplica\u00e7\u00e3o da generosidade de tantas pessoas que colaboram nesta iniciativa. Esta multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es \u201c\u00e9 um verdadeiro milagre de aten\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria e de solicitude na caridade das pessoas que olham e que est\u00e3o atentas para os que mais precisam, neste caso, os sem-abrigo\u201d.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Francisco reconhece que a \u201cCeia com calor\u201d ao ir \u00e0 rua junto dos sem-abrigo \u201cdiz-nos que h\u00e1 uma forma nova, uma pedagogia social nova, uma cultura diferente de trabalhar, que o Evangelho incentiva, que \u00e9 n\u00e3o apenas ficarmos nas nossas institui\u00e7\u00f5es \u00e0 espera dos que batem \u00e0 porta, mas de irmos ao encontro de tantas situa\u00e7\u00f5es e de tantas pessoas que vivem em exclus\u00e3o, algumas at\u00e9 de vergonha por manifestarem a necessidade de terem de ser ajudadas, e outras pela manifesta insensibilidade que j\u00e1 criaram \u00e0 sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muita gente sem-abrigo que at\u00e9 j\u00e1 nem se apercebe da necessidade ou da possibilidade que t\u00eam, ou do direito que t\u00eam, a terem casa e a terem algu\u00e9m que os ajude e que olhe por eles com este amor fraterno porque eles s\u00e3o nossos irm\u00e3os\u201d. <\/p>\n<p>\u00c9lio Maia reconhece exist\u00eancia<\/p>\n<p>de sem-abrigo em Aveiro<\/p>\n<p>Presente no jantar, o presidente da C\u00e2mara Municipal de Aveiro, \u00c9lio Maia, afirmou: \u201cTenho pena de estar aqui, pelo facto de em Aveiro haver situa\u00e7\u00f5es destas. Gostava muito que na nossa sociedade estes casos n\u00e3o existissem, mas existem. E como existem, manifestou o seu reconhecimento \u00e0s Florinhas do Vouga que durante estes 70 anos t\u00eam distribu\u00eddo tanto carinho e amor a Aveiro e que, h\u00e1 tr\u00eas anos, ati\u00e7ou ainda mais esse amor, com esta iniciativa\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jantar de volunt\u00e1rios e sem-abrigo assinalou os tr\u00eas anos da iniciativa que vai ao encontro de quem vive na rua. A \u201cCeia com calor\u201d, servi\u00e7o de apoio alimentar aos sem-abrigo de Aveiro, implementado pelas Florinhas Vouga, assinalou o seu 3.\u00ba anivers\u00e1rio com um jantar, servido no Sal\u00e3o D. 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