{"id":349,"date":"2010-01-20T10:35:00","date_gmt":"2010-01-20T10:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=349"},"modified":"2010-01-20T10:35:00","modified_gmt":"2010-01-20T10:35:00","slug":"presenca-e-testemunho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/presenca-e-testemunho\/","title":{"rendered":"Presen\u00e7a e testemunho"},"content":{"rendered":"<p>Nota Pastoral do Bispo de Aveiro <!--more--> 1. Na tarde do passado s\u00e1bado, dia 16 de Janeiro, o Padre Manuel Marques Dias, sacerdote da Diocese de Aveiro, foi assaltado e agredido na sua resid\u00eancia no lugar de Cristelo, na vila e par\u00f3quia da Branca, Albergaria-a-Velha, onde reside com uma sua Irm\u00e3.<\/p>\n<p>Este acto de viol\u00eancia, sem qualquer sentido nem raz\u00e3o, magoa-nos a todos: como cidad\u00e3os, como irm\u00e3os na f\u00e9 e no presbit\u00e9rio e como Igreja que somos. Estive com o Padre Marques Dias e com a sua Irm\u00e3 logo que tive conhecimento. A\u00ed encontrei o seu P\u00e1roco, seus familiares e v\u00e1rios membros da Comunidade crist\u00e3, num belo testemunho de presen\u00e7a solid\u00e1ria. <\/p>\n<p>Agrade\u00e7o a presen\u00e7a e a dedica\u00e7\u00e3o de todos os que desde o in\u00edcio o acompanharam em casa e no Hospital.<\/p>\n<p>N\u00e3o estranhei a serenidade do Padre Marques Dias, em momento t\u00e3o dif\u00edcil da sua vida. Quantos o conhecem e sobretudo aqueles que o tiveram como p\u00e1roco, ao longo de cinquenta e cinco anos de vida sacerdotal, sabem da sua simplicidade de vida, dada por inteiro e em tudo ao servi\u00e7o de todos, com verdade, despojamento e generosidade. <\/p>\n<p>Foi no caminho de regresso da Visita Pastoral \u00e0 par\u00f3quia de S. Louren\u00e7o do Bairro, onde ele foi p\u00e1roco durante oito anos, na d\u00e9cada de sessenta, e a\u00ed \u00e9 recordado com afecto e gratid\u00e3o, que tive conhecimento do que lhe acontecera. Manifestei-lhe esta gratid\u00e3o que d\u00e1 sentido \u00e0 vida, alivia o sofrimento e ilumina com o brilho da luz e com a beleza do minist\u00e9rio sacerdotal as horas mais dif\u00edceis.<\/p>\n<p>2. Acontecimentos como estes s\u00e3o, certamente, mais frequentes do que imaginamos. Ningu\u00e9m est\u00e1 a salvo daqueles que n\u00e3o respeitam as pessoas nem os bens.<\/p>\n<p>Nada, por\u00e9m, justifica o que aconteceu aqui com um irm\u00e3o nosso, como nada explica o que vai acontecendo um pouco por todo o Pa\u00eds. Sinto que os idosos, os indefesos e os pobres se sentem cada vez mais s\u00f3s, inseguros e vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>As portas sempre abertas como a da casa do Padre Marques Dias, que abre as portas da casa como sempre abriu as portas da vida, do minist\u00e9rio e do cora\u00e7\u00e3o a todos os vizinhos e paroquianos, n\u00e3o legitimam a viol\u00eancia e as portas fechadas de tanta gente n\u00e3o lhe servem de barreira.<\/p>\n<p>A crise social por que passamos n\u00e3o deve justificar todos os desvarios. O problema \u00e9 mais fundo e por isso mesmo mais doloroso e dif\u00edcil. O valor da dignidade humana, a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o para os valores, o respeito sagrado pela vida, o esp\u00edrito saud\u00e1vel e feliz da vida de fam\u00edlia s\u00e3o feridos e beliscados sempre que algu\u00e9m os esquece ou ignora.<\/p>\n<p>Todos somos chamados a ser educadores na escola de uma cidadania alicer\u00e7ada em valores inalien\u00e1veis e perenes. O Pa\u00eds deve preocupar-se mais com esta prioridade.<\/p>\n<p>3. \u00c0 Igreja n\u00e3o pertence julgar os agressores. Confiamos \u00e0 Justi\u00e7a o direito e o dever de o fazer.<\/p>\n<p>\u00c0 Igreja pertence, isso sim, juntar \u00e0 tristeza destes acontecimentos, a compaix\u00e3o crist\u00e3 por quem sofre e por quem ofende e n\u00e3o abdicar da tarefa cont\u00ednua de educar para os valores sagrados e inviol\u00e1veis das pessoas, das fam\u00edlias e das comunidades.<\/p>\n<p>Exige-se dos crist\u00e3os um trabalho incans\u00e1vel e um testemunho corajoso de f\u00e9 e de vida, que nos leve a ser fermento evang\u00e9lico de um mundo novo, justo e fraterno.<\/p>\n<p>Sentimos que essa \u00e9 a for\u00e7a da nossa f\u00e9 e a\u00ed se exprime em cada acto humano e em cada tempo e cultura a \u00e9tica crist\u00e3 inspirada no mandamento novo de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>+Ant\u00f3nio Francisco dos Santos<\/p>\n<p>Bispo de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral do Bispo de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-349","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/349","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=349"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/349\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}