{"id":3460,"date":"2009-09-02T10:03:00","date_gmt":"2009-09-02T10:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3460"},"modified":"2009-09-02T10:03:00","modified_gmt":"2009-09-02T10:03:00","slug":"aquelas-exequias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/aquelas-exequias\/","title":{"rendered":"Aquelas ex\u00e9quias"},"content":{"rendered":"<p>Foram, deveras, umas Ex\u00e9quias singulares as de D. Donzelina dos Santos, M\u00e3e extremosa do nosso Bispo, D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, n\u00e3o apenas por se tratar da M\u00e3e de um Bispo, mas pelas circunst\u00e2ncias providenciais dolorosas, assumidas, que entrela\u00e7aram a vida de ambos.<\/p>\n<p>As palavras simples, que vou escrever, t\u00eam, na minha inten\u00e7\u00e3o, o fim de partilhar com os poss\u00edveis leitores os sentimentos \u00edntimos, que me brotaram na alma, pelo que vi, ouvi, reflecti e vivi nestas Ex\u00e9quias, na Catedral de Lamego, de manh\u00e3, e, de tarde, na Igreja Paroquial de Tendais, sua Terra Natal.<\/p>\n<p>Senti-me feliz, por encontrar entre aquela incont\u00e1vel multid\u00e3o de gente, muitos diocesanos de Aveiro, leigos e religiosas (na certeza de que s\u00f3 dei por uma m\u00ednima parte dos presentes), numa demonstra\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca  de amizade e gratid\u00e3o ao nosso Bispo e de comunh\u00e3o com Ele, naquela hora de sofrimento. A F\u00e9 e a Esperan\u00e7a d\u00e3o alento, mas n\u00e3o esmagam a sensibilidade.<\/p>\n<p>As Autoridades de Lamego marcaram presen\u00e7a, bem como as de Aveiro, ao n\u00edvel da Cidade e de v\u00e1rias Autarquias locais. Os sacerdotes e di\u00e1conos permanentes, que participaram naqueles Actos Lit\u00fargicos, vindos de v\u00e1rias dioceses e congrega\u00e7\u00f5es religiosas, atingiram um n\u00famero excepcional (segundo a \u201cA Voz de Lamego\u201d, uns duzentos), o que levou D. Jacinto Botelho a afirmar que nunca a Catedral de Lamego viu tantos eclesi\u00e1sticos juntos. Os padres e di\u00e1conos permanentes da nossa Diocese participaram em maioria elevada, em comunh\u00e3o de F\u00e9 e amizade com o seu Bispo.<\/p>\n<p>Presidiu \u00e0s duas concelebra\u00e7\u00f5es o Bispo Residencial de Lamego, acima nomeado, a pedido instante do nosso Bispo, o que se compreende perfeitamente. O Presidente falou-nos daquela Mulher excepcional, acolhedora, Esposa modelar e M\u00e3e devotada aos filhos, predestinada por Deus para seguir com Jesus Cristo o caminho do Calv\u00e1rio. No final das duas Cerim\u00f3nias Lit\u00fargicas, o Senhor D. Ant\u00f3nio Francisco agradeceu \u00e0 sua querida M\u00e3e quanto dela recebeu; e a cada um dos presentes terem vindo acompanh\u00e1-lo naquela hora dolorosa.<\/p>\n<p>O Marido emigrou para o Brasil, como fizeram tantos portugueses nessa \u00e9poca, e anteriormente, com o intuito de melhorar a situa\u00e7\u00e3o familiar. Entretanto, o Senhor chamou para Si o filhinho mais novo. E, esperando Ela e o Antoninho o regresso do Marido e do Pai para breve, receberam a not\u00edcia de que havia falecido, ainda no Brasil, aos 41 anos de idade. \u00c9 f\u00e1cil imaginar o sofrimento atroz que a ambos atingiu e quanto favoreceu uma intimidade m\u00fatua, sempre mais intensa.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o h\u00e1 equ\u00edvoco da minha parte, foi Ela quem ajudou o seu Filho a preparar-se para a Primeira Comunh\u00e3o. A sua piedade s\u00f3lida, demonstrada de v\u00e1rias formas, salientou-se na devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, que promoveu \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p>Olhando para o seu rosto, na fotografia da pagela \u2013 mem\u00f3ria, facilmente ressaltam os tra\u00e7os duma alma nobre, de firmeza decidida, de serenidade confiante e pacificadora.<\/p>\n<p>Sentindo-se chamado ao Sacerd\u00f3cio, o Ant\u00f3nio seguiu para os Semin\u00e1rios diocesanos, o que exigiu grandes sacrif\u00edcios a sua M\u00e3e. Ordenado sacerdote em 1972, a vida da M\u00e3e, j\u00e1 centrada em Cristo, concentrou-se na vida do Filho, numa verdadeira comunh\u00e3o espiritual.<\/p>\n<p>Em 1990, aos 63 anos de idade, foi atingida por um AVC, cujos efeitos sofreu ao longo de 19 anos, com agravamento crescente. Por\u00e9m, este golpe n\u00e3o a desligou da intimidade com o Filho.<\/p>\n<p>Quando Ele foi nomeado Bispo, Ela j\u00e1 n\u00e3o dizia palavra. Contudo, quando lhe comunicaram o acontecimento, deu mostras de reagir.<\/p>\n<p>Nestas circunst\u00e2ncias, o Senhor D. Ant\u00f3nio Francisco visitava-a frequentemente e, nos \u00faltimos tempos, diariamente. E, segundo o testemunho das pessoas, que a acompanhavam, com todo o desvelo, quando lhe faltava a presen\u00e7a dele, dava mostras de inquieta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Termino, pondo em realce o que senti neste dia \u00fanico par mim. Fomos a Lamego e a Tendais acompanhar o nosso Bispo na sua dor e sufragar a alma de sua M\u00e3e. Por\u00e9m, aqueles Ritos Lit\u00fargicos n\u00e3o foram, primordialmente, de sufr\u00e1gio. Foram, antes, de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao Senhor pelos benef\u00edcios, que a nossa Diocese recebeu de Deus, mediante os merecimentos desta Alma de elei\u00e7\u00e3o, sempre unida a seu Filho, que ao ser nomeado nosso Pastor, tomou a Diocese de Aveiro, como sua Esposa.<\/p>\n<p>A sua M\u00e3e, junto de Deus, no Qual conhece as nossas necessidades, n\u00e3o pode esquecer-nos. Temos mais uma intercessora no C\u00e9u. Recorramos \u00e0 sua intercess\u00e3o.  <\/p>\n<p>P.e Manuel Cirne<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram, deveras, umas Ex\u00e9quias singulares as de D. Donzelina dos Santos, M\u00e3e extremosa do nosso Bispo, D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, n\u00e3o apenas por se tratar da M\u00e3e de um Bispo, mas pelas circunst\u00e2ncias providenciais dolorosas, assumidas, que entrela\u00e7aram a vida de ambos. 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