{"id":3487,"date":"2009-09-02T11:52:00","date_gmt":"2009-09-02T11:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3487"},"modified":"2009-09-02T11:52:00","modified_gmt":"2009-09-02T11:52:00","slug":"quem-sonha-o-bem-dos-outros-e-faz-do-sonho-amor-nao-morre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quem-sonha-o-bem-dos-outros-e-faz-do-sonho-amor-nao-morre\/","title":{"rendered":"Quem sonha o bem dos outros e faz do sonho amor n\u00e3o morre"},"content":{"rendered":"<p>Fiz o caminho a recordar muitas coisas que foram, em tempos, motivo de alegria, de preocupa\u00e7\u00e3o, de algum sofrimento, que tudo faz parte da vida. A obra que ia visitar \u00e9 o \u00faltimo elo de um sonho, que amor e coragem n\u00e3o deixaram transformar em pesadelo.<\/p>\n<p>Ia comigo a mem\u00f3ria de um rosto sorridente, de uns olhos vivos, de um ar de quem est\u00e1 sempre com pressa, de uma t\u00eampera de crente para quem a f\u00e9 s\u00e3o obras. <\/p>\n<p>Nasceu paredes-meias com Frei Gil. Dois bairradinos que fervilhavam de amor aos mais pobres. Falo do Padre Rei e do seu sonho. Par\u00f3quia extensa, caminhos maus, fam\u00edlias isoladas. O zelo n\u00e3o tinha fronteiras e, como imaginativo \u00e9 sempre o zelo que nasce do amor, as iniciativas multiplicavam-se: templos em todos os lugares, aparelhos de televis\u00e3o em todos os templos, catequeses aos adultos gravadas e transmitidas, colaboradores que se multiplicavam\u2026 Dava impress\u00e3o que nada estava acabado, mas que tudo estava ao servi\u00e7o, como ele pr\u00f3prio. Ainda dispon\u00edvel para encostar os seus ombros a outros ombros para defender a Igreja e a liberdade amea\u00e7ada.<\/p>\n<p>A obra social impunha-se, porque se impunha resposta a idosos e fam\u00edlias. E o Padre Rei a\u00ed vai pelas Am\u00e9ricas, do norte e do sul, a pedir e a recolher ofertas. Nas fronteiras portuguesas, faz-se mendigo junto de emigrantes e turistas. Entrega para o centro o patrim\u00f3nio. A obra foi crescendo. Em 1984, inaugurada. Tudo por acabar, mas tudo a funcionar. Os espa\u00e7os iam-se acoplando uns sobre os outros. A necessidade de servir assim obrigava. Para ele, o importante n\u00e3o eram os projectos, era o projecto.<\/p>\n<p>Um dia desencadearam-se \u00f3dios e cal\u00fanias, vindas de dentro e de fora. Ningu\u00e9m que fa\u00e7a o bem, mormente aos pobres, deixa de passar por essa porta, constru\u00edda por invejas, ressentimentos, \u00e2nsia de mando e de prest\u00edgio. A onda encontrou eco nos servi\u00e7os oficiais. N\u00e3o era de estranhar. Vieram inspectores. Viram e ouviram de fora. Sentenciaram, sem escutar o \u201cr\u00e9u\u201d: a obra tinha muitos defeitos, o seu director era incompetente Devia fechar! Senten\u00e7a dada, bispo avisado. Uma teia de mentira e injusti\u00e7a. Veio um homem do governo falar comigo. \u201cA haver r\u00e9u, lhe disse, ent\u00e3o ser\u00e1 o bispo. Para o Padre Rei, s\u00f3 uma bem merecida est\u00e1tua e gratid\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o\u201d. Triunfaram a verdade e o bom senso. Ningu\u00e9m pode apagar o sol, nem cortar as ra\u00edzes ao sonho.<\/p>\n<p>O Padre Rei quis viver e morrer entre os seus velhinhos. Velhinho, doente como muitos deles. O seu amor contagiara outros. Sucessores e paroquianos. Passados anos, que n\u00e3o foram f\u00e1ceis, o cuidado e o amor de sempre continuam agora em casa nova. Fui ver, que ainda a n\u00e3o tinha visto. Nas paredes, rostos do Padre Rei. Nos rostos de todos, a alegria de se sentirem amados, a decis\u00e3o de servir e de sonhar. <\/p>\n<p>Recordei, agradeci, tomei consci\u00eancia, mais uma vez, de que n\u00e3o h\u00e1 poder humano que possa quem ama. Que os sonhadores, que fazem do sonho amor aos outros, n\u00e3o morrem. Nunca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fiz o caminho a recordar muitas coisas que foram, em tempos, motivo de alegria, de preocupa\u00e7\u00e3o, de algum sofrimento, que tudo faz parte da vida. A obra que ia visitar \u00e9 o \u00faltimo elo de um sonho, que amor e coragem n\u00e3o deixaram transformar em pesadelo. 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