{"id":3510,"date":"2009-09-02T10:29:00","date_gmt":"2009-09-02T10:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3510"},"modified":"2009-09-02T10:29:00","modified_gmt":"2009-09-02T10:29:00","slug":"o-mundo-precisa-de-caridade-na-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-mundo-precisa-de-caridade-na-verdade\/","title":{"rendered":"O mundo precisa de caridade na verdade"},"content":{"rendered":"<p>Bento XVI publicou a enc\u00edclica \u201cCaridade na Verdade\u201d (\u201cCaritas in veritate\u201d, CV), centrada na quest\u00e3o do desenvolvimento. O Correio do Vouga seleccionou textos sobre sete assuntos principais (entre tantos poss\u00edveis) deste documento social. Como complemento, apresenta-se uma rela\u00e7\u00e3o dos documentos sociais dos papas e dos acontecimentos do mundo. Mais textos sobre a CV nas p\u00e1ginas 2, 20 e 21<\/p>\n<p>Deus, a Caridade e os Crist\u00e3os<\/p>\n<p>A caridade na verdade, que Jesus Cristo testemunhou com a sua vida terrena e sobretudo com a sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e9 a for\u00e7a propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira. <\/p>\n<p>A caridade \u00e9 a via mestra da doutrina social da Igreja. S\u00f3 na verdade \u00e9 que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida. Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo.<\/p>\n<p>O desenvolvimento tem necessidade de crist\u00e3os com os bra\u00e7os levantados para Deus em atitude de ora\u00e7\u00e3o, crist\u00e3os movidos pela consci\u00eancia de que o amor cheio de verdade \u2013 caritas in veritate \u2013, do qual procede o desenvolvimento aut\u00eantico, n\u00e3o o produzimos n\u00f3s, mas \u00e9-nos dado (n.\u00bas 1, 78 e 79).<\/p>\n<p>Responsabilidade e solidariedade no desenvolvimento<\/p>\n<p>O desenvolvimento humano integral sup\u00f5e a liberdade respons\u00e1vel da pessoa e dos povos: nenhuma estrutura pode garantir tal desenvolvimento, prescindindo e sobrepondo-se \u00e0 responsabilidade humana. Al\u00e9m de requerer a liberdade, o desenvolvimento humano integral enquanto voca\u00e7\u00e3o exige tamb\u00e9m que se respeite a sua verdade.<\/p>\n<p>O subdesenvolvimento tem uma causa ainda mais importante do que a car\u00eancia de pensamento: \u00e9 \u00aba falta de fraternidade entre os homens e entre os povos\u00bb.<\/p>\n<p>A sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas n\u00e3o nos faz irm\u00e3os. A raz\u00e3o, por si s\u00f3, \u00e9 capaz de ver a igualdade entre os homens e estabelecer uma conviv\u00eancia c\u00edvica entre eles, mas n\u00e3o consegue fundar a fraternidade. Esta tem origem numa voca\u00e7\u00e3o transcendente de Deus Pai, que nos amou primeiro, ensinando-nos por meio do Filho o que \u00e9 a caridade fraterna. N\u00e3o \u00e9 suficiente progredir do ponto de vista econ\u00f3mico e tecnol\u00f3gico; \u00e9 preciso que o desenvolvimento seja, antes de mais nada, verdadeiro e integral (n.\u00bas 17,18, 19 e 22).<\/p>\n<p>A crise actual \u00e9 ocasi\u00e3o de discernimento<\/p>\n<p>A complexidade e gravidade da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica actual preocupa-nos, com toda a justi\u00e7a, mas devemos assumir com realismo, confian\u00e7a e esperan\u00e7a as novas responsabilidades a que nos chama o cen\u00e1rio de um mundo que tem necessidade duma renova\u00e7\u00e3o cultural profunda e da redescoberta de valores fundamentais para construir sobre eles um futuro melhor. A crise obriga-nos a projectar de novo o nosso caminho, a impor-nos regras novas e encontrar novas formas de empenhamento, a apostar em experi\u00eancias positivas e rejeitar as negativas. Assim, a crise torna-se ocasi\u00e3o de discernimento e elabora\u00e7\u00e3o de nova planifica\u00e7\u00e3o. Com esta chave, feita mais de confian\u00e7a que resigna\u00e7\u00e3o, conv\u00e9m enfrentar as dificuldades da hora actual.<\/p>\n<p>O desemprego provoca aspectos novos de irrelev\u00e2ncia econ\u00f3mica do indiv\u00edduo, e a crise actual pode apenas piorar tal situa\u00e7\u00e3o. A exclus\u00e3o do trabalho por muito tempo ou ent\u00e3o uma prolongada depend\u00eancia da assist\u00eancia p\u00fablica ou privada corroem a liberdade e a criatividade da pessoa e as suas rela\u00e7\u00f5es familiares e sociais, causando enormes sofrimentos a n\u00edvel psicol\u00f3gico e espiritual. O primeiro capital a preservar e valorizar \u00e9 o homem, a pessoa, na sua integridade: \u00abcom efeito, o homem \u00e9 o protagonista, o centro e o fim de toda a vida econ\u00f3mico-social\u00bb. Os custos humanos s\u00e3o sempre tamb\u00e9m custos econ\u00f3micos, e as disfun\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas acarretam sempre tamb\u00e9m custos humanos (n.\u00bas 21, 22 e 27).<\/p>\n<p>L\u00f3gica mercantil ou \u00e9tica na economia?<\/p>\n<p>O mercado, se houver confian\u00e7a rec\u00edproca e generalizada, \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica que permite o encontro entre as pessoas, na sua dimens\u00e3o de operadores econ\u00f3micos que usam o contrato como regra das suas rela\u00e7\u00f5es e que trocam bens e servi\u00e7os entre si fung\u00edveis, para satisfazer as suas car\u00eancias e desejos. <\/p>\n<p>A actividade econ\u00f3mica n\u00e3o pode resolver todos os problemas sociais atrav\u00e9s da simples extens\u00e3o da l\u00f3gica mercantil. Esta h\u00e1-de ter como finalidade a prossecu\u00e7\u00e3o do bem comum, do qual se deve ocupar tamb\u00e9m e sobretudo a comunidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Dar resposta \u00e0s exig\u00eancias morais mais profundas da pessoa tem tamb\u00e9m importantes e ben\u00e9ficas consequ\u00eancias no plano econ\u00f3mico. De facto, a economia tem necessidade da \u00e9tica para o seu correcto funcionamento n\u00e3o de uma \u00e9tica qualquer, mas de uma \u00e9tica amiga da pessoa (n.\u00bas 35, 36 e 45).<\/p>\n<p>Globaliza\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o internacional<\/p>\n<p>A verdade da globaliza\u00e7\u00e3o enquanto processo e o seu crit\u00e9rio \u00e9tico fundamental prov\u00eam da unidade da fam\u00edlia humana e do seu desenvolvimento no bem. Por isso \u00e9 preciso empenhar-se sem cessar por favorecer uma orienta\u00e7\u00e3o cultural personalista e comunit\u00e1ria, aberta \u00e0 transcend\u00eancia, do processo de integra\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>\u00abA solidariedade universal \u00e9 para n\u00f3s n\u00e3o s\u00f3 um facto e um benef\u00edcio, mas tamb\u00e9m um dever\u00bb. A coopera\u00e7\u00e3o internacional precisa de pessoas que partilhem o processo de desenvolvimento econ\u00f3mico e humano, atrav\u00e9s da solidariedade feita de presen\u00e7a, acompanhamento, forma\u00e7\u00e3o e respeito. Sob este ponto de vista, os pr\u00f3prios organismos internacionais deveriam interrogar-se sob a real efic\u00e1cia dos seus aparatos burocr\u00e1ticos e administrativos, frequentemente muito dispendiosos. <\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o tem necessidade, sem d\u00favida, de autoridade, enquanto p\u00f5e o problema de um bem comum global a alcan\u00e7ar; mas tal autoridade dever\u00e1 ser organizada de modo subsidi\u00e1rio e poli\u00e1rquico, seja para n\u00e3o lesar a liberdade, seja para resultar concretamente eficaz (n.\u00bas 42, 43, 45 e 57).<\/p>\n<p>Desenvolvimento e ambiente<\/p>\n<p>O tema do desenvolvimento aparece, hoje, estreitamente associado tamb\u00e9m com os deveres que nascem do relacionamento do homem com o ambiente natural. Este foi dado por Deus a todos, constituindo o seu uso uma responsabilidade que temos para com os pobres, as gera\u00e7\u00f5es futuras e a humanidade inteira. Quando a natureza, a come\u00e7ar pelo ser humano, \u00e9 considerada como fruto do acaso ou do determinismo evolutivo, a no\u00e7\u00e3o da referida responsabilidade debilita-se nas consci\u00eancias. <\/p>\n<p>Hoje, as quest\u00f5es relacionadas com o cuidado e a preserva\u00e7\u00e3o do ambiente devem ter na devida considera\u00e7\u00e3o as problem\u00e1ticas energ\u00e9ticas. De facto, o a\u00e7ambarcamento dos recursos energ\u00e9ticos n\u00e3o renov\u00e1veis por parte de alguns Estados, grupos de poder e empresas constitui um grave impedimento para o desenvolvimento dos pa\u00edses pobres. Estes n\u00e3o t\u00eam os meios econ\u00f3micos para chegar \u00e0s fontes energ\u00e9ticas n\u00e3o renov\u00e1veis que existem, nem para financiar a pesquisa de fontes novas e alternativas. <\/p>\n<p>A Igreja sente o seu peso de responsabilidade pela cria\u00e7\u00e3o e deve fazer valer esta responsabilidade tamb\u00e9m em p\u00fablico (n.\u00bas 48 e 49 e 51).<\/p>\n<p>Consumo, bio\u00e9tica e t\u00e9cnica<\/p>\n<p>A interliga\u00e7\u00e3o mundial fez surgir um novo poder pol\u00edtico: o dos consumidores e das suas associa\u00e7\u00f5es, um fen\u00f3meno carecido de aprofundamento, com elementos positivos que h\u00e3o-de ser incentivados e excessos que se devem evitar. (\u2026) Hoje, um campo prim\u00e1rio e crucial da luta cultural entre o absolutismo da t\u00e9cnica e a responsabilidade moral do homem \u00e9 o da bio\u00e9tica, onde se joga radicalmente a pr\u00f3pria possibilidade de um desenvolvimento humano integral. Trata-se de um \u00e2mbito delicad\u00edssimo e decisivo, onde irrompe, com dram\u00e1tica intensidade, a quest\u00e3o fundamental de saber se o homem se produziu por si mesmo ou depende de Deus. (\u2026) O absolutismo da t\u00e9cnica tende a produzir uma incapacidade de perceber aquilo que n\u00e3o se explica meramente pela mat\u00e9ria; e, no entanto, todos os homens experimentam os numerosos aspectos imateriais e espirituais da sua vida (n.\u00bas 66,74 e 77).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bento XVI publicou a enc\u00edclica \u201cCaridade na Verdade\u201d (\u201cCaritas in veritate\u201d, CV), centrada na quest\u00e3o do desenvolvimento. O Correio do Vouga seleccionou textos sobre sete assuntos principais (entre tantos poss\u00edveis) deste documento social. Como complemento, apresenta-se uma rela\u00e7\u00e3o dos documentos sociais dos papas e dos acontecimentos do mundo. 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