{"id":3313,"date":"2010-12-15T10:11:00","date_gmt":"2010-12-15T10:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3313"},"modified":"2010-12-15T10:11:00","modified_gmt":"2010-12-15T10:11:00","slug":"pais-onde-parece-que-a-perfeicao-e-ir-so-ate-ao-meio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pais-onde-parece-que-a-perfeicao-e-ir-so-ate-ao-meio\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds onde parece que a perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 ir s\u00f3 at\u00e9 ao meio"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 sempre de perguntar, provavelmente porque para muitos se trata de tempo perdido, se vale a pena continuar a chover no molhado. O povo, sempre s\u00e1bio destas coisas da vida, estimula a n\u00e3o desistir, quando diz: \u201c\u00c1gua mole em pedra dura, tanto d\u00e1 at\u00e9 que fura\u201d. Quem n\u00e3o procura nem espera benef\u00edcios pessoais, se teima em insistir e em n\u00e3o se calar, s\u00f3 pode ser pela convic\u00e7\u00e3o de que se trata de algo vital e importante, e porque nele domina a convic\u00e7\u00e3o de que \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o deixar morrer a esperan\u00e7a. O acomodar-se ao \u201cj\u00e1 chega\u201d \u00e9 sempre negativo e o ver o futuro apenas pela janela dos interesses pessoais e materiais, \u00e9 apagar as raz\u00f5es de viver em liberdade e \u00e9 menosprezar o tempo do vindouros.<\/p>\n<p>As pessoas andam mais depressa quando fascinadas pela charlatanice do que pela for\u00e7a do pensar em aspectos fundamentais da vida em sociedade. N\u00f3s, portugueses, somos f\u00e1ceis de contentar com as coisas a meias. \u00c9 tudo mais r\u00e1pido, menos inc\u00f3modo e exigindo menos esfor\u00e7o e trabalho. O tempo de se sonhar e se dispor \u00e0 aventura do mar revolto e sempre perigoso e do encontro misterioso com o desconhecido j\u00e1 l\u00e1 vai. Agora, nada de aventuras, tudo depressa, dinheiro na m\u00e3o, poucos sonhos\u2026 Por isso, sempre agradar\u00e3o mais as palavras engenhosas, sempre haver\u00e1 mais frequentadores do circo com palha\u00e7os e malabaristas, sempre se olhar\u00e1 curvado para a m\u00e3o que d\u00e1, parece que por favor, e logo esconde ela a fatia maior, que \u00e9 de todos, para com ela contentar e conquistar amigos. Tudo se esquece depressa, porque pensar e participar tornou-se penoso e inc\u00f3modo. Assim se foi instalando o gosto de se ser iludido com as quimeras do vazio, as mentiras ardilosas, as meias verdades que sossegam mais depressa.<\/p>\n<p>O campo que mais nos toca a todos n\u00f3s, que nos orgulhamos de ser cidad\u00e3os de um pa\u00eds democr\u00e1tico, \u00e9 o clima de \u201csemidemocracia\u201d para onde estamos a ser empurrados, sem que se vejam grandes reac\u00e7\u00f5es a um tal despudor, bem como ao desprezo pelas pessoas e pelo caminho j\u00e1 andado com acerto. O povo queixa-se da crise, mas n\u00e3o reflecte sobre as suas causas, incluindo nelas o seu proceder ego\u00edsta. Critica os governantes, mas logo se cala se vem a\u00ed uma medida avulsa que seja ou pare\u00e7a favor\u00e1vel. N\u00e3o h\u00e1 projectos para todos, h\u00e1 favores para alguns. Rasgaram-se h\u00e1 tempos pelo esc\u00e2ndalo as vestes dos perfeitos do regime, porque um pol\u00edtico de nome disse ante uma situa\u00e7\u00e3o grave a exigir resposta de todos, que talvez fosse bom suspender, por um tempo, a democracia. Quem pensa percebeu a ideia, quem barafustou foi quem de h\u00e1 muito a suspendera j\u00e1 no seu dia-a-dia de respons\u00e1vel, contentando-se em guardar as apar\u00eancias para parecer um democrata genu\u00edno.<\/p>\n<p>Est\u00e1 visto que domina uma gera\u00e7\u00e3o que gosta de tudo a meio. Quem vier depois que se governe. Simplesmente, na fam\u00edlia, na pol\u00edtica, em muitos campos de vida, o verniz de h\u00e1 muito estalou, o barco mete \u00e1gua por todos os lados, os de fora n\u00e3o acreditam em n\u00f3s, os de dentro divertem-se a dizer mal uns dos outros\u2026 <\/p>\n<p>G\u00e9nios do inacabado, fascinados pelo imperfeito e pelo irremedi\u00e1vel. Sobrevivem os que avan\u00e7am sem olhar para o lado. S\u00e3o modelo de vida os que n\u00e3o desistem e os que procuram noutros climas melhor maneira de respirar um ar n\u00e3o polu\u00eddo. O futebol \u00e9 rei. Com ele e seus corifeus ningu\u00e9m se mete. O povo, agora descontente, logo semi contente, depressa acalma. Depois, j\u00e1 estamos habituados a ir \u201ccantando e rindo\u201d, \u201cgemendo e chorando\u201d.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 sempre de perguntar, provavelmente porque para muitos se trata de tempo perdido, se vale a pena continuar a chover no molhado. O povo, sempre s\u00e1bio destas coisas da vida, estimula a n\u00e3o desistir, quando diz: \u201c\u00c1gua mole em pedra dura, tanto d\u00e1 at\u00e9 que fura\u201d. 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