{"id":3375,"date":"2010-12-09T11:00:00","date_gmt":"2010-12-09T11:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3375"},"modified":"2010-12-09T11:00:00","modified_gmt":"2010-12-09T11:00:00","slug":"dialogo-indispensavel-e-dificil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/dialogo-indispensavel-e-dificil\/","title":{"rendered":"Di\u00e1logo indispens\u00e1vel e dif\u00edcil"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> Vivemos numa sociedade profundamente dividida; na economia, na pol\u00edtica, nas rela\u00e7\u00f5es sociais, na cultura, no ensino&#8230; na pr\u00f3pria fam\u00edlia e na religi\u00e3o. A recente greve geral constitu\u00edu uma express\u00e3o forte das nossas divis\u00f5es; perante elas, torna-se indispens\u00e1vel o di\u00e1logo em toda a parte, sob pena de nos perdermos nas nossas rupturas e tornarmos invi\u00e1vel a democracia. <\/p>\n<p>Sabe-se que o di\u00e1logo \u00e9 extremamente dif\u00edcil. Veritica-se, por toda a parte, a tend\u00eancia para o  extremismo de posi\u00e7\u00f5es. Real\u00e7am-se; particularmente, os confrontos entre os \u00abbons\u00bb e os \u00abmaus\u00bb, entre \u00absuperiores e inferiores\u00bb, entre \u00abesquerda\u00bb e \u00abdireita\u00bb, entre o \u00abtrabalho\u00bb e o \u00abcapital\u00bb&#8230;Devido a tais extremismos e a outras dificuldades, muita gente receia o di\u00e1logo ou considera-o in\u00fatil. O Governo e as entidades patronais t\u00eam, frequentemente, a sensa\u00e7\u00e3o de que as reivindica\u00e7\u00f5es de di\u00e1logo t\u00eam sempre subjacente a exig\u00eancia de aumento de despesa superior \u00e0s suas possibilidades. Por seu turno, os reivindicadores de di\u00e1logo alimentam permanentemente a ideia de que o Governo e as entidades patronais o recusam sem motivo atend\u00edvel.<\/p>\n<p>Acha-se bastante difundida a convic\u00e7\u00e3o de que, no nosso pa\u00eds, n\u00e3o existe a tradi\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo, e que ser\u00e1 necess\u00e1rio institu\u00ed-lo a partir do zero. Isso \u00e9 verdade, se nos limitarmos ao di\u00e1logo formal, com reuni\u00f5es e suas formalidades. Mas \u00e9 menos verdadeiro se considerarmos o di\u00e1logo informal, que se observa quase por toda a parte, embora marcado, n\u00e3o raro, pelo paternalismo e pelo autoritarismo. Ele verifica-se nas fam\u00edlias, nos locais de trabalho, no conv\u00edvio, no associativismo&#8230; Consiste nas rela\u00e7\u00f5es do dia-a-dia e n\u00e3o recorre muito a palavras; pode traduzir-se num olhar, num gesto, na partilha, na prem\u00eancia da realidade e dos problemas a resolver&#8230;Nele as pessoas podem unir-se,  mesmo sem reuni\u00f5es. <\/p>\n<p>As reuni\u00f5es tornaram-se necess\u00e1rias, para a clarifica\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo e para a formaliza\u00e7\u00e3o exigida por raz\u00f5es de ordem jur\u00eddica, pol\u00edtica ou outra. Mal avisados andaremos, por\u00e9m, se confundirmos a pr\u00e1tica de reuni\u00f5es com a \u00abreunite\u00bb. A \u00abreunite\u00bb, ou doen\u00e7a das reuni\u00f5es, traduz-se no abuso destas, na sua demora, no excesso de palavras, na vacuidade,  na falta de efic\u00e1cia. Frequentemente a \u00abreunite\u00bb constitui um obst\u00e1culo ao di\u00e1logo e redunda em  opress\u00e3o (cf. Paulo da Trindade Ferreira, \u00abReuni\u00f5es de Trabalho (&#8230;)\u00bb, Editorial Presen\u00e7a, Lisboa, 2005).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-3375","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3375"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3375\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}