{"id":3473,"date":"2009-07-29T15:03:00","date_gmt":"2009-07-29T15:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3473"},"modified":"2009-07-29T15:03:00","modified_gmt":"2009-07-29T15:03:00","slug":"o-necessario-rosto-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-necessario-rosto-da-verdade\/","title":{"rendered":"O necess\u00e1rio rosto da verdade"},"content":{"rendered":"<p>Diz-se que s\u00e3o demasiadamente clericais os meios de comunica\u00e7\u00e3o social da Igreja. Logo se diz, tamb\u00e9m, que \u00e9 esse, ainda hoje, o seu rosto mais vis\u00edvel e, por isso, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que assim seja e assim apare\u00e7a. N\u00e3o falta quem teime, dentro e fora, em continuar a identificar Igreja com bispos e padres, por preconceito, por falta de forma\u00e7\u00e3o e de informa\u00e7\u00e3o, por restos hist\u00f3ricos que tardam em se apagar.  <\/p>\n<p>Na Igreja, continua a ser dif\u00edcil e lenta a passagem de uma classe restrita, mas dominante, o clero, a um povo diversificado, alargado e plural, a comunidade dos crentes. A Igreja de Cristo \u00e9 Povo, \u00e9 comunidade. N\u00e3o \u00e9 grupo, nem elite, nem classe.<\/p>\n<p>Pode acontecer, e em diversos casos acontece mesmo, que o tom clerical dos jornais, e n\u00e3o s\u00f3, seja, por vezes, ainda o tom que prevalece. A verdade, por\u00e9m, \u00e9 que o trabalho que se vem fazendo, por todo o lado, com os leigos e para lhes dar consci\u00eancia da sua dignidade e miss\u00e3o, \u00e9 significativo. O seu protagonismo, em muitas comunidades paroquiais, tem crescido sempre mais. Por caminhos n\u00e3o reivindicativos, mas de f\u00e9. <\/p>\n<p>O Ano Paulino, iluminado pela Palavra de Deus e conduzido pela vida de Paulo e das suas comunidades, com suas fraquezas e m\u00e9ritos, foi uma lufada de ar fresco na Igreja. Muitos leigos acordaram para novos rumos, ao longo deste Ano. Pelo caminho da Palavra se vai \u00e0 fonte que n\u00e3o deixa que a Igreja se clericalize. Um caminho que ajuda todos os membros da Igreja, leigos, cl\u00e9rigos e consagrados, a sentir a alegria e a gra\u00e7a de serem, acima de tudo, Povo de Deus, \u201cna\u00e7\u00e3o santa e povo resgatado\u201d, com uma miss\u00e3o comum no mundo. <\/p>\n<p>Resta muito para fazer, \u00e9 certo, e, desta realidade, todos devem estar conscientes.<\/p>\n<p>Mais dif\u00edcil \u00e9 o caminho, quando se trata de capacitar os leigos para o compromisso nas estruturas sociais &#8211; familiares, profissionais e pol\u00edticas, onde muitos ainda n\u00e3o se situam, nem se declaram e, frequentemente, se escondem e se omitem. Uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode deixar descansados os respons\u00e1veis das comunidades. Os leigos, quando passam pelo templo e a\u00ed descobrem a sua voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e o seu lugar na Igreja, devem sentir-se estimulados para as tarefas a realizar na sociedade. Essas \u00e9 que lhes s\u00e3o pr\u00f3prias. A sua voca\u00e7\u00e3o do leigo \u00e9 ser \u201ccrist\u00e3os no mundo\u201d. Esta condi\u00e7\u00e3o prevalece sobre outras actividades na comunidade crist\u00e3, se n\u00e3o as pode realizar, sem preju\u00edzo da sua miss\u00e3o no mundo.<\/p>\n<p>Uma comunidade crist\u00e3 bem organizada, mas de costas voltadas para a sociedade e para o que nela se passa com repercuss\u00e3o na vida das pessoas, est\u00e1 fora do sentido e do \u00e2mbito evang\u00e9lico, que a devem caracterizar. <\/p>\n<p>As batalhas mais duras da vida n\u00e3o se passam no templo, mas sim na casa de fam\u00edlia, no lugar de trabalho, sempre e onde se joga o rumo das actividades sociais e pol\u00edticas. Os seus protagonistas devem ser, ao lado de outros, os leigos crist\u00e3os que est\u00e3o no campo de luta. T\u00eam, por isso, direito a sentir o apoio de retaguarda na sua comunidade de refer\u00eancia, que lhes propicia meios de reflex\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o, para que a sua participa\u00e7\u00e3o se processe e se decida, com sentido evang\u00e9lico e em liberdade, pelos caminhos da justi\u00e7a, humaniza\u00e7\u00e3o, verdade, solidariedade.<\/p>\n<p>Um mundo diferente, sujeito cada dia a mudan\u00e7as que tocam na vida das pessoa e das comunidades, um mundo com problemas humanos e sociais de grande monta, n\u00e3o pode permitir a ningu\u00e9m, e muito menos \u00e0 Igreja, que se lhe passe ao lado. Os problemas n\u00e3o se resolvem automaticamente, mas com a participa\u00e7\u00e3o activa nos dinamismos que os provocam. O caminho n\u00e3o pode ser outro sen\u00e3o aprender a viver numa sociedade em mudan\u00e7a. O di\u00e1logo Igreja \u2013 Mundo, cada vez mais exigente e urgente, n\u00e3o \u00e9 um di\u00e1logo clerical e n\u00e3o se far\u00e1 nunca sem leigos activos, preparados e apoiados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diz-se que s\u00e3o demasiadamente clericais os meios de comunica\u00e7\u00e3o social da Igreja. Logo se diz, tamb\u00e9m, que \u00e9 esse, ainda hoje, o seu rosto mais vis\u00edvel e, por isso, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que assim seja e assim apare\u00e7a. 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